WALL•E

Uma história de amor entre não-humanos, um filme com poucos diálogos, um alerta ecológico. É melhor deixar as crianças em casa e levar a namorada pra ver a nova animação da Pixar.
WALL•E conta a história do robozinho homônimo (na verdade, uma sigla para "Waste Allocation Load Lifter Earth-Class", algo como "Tira-lixo classe Terra"), que continua a executar sua missão (ou "diretriz") 700 anos depois que os humanos deixaram a Terra. Durante esse tempo, o robô acabou desenvolvendo uma personalidade própria e um interesse por objetos e hábitos dos seres humanos, especialmente o romance. Quando a robozinha EVA (ou EVE, no original) chega ao nosso planeta, WALL•E fica imediatamente apaixonado. Quando chega o momento em que EVA deve partir, o pequeno catador de lixo não vê outra escolha além de ir atrás dela, sem saber que nesse relacionamento pode estar a chave para a salvação da Terra.

Desde que as primeiras notícias e trailers sobre WALL•E saíram, era evidente que este seria o filme mais ousado da Pixar/Disney. Um protagonista robô que praticamente não fala, um longa "quase sem vozes humanas" (o que não se confirmou; há diversas falas ao longo do filme, embora muito menos do que em qualquer animação de longa-metragem comercial), uma obra mais "reflexiva" do que a maioria dos produtos voltados para o público "família". Era uma aposta arriscada, mas fico feliz por ter sido feita. WALL•E é uma das melhores animações da Pixar até hoje.
Escrito e dirigido por Andrew Stanton (de Procurando Nemo), WALL•E apresenta a mesma sensibilidade do filme do peixe-palhaço perdido, mas sem as piadinhas verbais para agradar a criançada. Agora predominam as gags visuais, o humor físico. O interessante é que muitas vezes o gestual utilizado é tipicamente adulto, o que, junto com a história de amor que percorre toda a trama, pode tornar a animação pouco divertida para as crianças. Elas certamente vão entender os acontecimentos da trama, que é muito simples, mas dificilmente vão pegar as nuances da interpretação dos robôs (muito menos as referências óbvias para qualquer nerd mais velho, como Pong).
Além da magnífica animação da Pixar, o grande responsável por dar vida aos robôs (em mais de um sentido) é o fenomenal Ben Burtt, o designer de som responsável pelos efeitos sonoros dos filmes da franquia Star Wars. O sujeito é simplesmente o criador do som do sabre de luz! Em WALL•E, ele criou o som de todos os robôs e naves, além de dublar o personagem-título (nas cópias com som original).

O pequeno protagonista robótico foi alvo de inúmeras comparações, desde o E.T. de Spielberg até o Johnny 5 de Short Circuit – O Incrível Robô. Em termos de personalidade, o autômato da Pixar é mesmo muito semelhante ao Johnny 5, com hábitos e trejeitos extremamente humanos. Tão humano que até uma mascote ele tem, uma simpática baratinha estilizada (sabiamente evitaram a nojeira realística de Joe e as Baratas).
Já a robozinha EVA é um tipo de "iPod geração 700". Ela faz de tudo, de voar em velocidade supersônica até atirar com um canhão laser. Assim como WALL•E, ela apresenta uma psiquê próxima do ser humano, enquanto que os outros robôs mostrados têm apenas algum traço de personalidade, geralmente usado para provocar humor.
O que mais impressiona no longa é a abordagem minimalista do romance, reduzido aos seus elementos básicos (abrindo mão até da necessidade de um homem e uma mulher) e a incrível reconstrução da clássica jornada do herói. O pequeno WALL•E passa de solitário apaixonado a herói relutante sem perceber (é sensacional a cena em que a canção de um velho musical de Barbra Streisand vira uma espécie de hino revolucionário), até que acaba abraçando de forma emocionante a condição de salvador da humanidade.
Outra inovação é o uso de filme com atores reais misturado à animação. É curioso notar que o live-action é sempre de imagens do passado, uma indicação de que o estúdio acha que essa técnica está datada, quem sabe?

