Melhores do Mundo

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Jul 3

100 Balas – Parlez Kung Vous 2

Uma edição estranha de 100 Balas. Apesar do nome, ninguém dá um tiro. Devem estar economizando...

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Tem duas coisas que não consigo entender nas edições de 100 Balas da Pixel. Uma é a confusão com a numeração. Na capa desta edição vemos um 2, que indica a segunda parte do arco, mas na verdade essa é a sexta edição, que reúne as edições 14 e 15 originais. A editora resolveu identificar as edições pelo nome dos arcos, o que é mais comum em encadernados. A coisa fica ainda mais confusa quando saem os encalhernados, pois reaproveitar o mesmo nome poderia gerar ainda mais confusão. Aí a primeira edição tem o nome "100 Balas – Atire Primeiro, Pergunte Depois" e o primeiro encadernado foi nomeado "100 Balas – Atire Primeiro..."; títulos completamente diferentes, como vocês podem notar.

Outra coisa que não entendo é a razão de adaptarem os títulos das histórias e ainda assim colocar uma explicação para o significado do título original, já que o usual é optar por uma das abordagens exatamente para evitar a outra. Assim, "Kingdom Come" virou "O Reino do Amanhã" para não ter que explicar todos os sentidos do título original. Ao contrário, Watchmen manteve o nome original e, obrigatoriamente, ganhou uma explicação editorial para os diversos significados do título. Já em 100 Balas, a editora opta por uma adaptação muitas vezes infeliz (como neste "Acertando as Contas com Papai", ARGH!), mas coloca um asterisco desnecessário para a explicação do título original que não foi utilizado. Se resolveu colocar a explicação, poderia ter nos poupado da adaptação. Das duas, uma, Medauar!

Nesta edição temos o final do arco que dá nome à revista e o início de um arco vencedor do Prêmio Eisner. Na primeira história, acompanhamos o final da conversa entre Dizzy Cordova e o Sr. Branch em Paris. Não há muita ação aqui. O curioso personagem Sr. Branch sai como chegou, sem revelar muito de si. Há uma participação interessante do "reativado" Cole Burns, bem como de Lono e do Sr. Shepherd em flashback. E ficamos sabendo que está ocorrendo uma conspiração dentro da grande conspiração da série.

Mais uma vez, Dizzy se encontra numa posição de ignorância dos acontecimentos como o leitor e vamos descobrindo os fatos junto com ela. A situação da personagem lembra um pouco a Renee Montoya do início de 52: uma pessoa que percebe estar no meio de algo grande, mas que está tão perdida que não sabe nem mesmo quais perguntas fazer. Nada melhor que a imagem final da história, com uma confusa Dizzy entre duas fileiras de canhões, para demonstrar que a personagem está no meio de um conflito entre forças muito maiores que ela.

De Paris vamos para a Filadélfia, nos Eua, onde o Agente Graves oferece a maleta com 100 balas não-rastreáveis para Louis "Loop" Hughes, um jovem sem perspectivas para o futuro. Dentro da maleta, Loop encontra informações sobre o pai que o abandonou na infância, o cobrador da máfia Curtis Hughes. O mais interessante aqui é como o roteirista Brian Azzarello (através de Graves) zomba do discurso que atribui a violência à falta da figura paterna. É pior um jovem ser criado sem um pai por perto ou ter um pai que pode ser uma grande influência negativa?

A revista traz ainda as capas originais de Dave Johnson, uma página de rascunhos de Eduardo Risso, aquele editorial de sempre e o checklist da editora.

Nota: 7,5

(100 Bullets #14-15)
Formato americano, papel LWC, 52 páginas, R$ 7,90, distribuição nacional e comic shops, aconselhável para leitores adultos, editora Pixel.


Nerd Reverso Email • 14:00:08 • Quadrinhos, A gente lemos, DCPermalink 16 comentários
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