Melhores do Mundo

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Jul 4

Hancock

Hancock se vende como mais um simples filme de ação e, talvez por isso, consiga ser um pouco mais.

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Um Super-Herói desajustado que combate o crime, mas fica bêbado. Prende criminosos destruindo cidades e salva vidas atrapalhando outras. Enfim, o personagem-título vivido por Will Smith é o típico anti-herói que corrige as injustiças do mundo, sem por isso deixar de cometer as suas próprias injustiças.

Tudo vai na mesma até que Hancock conhece Ray Embrey (Jason Bateman), Relações Públicas que acaba de ser demitido após tentar emplacar um projeto de mídia para melhorar a vida de pessoas carentes. Ray percebe em Hancock a oportunidade de mudar o mundo e o herói percebe no RP a oportunidade de encontrar o seu lugar no planeta.

Hancock é o poder sem direção e Embrey representa a esperança e o idealismo. Um dos pontos fortes do filme é unir esses dois símbolos que, se estivessem em um único personagem, seriam um herói clássico da era de ouro. Mas separados Ray e Hancock trazem a tensão necessária ao filme, especialmente, com a mediação de Mary (Charlize Theron).

Elenco e direção (que dá uma dose necessária de exagero nas cenas de ação) ajudam a compensar o roteiro que se vira com uma história pra lá de corrida. Em quase duas horas, Hancock sai da depressão para a prisão e depois para a consagração, descobre sobre o seu passado, briga por ele...Ufa. Apesar disso, Smith, Charlize e Bateman emprestam verossimilhança aos seus papéis sem cair na superficialidade de outros filmes do gênero.

Aliás, esse mesmo defeito é defendido pelos fãs do gênero sob o argumento de "a profundidade é para os europeus" como se não houvesse parâmetros comuns para o bom cinema, em qualquer gênero. Hancock consegue vencer suas próprias limitações.

Talvez o maior mérito do filme seja se vender como um filme meramente comercial e de ação. Hancock não muda a história do cinema, não se omite dos clichês, mas tem uma boa dose de vitalidade e de surpresas ao espectador. Com todas as histórias de super-heróis já contadas em séculos de quadrinhos, ainda é possível se surpreender com uma história quase óbvia de um semideus aprendendo a ser humano com...Os humanos.

Se fôssemos definir o tema do filme, a obviedade seria a de dizer que Hancock é sobre a redenção. Daí, a cena final mostrar o herói em direção ao chão para alçar vôo aos céus. Mas Hancock não é óbvio. Eu prefiro ver a película como uma fábula sobre o idealismo. Em um mundo tão cético, você pode ter todos os bens materiais (ou superpoderes) que o mundo deseja. Mas o que pode mover você e trazer felicidade não está no que você tem, mas no que você acredita. Lembre-se disso toda vez que olhar a lua.

Nota: 8

Bugman curtiu Hancock


Bugman Email • 18:00:09 • Cinema, A Gente VimosPermalink 47 comentários
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