Turma da Mônica Jovem #1 Tweet

Pois é, quem imaginou que esse otaku fedido compraria a primeira edição de Turma da Mônica Jovem ("em estilo mangá" como diz a capa), acertou! A minha curiosidade mórbida para ver como ficaria a Mônica de Chico (não o Bento) falou mais alto!
Para início de conversa... Não, essa primeira edição não foi boa! Pelo contrário, foi muito, muito ruim!
Um dos grandes problemas é que o gibi começa "beleza! Nós crescemos! Estamos falando sério!", mas ela não se levava a sério em nenhum momento! Ficaram até a página 40 (de cento e pouquim) no mimimimi de "ah, a Mônica agora é mocinha! Ah, o Cebolinha agora fala certo! Ah, o Cascão agora toma banho!". Detalhe que antes da história começar, existe uma introdução JÁ FALANDO DESSAS MUDANÇAS! Você já não agüenta mais e pede para a história começar de verdade.
Já que eu citei isso, vou comentar sobre as mudanças dos personagens: a Mônica continua a mesma, o Cebolinha agora se denomina "Cebola" e só troca o "r" pelo "l" quando fica nervoso ou quando fala com uma garota (punheteiro!), o Cascão toma banho, mas ainda não curte e a Magali agora diz que cuida mais da alimentação, mas ainda não resiste a uma guloseima. Enfim, por incrível que pareça, as mudanças não foram tão drásticas assim, tirando o fato de que eles perderam toda a sua personalidade e, principalmente, o seu carisma.
E isso se deve ao fato de que os personagens se tornaram adolescentes caricatos, escrito por alguém que não se lembra como é essa fase. Ficou um nível bem "Malhação"! Só faltou ele venderem uma rifa para levantarem a escola! "Pô, muito irada essa idéia!".
E quem mais perdeu foi o Cascão, justo o mais simpático da turma! Ele se tornou um tosco que só usa gírias da DÉCADA PASSADA, como "demorou", "mano" e afins. Só faltou um "se derrubar é pênalti"!

Porém, as maiores mudanças foram nos personagens secundários. O Louco virou professor! O Capitão Feio agora se chama... Poeira Negra... Pfff! E foi todo remodelado! Agora ele não é um supervilão que solta raios de sujeira, não! O Poeira Negra (que só foi chamado de Capitão Feio pelos protagonistas... Taí mais uma prova de que não tavam conseguindo levar esse gibi a sério) agora usa um sobretudo, uma barbicha escrota e usa magia japonesa em pedaços de papel (machê... Quero dizer, clichê!). O personagem original era MUITO melhor.
Agora o foda foi o Anjinho... Adivinhem o novo nome dele? Vamos, adivinhem! Anjo? Não! Arcanjo? Também não! Garoto Voador? Menos! O nome dele agora é... Céuboy.

CÉUBOY, PORRA?! Esse é o nome mais escroto que a Terra pariu! É um nome de super-herói ou ele é uma espécie de Motoboy do céu? Isso é uma PÉSSIMA referência ao Hellboy!
Eu acho complicado falar da arte. Primeiro porque esse tal "estilo mangá" de cu é rola! Tirando os olhos que estão mais esbugalhados e detalhados, o resto continua a mesma merda! Inclusive o cabelo de "dedo" do Cascão.

