100 Balas – Parlez Kung Vous 2 Tweet

Uma edição estranha de 100 Balas. Apesar do nome, ninguém dá um tiro. Devem estar economizando...
Tem duas coisas que não consigo entender nas edições de 100 Balas da Pixel. Uma é a confusão com a numeração. Na capa desta edição vemos um 2, que indica a segunda parte do arco, mas na verdade essa é a sexta edição, que reúne as edições 14 e 15 originais. A editora resolveu identificar as edições pelo nome dos arcos, o que é mais comum em encadernados. A coisa fica ainda mais confusa quando saem os encalhernados, pois reaproveitar o mesmo nome poderia gerar ainda mais confusão. Aí a primeira edição tem o nome "100 Balas – Atire Primeiro, Pergunte Depois" e o primeiro encadernado foi nomeado "100 Balas – Atire Primeiro..."; títulos completamente diferentes, como vocês podem notar.
Outra coisa que não entendo é a razão de adaptarem os títulos das histórias e ainda assim colocar uma explicação para o significado do título original, já que o usual é optar por uma das abordagens exatamente para evitar a outra. Assim, "Kingdom Come" virou "O Reino do Amanhã" para não ter que explicar todos os sentidos do título original. Ao contrário, Watchmen manteve o nome original e, obrigatoriamente, ganhou uma explicação editorial para os diversos significados do título. Já em 100 Balas, a editora opta por uma adaptação muitas vezes infeliz (como neste "Acertando as Contas com Papai", ARGH!), mas coloca um asterisco desnecessário para a explicação do título original que não foi utilizado. Se resolveu colocar a explicação, poderia ter nos poupado da adaptação. Das duas, uma, Medauar!
Nesta edição temos o final do arco que dá nome à revista e o início de um arco vencedor do Prêmio Eisner. Na primeira história, acompanhamos o final da conversa entre Dizzy Cordova e o Sr. Branch em Paris. Não há muita ação aqui. O curioso personagem Sr. Branch sai como chegou, sem revelar muito de si. Há uma participação interessante do "reativado" Cole Burns, bem como de Lono e do Sr. Shepherd em flashback. E ficamos sabendo que está ocorrendo uma conspiração dentro da grande conspiração da série.
Mais uma vez, Dizzy se encontra numa posição de ignorância dos acontecimentos como o leitor e vamos descobrindo os fatos junto com ela. A situação da personagem lembra um pouco a Renee Montoya do início de 52: uma pessoa que percebe estar no meio de algo grande, mas que está tão perdida que não sabe nem mesmo quais perguntas fazer. Nada melhor que a imagem final da história, com uma confusa Dizzy entre duas fileiras de canhões, para demonstrar que a personagem está no meio de um conflito entre forças muito maiores que ela.

De Paris vamos para a Filadélfia, nos Eua, onde o Agente Graves oferece a maleta com 100 balas não-rastreáveis para Louis "Loop" Hughes, um jovem sem perspectivas para o futuro. Dentro da maleta, Loop encontra informações sobre o pai que o abandonou na infância, o cobrador da máfia Curtis Hughes. O mais interessante aqui é como o roteirista Brian Azzarello (através de Graves) zomba do discurso que atribui a violência à falta da figura paterna. É pior um jovem ser criado sem um pai por perto ou ter um pai que pode ser uma grande influência negativa?
A revista traz ainda as capas originais de Dave Johnson, uma página de rascunhos de Eduardo Risso, aquele editorial de sempre e o checklist da editora.
Nota: 7,5
(100 Bullets #14-15)
Formato americano, papel LWC, 52 páginas, R$ 7,90, distribuição nacional e comic shops, aconselhável para leitores adultos, editora Pixel.



