Batman: o cavaleiro de Gotham Tweet

Talvez a animação Batman: cavaleiro de Gotham seja tão esperado quanto o filme. Acredito que sim, como também acredito que muitos não vão achar o DVD com seis histórias do Batman o último biscoito do pacote.
Sem sombra de dúvida trata-se de um excelente trabalho. Diverte, insere elementos importantes ao filme exatamente como foi feito em Animatrix e impressiona em alguns momentos, mas a primeira história, logo a que eu mais esperava, deixa a desejar e joga um balde de água fria em quem tá muito empolgado.
Bem, vou ser mais claro. A primeira história, Have I Got a Story For You, escrito por Josh Olson e dirigido por Shoujirou Nishimi [de Tekkonkinkreet], narra a história de três crianças e suas versões distintas do Batman. É uma história foda, sem dúvida, mas é exatamente igual ao episódio Legends of the Dark Knight da série animada The New Batman Adventures, escrita por Robert Goodman. É claro, a semelhança da história está na essência e não nos detalhes. Veja bem. A história de John Olson e a de Robert Goodman apresentam três crianças que contam histórias sobre o Batman de acordo com a percepção delas, mas os contextos são outros.
Em Have I Got a Story For You, estamos inseridos no universo construído por Christopher Nolan e a história torna-se fundamental para entendermos que o povo de Gotham City ainda tem uma visão deformada do herói, vendo-o ainda como uma lenda ou mito urbano. Já a história da série animada televisiva faz uma homenagem a momentos clássicos dos quadrinhos, como a elogiada Batman: the dark knight returns. Obviamente, trata-se de uma história foda, mas a lembrança do episódio Legends of the Dark Knight tirou um pouco do tesão.
Assista agora um trecho fodão de Legends of the Dark Knight:
A segunda história, de Greg Rucka e Futoshi Higashide, apresenta a nova equipe para crimes especiais do comandada pelo Tenente Gordon [composta pelos detetives Crispus Allen e Ana Ramirez] e dois dos principais mafiosos de Gotham, o Russo e Sal Marone, além de um importante satélite, o Wayne-Com 7 [mais pra frente veremos sua real utilidade].
Na história descobrimos que nem todos os detetives da força tarefa de Gordon apóiam a relação entre o departamento e o Batman, enquanto outros defendem a situação pois acreditam que o morcego contribuiu para a melhora da cidade. Ao mesmo os principais bandidos da cidade também discordam sobre métodos e principalmente, território. O resultado é uma guerra desenfreada entre os bandidos.
Outro ponto relevante neste episódio é descobrir que o Narrows, a imensa ilha-favela atacada pelo Espantalho em Batman Begins, tornou-se um imenso sanatório, cujo edifício central é o Asilo Arkhan.

O terceiro episódio também insere muitos elementos ao universo cinematográfico do herói, mas, dessa vez, trata-se de elementos tecnológicos. Isso mesmo, Field Test, de Jordan Goldberg e Hiroshi Morioka, é o episódio geek.
Neste episódio temos praticamente a mesma cena exibida em Batman Begins quando Bruce Wayne pede novos brinquedos para Lucius Fox, desta vez, no entanto, tratam-se de traquitanas ainda mais divertidas... se é que podemos chamar um satélite em órbita que tira fotografias perfeitas e em detalhes de barcos, por exemplo, de traquitana.
[Opa, lembra de um satélite enviado ao espaço no episódio anterior? Ele ainda vai ser citado em mais um episódio do DVD, dessa vez em ação. Mais tarde vemos isso.]
A história é basicamente uma conversa geek entre Fox e Wayne, até que a ação começa e nos deparamos com mais um elemento importante para entendermos o universo que vamos encontrar no próximo filme do morcego. Batman, que a guerra entre criminosos é prejudicial à cidade, coloca os mafiosos Russo e Marone frente-a-frente e divide a cidade entre os dois até ter evidências que facilite a prisão deles. E vamos montando o quebra-cabeça.

Em In Darkness Dwells, de David Goyer e Yasuhiro Aoki, uma série de assassinatos aciona o esquadrão especial do Tenente James Gordon e Batman. Nos esgotos, Batman se depara com um dos muitos fugitivos ainda não capturados do Asilo Arkhan [opa, mais uma peça do quebra-cabeça] conhecido como Killer Croc ou o Crocodilo.
Para resumir a história do vilão, trata-se de um sujeito com uma doença de pele, alucinado pelas experiências realizada no Arkhan pelo Espantalho e com dentes propositalmente afiados [manja aqueles caras que afiam os dentes e fazem tatuagens para ficarem parecidos com animais?].
O problema é que o Crocodilo não é o único fugitivo do Arkhan nos esgotos. O Espantalho também está por lá e montando um exército de indigentes fugitivos do Asilo.
Para encurtar a história, Dr. Crane e os indigentes são os tais assassinos procurados por Batman e pela polícia e o morcego os encontra exatamente quando eles pretendem assassinar um religioso que trabalha ajudando pessoas necessitadas em Gotham City.
Curiosamente esse é episódio é o que tem mais frases feitas por minuto [tem coisas como "eu convivo com a dor"]. Também, não podia esperar menos de uma história escrita pelo David Goyer.

O objetivo claro do episódio Working Through Pain, de Brian Azzarello e Toshiyuki Kubooka, é humanizar o personagem e o meio escolhido foi pela dor. O episódio fala exatamente da relação de Bruce Wayne/Batman com a dor, tanto a emocional quanto a física. Essa é a única história que apresenta elementos ligados a transformação de Bruce em Batman em sua viagem pelo oriente. No episódio, o jovem Bruce Wayne resolve treinar com faquires na Índia. Recusado, o Bruce procura a ajuda de uma ex-aprendiz e renegada Cassandra.
Azzarello, que não esconde de ninguém que não gosta de histórias de super-heróis, ignora os elementos básicos do meio e apenas fala sobre a busca pela perfeição física de Batman, quando o herói deveria estar buscando o equilíbrio entre o corpo e a alma. Talvez seja a história mais interessante, resta saber se esse conflito será devidamente abordado no filme ou ignorado.

Por fim, temos o episódio Deadshot, de Alan Burnett e Jong-Sik Nam, temos, obviamente, o vilão Pistoleiro como convidado especial e responsável por inúmeros assassinatos como o do prefeito de Gotham. Contratado para eliminar Gordon, o vilão bate de frente com o Batman e o confronto é inevitável.
É nessa história que o satélite volta a aparecer, mas dessa vez em ação. O satélite, a grosso modo, funciona como um Google Earth ao vivo, permitindo que o Batman tenha visão total da área em que está atuando.

As animações são muito interessantes. Se você é fã de boas histórias de super-heróis e principalmente do Batman, vale tê-lo em sua coleção. Nota: 8,7.
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