Kung Fu Panda Tweet

É até covardia falar de outra animação depois de ver WALL•E, mas o novo desenho animado da DreamWorks não fez feio e se revelou muito divertido.
Quando a DreamWorks lançou Shrek, em 2001, o objetivo era marcar a própria imagem de inovação em 3D, o desejo de ser uma anti-Disney. O alvo da gozação era bem claro: os desenhos animados da rival, principalmente os contos de fada. O sucesso do humor pop do ogro deu início a uma avalanche de animações moderninhas que fugiam dos estereótipos de filmes de gênero. É curioso que sete anos depois a maior aposta do estúdio seja justamente um filme de gênero com animais antropomórficos bem ao estilo Disney. E é surpreendente que o resultado seja muito melhor que as produções dos últimos anos da casa do Mickey.

Kung Fu Panda conta a história de Po (interpretado pelo fanfarrão Jack Black), um panda desastrado e comilão que ajuda a tocar o restaurante da família na China antiga, mas sonha ser um grande lutador de kung fu, como os que vivem no templo no topo do vale onde mora. Por obra do acaso ou do destino, Po recebe a chance de realizar seu sonho, mas para isso terá que enfrentar uma grande ameaça.
Esse enredo típico de herói improvável pode render tanto boas comédias quanto grandes épicos. Kung Fu Panda tenta se equilibrar entre os dois e faz isso muito bem. O segredo é concentrar o humor no protagonista, levando a sério o mundo ao redor e a luta entre o bem e o mal.

Para compensar o humor do panda, o filme conta com o sério mestre Shifu (Dustin Hoffman) e seus discípulos, os Cinco Furiosos (cada um representando um estilo de luta oriental): Tigresa (Angelina Jolie), Macaco (Jackie Chan), Víbora (Lucy Liu), Louva-Deus (Seth Rogen) e Garça (David Cross). Completando o elenco principal estão o ancião zen Oogway (Randall Duk Kim, o Chaveiro de Matrix Reloaded), o ganso pai de Po (James "Lo Pan" Hong), o guarda da prisão Vachir (Michael Clarke Duncan) e o ótimo vilão Tai Lung (Ian McShane).
Apesar do grande número de personagens, o foco principal é a relação da dupla Po e Shifu. Usando a mesma fórmula de MIB - Homens de Preto, juntam um cara engraçado com um cara muito sério, tornando o primeiro ainda mais engraçado. Em Kung Fu Panda, essa relação também serve para intercalar rapidamente a comédia e a aventura de tons épicos.

As cenas de ação são todas bem elaboradas, particularmente a maravilhosa seqüência inicial em 2D imitando o desenho asiático, lembrando os melhores momentos de Samurai Jack. Já nas seqüências de luta, o que mais impressiona é a animação dos golpes, incrivelmente rápidos mas totalmente compreensíveis. Cenas de ação sujas e tremidas podem ser muito "realistas", mas não dão o prazer de acompanhar os movimentos dos personagens. Aqui é tudo muito limpo, e acompanhar as lutas é um dos pontos altos do filme.
Se a seqüência com a fuga de Tai Lung é irretocável, outras deixam a desejar, por serem muito curtas. É o caso da cena do treinamento de Po. Os Cinco Furiosos também mereciam mais espaço para mostrar suas habilidades, mas quem sabe isso não fica para uma futura seqüência (ou "preqüência").

Entre a comédia pastelão e o grande épico, Kung Fu Panda acaba sendo uma ótima aventura, com magníficas cenas de ação e bons momentos de comédia, resultando num filme muito mais interessante que a franquia Shrek e na melhor obra de animação da DreamWorks desde O Príncipe do Egito.
Nota: 8,5
PS: Como vi o filme legendado, não posso avaliar a dublagem de Lucio Mauro Filho como Po e Juliana Paes como Tigresa. Se alguém for ver o filme dublado, fique à vontade para dar sua opinião nos comentários.

PPS: Segundo a Wikipedia, o pica-grossa mestre Shifu é um panda-vermelho, ou seja, um Firefox. Engole essa, Internet Explorer!



