Os ecos de Tropa de Elite Tweet

Semana passada, fui ver Era Uma Vez, de Breno Silveira (Dois Filhos de Francisco) e não pude deixar de me decepcionar. Após o brilhante Tropa de Elite, é mais um filme que discute as desigualdades sociais sob uma ótica distorcida do asfalto. Uma ótica decepcionante.
Tropa de Elite não foi uma revolução no cinema brasileiro, embora seja o melhor de 2007. O filme de José Padilha não tornou impossível novos debates cinematográficos sobre a violência urbana e as desigualdades sociais, mas sepultou - ou deveria sepultar - de vez abordagens maniqueístas ou que se resumem a retratar superficialmente o ideal: a-classe-média-tem-medo-e-a-favela-é-que-paga-o-preço.
No resumo do Quinzeminutos.net: Dé (Thiago Martins), morador do Cantagalo, não conhece o pai e perdeu um irmão para o tráfico, blá blá Cidade de Deus rules. Consegue levar uma vida honesta, trabalhando em um quiosque onde vê todos os dias Nina (Vitória Frate), sua grande paixão. Os dois se conhecem e numa vibe Romeu e Julieta vão enfrentar o mundo pelo seu amor e o direito de terem filhos flamenguistas no nordeste. Até porque torcer pro Sport é um saco, né?

O filme tem aqueles velhos defeitos dos piores filmes brasileiros: cenas ruins que pra convencer jogam uma música mais alta, roteiros com péssimos diálogos e uma direção que parece ser mais pra novela do que cinema. Mas o pior do filme está no roteiro e não falo nos diálogos.
Era Uma Vez não se decide como crítica social ou releitura de Romeu & Julieta. Acaba esbarrando em suas próprias pretensões. O filme não traz nenhuma novidade sobre a violência urbana exceto por seus equívocos: o pai que "de repente" descobre a violência na favela (assim como a filha), o líder de tráfico que cai, mas vive para voltar uns 10 anos depois, fora a idéia "genial" do casal para escapar da última armadilha do filme. A cabine em que fui teve gargalhadas inevitáveis e constrangedoras. Para a produção.
Talvez por isso mesmo, o filme seja previsível. Salvam-se as atuações, mas o conjunto se perde. Muitos diziam que Tropa era um filme de direita, mas é Era Uma Vez que é totalmente reacionário e hipócrita. Fala da violência como um elemento de corrupção, mas não mostra quem está na outra ponta do estado paralelo. Quer falar da favela, mas parece nem saber como é a Vieira Souto.
Depois do Capitão Nascimento, a gente esperava que a favela fosse menos glamourizada e o asfalto menos amaldiçoado. Tem gente boa e ruim em qualquer lugar. A diferença é que parece que ainda tem gente no Leblon de Manoel Carlos que ainda não entendeu o que a favela e a violência significam. Seria legal se tentassem trazer algo diferente ou, no mínimo, assistissem os filmes do genial Nelson Pereira dos Santos.
Bugman evoluiu



