Melhores do Mundo

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Jul 19

Das antigas: O homem que ri

Postado originalmente 14.07.08

O grande vilão de Batman: o cavaleiro das trevas, como sabemos, é o bobo, o palhaço, o Jóker, o Coringa. Beleza, mas como nasceu o personagem? Bem, reza a lenda que Bob Kane, Bill Finger [os criadores do Batman] e Jerry Robinson criaram o palhaço do crime inspirado em outro palhaço criado originalmente por Victor Hugo para a literatura e interpretado por Conrad Veidt no cinema no filme O homem que ri.

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Toda vez que ia à locadora, logo ao entrar, me deparava com uma figura estranha e que sorri com todos os dentes na capa de um DVD. Sabia que se tratava do filme que possivelmente teria inspirado a criação do Coringa, por isso decidi que alugaria quando o novo filme do Batman estivesse pronto pro lançamento. Então, estamos aqui.

O filme foi produzido por Carl Laemmle que convidou o diretor alemão Paul Leni para dirigir o filme nos estúdios da Universal.

Laemmle levou ao cinema americano sua experiência em filmes expressionistas e deu ao drama de Victor Hugo um ar assustador com cenários enormes que recriaram Londres XVII e muita sombra.

O filme começa com o assassinato do Lorde Clancharlie em uma Dama de Ferro [espécie de sarcófago com espinhos] a mando do Rei, antes, porém, Clancharlie descobre que seu filho, Gwynplaine, fora vendido pelo Rei a um grupo de ciganos conhecidos como Comprachicos que desfigurava crianças para se tornarem aberrações de circo. A operação feita pelos Comprachicos em Gwynplaine deu ao garoto um eterno sorriso.

Abandonado pelos ciganos, Gwynplaine passa a vagar por uma Inglaterra congelada e cercada por mortos. Andando entre postes com corpos enforcados, o garoto encontra uma mulher congelada com um bebê ainda vivo no colo. Trata-se de Dea, uma linda menina cega que no futuro será o grande amor do homem que ri.

O tempo passa e Gwynplaine e Dea, sob os cuidados do filósofo Ursos, tornam-se estrelas circenses.

O destino que sempre fora cruel com Gwynplaine apronta mais uma quando coloca em seu caminho a duquesa Josiana, que vive com as riquezas Lorde Clancharlie, pai de Gwynplaine. Josiana é noiva de um dos filhos da Rainha, mas não consegue conter seus impulsos sexuais e deleita-se com o povão no parque onde a principal atração é o espetáculo O homem que ri. Ao assistir ao show do palhaço com o sorriso eterno, Josiana sente-se atraída por ele, acreditando até mesmo estar apaixonada.

Podemos dizer que Gwynplaine é o arquétipo clássico do palhaço. É um homem dotado da capacidade de fazerem os outros rirem, mas não é feliz. Apaixonado por Dea, ele vive sob a dúvida se é merecedor de seu amor, pois acredita que ela riria dele se pudesse ver seu rosto. Quando ele descobre que Josiana sente-se atraída por ele, resolve visitá-la para saber se uma mulher pode amá-lo, mesmo sendo uma aberração. Descobre, no entanto, que Josiana tinha apenas uma atração bizarra por ele e o repele quando descobre que a Rainha deseja que ela se case com o Palhaço.

Enquanto Ursus e Dea são expulsos da Inglaterra, Gwynplaine é então preso e levado para a Casa dos Lordes para receber o título que foi de seu pai e desposar Josiana a mando da Rainha, porém recusa-se, colocando-se contra a vontade da Rainha. É então ordenada a prisão de Gwynplaine que foge para encontrar sua amada. A perseguição é digna dos filmes expressionistas com lanças ao alto e fuga em telhados.

Apesar as imagens assustadoras e do olhar apavorante do ator Conrad Veidt, O homem que ri é um romance sobre um homem de alma torturada por sua deformação. Um excelente filme.

The man who laughs [nome original do filme] foi produzido em 1928 e lançado em 4 de novembro do mesmo ano. Mais informações sobre o filme no IMDB.


Falecido Ultra Email • 13:00:22 • Cinema, Das Antigas, DCPermalink 54 comentários
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