Porém, quiseram copiar algumas características do mangá, como a arte-finalização feita com películas, as poses (como o paz & amor e a mão na nuca rindo), sem falar da já famosa gotinha mágica que aparece na cabeça dos personagens. Se perguntar a minha opinião, a maioria foi mal utilizada, ficando forçado pra chuchu (quem é que fala "agora posso atender o celular!" fazendo paz & amor, cacete?).
Mesmo assim, eu sempre considerei o traço típico da turminha meio mangá, pois o próprio Maurício sempre disse que se inspirou em Osamu Tezuka na hora de desenhar.
Agora vamos falar da história (CUIDADO COM O SPOILER): Uma pedra lunar irá para o museu da rua do limoeiro, e diz a lenda que uma mulé muito má está aprisionada nela. No museu, o novo Capitão Feio (que até rejuvenesceu) aprisiona o Franja (ex-Franjinha) e o chefe dele. A turma da Mônica (que finalmente vai para a escola) recebe o chamado do amigo e vai até o museu resgatá-lo. A bruxa é solta e aprisiona os quatro protagonistas. Aí, surge os pais da turminha SEGURANDO KATANAS, falando que eles ou os antepassados deles (não entendi essa parte) foram os responsáveis pelo aprisionamento da vilã japonesa na época medieval, graças aos quatro elementos mágicos (ou cósmicos, ou sei lá). E agora eram seus filhos que viajariam por quatro mundos paralelos atrás dessas pencas, com ajuda de AVATARES MÁGICOS QUE CUIDAM DE CADA GERAÇÃO DAS FAMÍLIAS! A turminha topa e os pais tem os espíritos aprisionados na katana (só não entendi o porquê disso!). Mônica faz um discurso piegas (isso a própria vilã disse), eles vão para o primeiro mundo e.... Continua no próximo episódio.
Achou tosca? Mal contada? Clichê? Absurda? Sem sentido? Ridícula? Pois é, qualquer um com bom senso também achou isso. Quando eles eram crianças e essas aventuras não passavam de SÁTIRAS ou HOMENAGENS de aventuras conhecidos, era muito legal! Mas aí é que está, de novo, o meu argumento: se eles querem ser levados a sério, como vão conseguir com uma história como essa, se nem os personagens a levavam? A equipe de roteiristas deveria ter pensado MENOS em elementos japoneses e MAIS em como elaborar uma história! Até as aventuras de RPG do Change em que sempre vamos para uma arena enfrentar um gigante é melhor que isso.

Se bem que nem as histórias tradicionais da Turma andam grande coisa já faz um bom tempo. Talvez a equipe precise de sangue novo ou de alguém que consiga se comunicar com essa nova faixa etária!
Depois de tudo isso, vou falar do MAIOR problema dessa edição: ela não conta nada! Quem procurou ação e aventura, não achou! Quem procurou romance entre os personagens crescidos, também não achou! Quem procurou comédia, viu uma piadinha aqui e outra ali, mas nada demais!
Mesmo assim, eu lhes digo que vou comprar as próximas edições! Por que sou louco? Por que não tenho mais o que fazer com meu dinheiro? Por que sou um tremendo babaca? Sim, por causa de tudo isso, mas também porque como esse é um gibi começando do zero que ainda tem muito para ser lapidado editorialmente. Nas próximas edições, nós podemos ver uma mudança total de estilo, de história, e até, quem sabe, de arte. Tudo depende do que vai fazer sucesso ou não. Só espero que essas mudanças não demorem, pois esse não foi um gibi para adolescentes, e sim para crianças que imaginam como é a adolescência.
(abrindo parêntese)
Relendo esse meu texto antes de ir ao ar percebi que apesar de escrever MUITO (como sempre), eu não dei nenhuma qualidade boa da HQ. Pois bem, depois vocês reclamam (com razão) que eu só sei reclamar, mas a verdade que esse gibi não tem nada digno de nota. Quando eles se apegavam as raízes dizendo porque estavam tão diferentes, ficava chato e repetitivo, mas quando tentavam finalmente partir para esse novo rumo... Beivava o ridículo (como essa aventura non-sense e quando a Mônica intimida o Cebolinha que ele estava secando os peitos dela).
Mas é como eu escrevi, é só a primeira edição! Eu acho que esse tipo de projeto pode render ótimas histórias!
(fechando parêntese)
Nota 1
P.S: Apesar de tudo isso, para mim, a cena mais bizarra foi a Mônica, vestindo um top decotado e minissaia, esmagando o rosto do Cebolinha contra seus seios!

Arte: Helloara Ravani