Aproveitando o momento atual, a Pixar esperta e apropriadamente levanta uma bandeira ecológica neste filme. Além de diminuir rapidamente os recursos naturais do planeta, o consumismo tem outra conseqüência muito grave: o aumento da produção de lixo. Com a quantidade de detritos atingindo níveis insuportáveis para a vida, os humanos tiveram que partir para o espaço e deixar robôs cuidando da limpeza, o que inicia a trama. A fixação ecológica fica ainda mais evidente com o uso de uma pequena planta como MacGuffin. Nada mais simbólico do que toda a esperança de salvação do planeta concentrada em uma única plantinha.
A retratação dos humanos é um aspecto fascinante de WALL•E. Mesmo no espaço, a humanidade continua consumista, talvez até mais do que antes, mas o lixo deixa de ser um problema visível, pois ele é simplesmente jogado no espaço. Com 700 anos de mordomia (já que os robôs fazem todo o trabalho) e seguindo as palavras de ordem do consumo (comer, beber, comprar, gastar), os humanos se tornaram seres redondos como porcos, cuja mobilidade é garantida apenas por suas cadeiras flutuantes.
Entretanto, a visão da Pixar em relação aos humanos é benevolente (talvez para estimular o público em relação à causa ambiental). Não há egoísmo entre eles; não é mostrado nenhum humano que prefira o conforto consumista ao risco de um novo modo de vida. Os seres humanos são mostrados apenas como ingênuos que caíram na lorota marqueteira do consumismo. Quando têm a chance, eles apresentam valores como solidariedade, compaixão, coragem e não pensam duas vezes antes de aceitar trabalhar duro por um futuro melhor. A coisa mais próxima de um vilão que o longa tem é o equivocado piloto automático (Auto, com voz do ótimo Guilherme Briggs nas cópias dubladas) da nave Axiom, uma óbvia referência ao HAL de 2001: Uma Odisséia no Espaço.
Além do Briggs, a dublagem feita pelo estúdio Delarte conta ainda com as atuações de Cláudio Galvan (WALL•E), Sylvia Salustti (EVA), Reginaldo Primo (Comandante) e Carlos "Seu Madruga" Seidl (CEO da BnL, a megacorporação que dominou o planeta). Como o filme tem poucos diálogos e a dublagem está muito boa, podem ir sem medo e aproveitar pra curtir as belas imagens sem letrinhas.

Não se deixem enganar pelo assunto sério que permeia a trama. Tudo é tratado de forma leve e divertida, com muita ação e inúmeros momentos de humor (daqueles de dar gargalhada no cinema). E aconselho que fiquem para ver os belíssimos créditos, mostrando a recriação da história humana após o êxodo através de uma homenagem aos estilos de arte pictórica ao longo da nossa história. E a Pixar ainda faz uma homenagem aos seus próprios antecessores na segunda parte dos créditos, recontando o filme em versão "videogame de 8 bits". Simplesmente genial.
Nota: 10

PS: O curta animado antes do filme é o sensacional Presto, que mostra uma disputa entre um mágico e seu coelho. O ritmo e a qualidade das piadas visuais soam como algo que Chuck Jones faria hoje em dia se estivesse vivo. Imperdível!
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PARABÉNS, PIXAR!
Personagens cativantes, estoria sensivel e aparentemente simples, mas com boas mensagens e conteudo inovador.
Para todas as idades.
E a qualidade de CG da Pixar esta cada vez melhor!
Para não dizer que foi perfeito teve apenas um problema, para variar estão exagerando na quantidade de vídeo de divulgação. A maioria das piadas do filme já tinha sido mostradas, é uma pena!
E antes que eu esqueça, parabéns Nerd Reverso pelo excelente post/review do filme.
O filme é além do comum, do usual.
Recomendo a todos, não deixem de conhecer essa obra-prima que será citada e lembrada por muitos anos.
Excelente filme, excelente. Foi tudo aquilo que eu esperava e muito mais. Gostei demais e recomendo sim a todos. Inclusive aos auto-intitulados "machões" [que vêem o filme escondido, gostam e falam que não gostaram, só pra dá(ui) ou tentar passar uma aparência mais patética ainda do que já tentam/se esforçam demonstrar - que se diga, em vão].
o filme é FODA!
Eu nunca havia chorado assistindo um filme.
Não digo choro pontuais, mas sim, durante grande parte da exibição. E vou comprar o bonequinho do Wall-E que vi numa loja depois.
Nota UM MILHÃO.
disso nós já sabiamos!!!!!!!!
isso sim é algo que mereçe ser visto e indicado.
Parei com as críticas do MDM até vcs aprenderem a escrever sobre algo sem spoilers. =P
Quando eu voltar do cinema a noite conto o que achei.
Comentário de: rbmatos · http://medioradioativa.blogspot.com/
Comentário de: Walis Oliva
Só eu que não tenho saco pra esses longas animados que parecem todos a mesma coisa?!?!?
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sim, Wallis, é só você mesmo...e Cérberus deu uma dentro..huahuhauhuuah!!! eu não teria dito melhor!
Permalink 27.06.08 @ 14:44
Não vou nem comentar seu post rs°°..
Sorte que hoje to deixando meu lado idota de lado rs°..
se nãoo......... rs°°
Abraços
Comentário de: Trevisolli · http://www.multiversohq.com
Você teria chutado a bunda desse merda se não tivesse colocado "modo ironico off".
Permalink 27.06.08 @ 14:39
Ae que está Trevisolli...
Tem gente aqui que não entende ironia..
Iam pensar que eu realmente estava concordando com o rapaz ...
Mas é aquilo..isso foi a minha opinião..
E como todos sabem..
"Opinião é que nem bunda..cada um tem a sua..e a dos outros fede "...
Sou fã dos filmes da pixar (que na minha opinião atingiu seu auge em "Procurando Nemo" )..
E na minha humilde opinião, esse filme tem tudo para se igualar em termos de estória, simplicidade e comoção....
Abraços
E
Só eu que não tenho saco pra esses longas animados que parecem todos a mesma coisa?!?!?
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sim, Wallis, é só você mesmo...e Cérberus deu uma dentro..huahuhauhuuah!!! eu não teria dito melhor!
e olha que já vivi bastante.
Sinceramente esse tipo de coisa já foi usado a muito tempo.
E que coisa tediosa.
Não estpou falando da paz e quietude do longa em si, onde mais o monologo corre solto.
AMs a animação em si é m a merda, o robô emo é uma droga que mais parece ter sido feito usando-se um game cube, que alias a Nintendo está processando a Disney por isso.
E lá va aDisney se safar dizendo que se "baseou" no dito cujo, assim como fez com o Rei Leão.
E o final, nossa que final legal, mas banal não existe.
Tá mais pra paraboa do Primo Rico e Primo Pobre.
Sinceramente, não levaria nem meu cachorro pra assistirum lixo desses.
Levaria nota 2,2 isso pq estou de bom humor.
To louco pra assistir
Comentário de: Walis Oliva
Só eu que não tenho saco pra esses longas animados que parecem todos a mesma coisa?!?!?
Permalink 27.06.08 @ 14:18
Realmente cara..como nenhum de nós percebemos que todas as animações da pixar são iguais ??
PUXA VIDAA..
Uma formiga tentando se livrar da tiranaia dos mais fortes, Um Peixe-coringa a procura do filho desaparecido, mostrando ao público que um pai faz de tudo pra defender e protejer o filho em uma história emocionante e comovente, e um carro que descobre a humildade e a simplicidade da vida depois de conviver com seus amigos caipiras...
realmente, são todos iguai..
inclusive esse do robô solitário catador de lixo de uma terra quase extinta...
Mudei de idéia pesoal..
Não assisitirei mais ao filme,..
Irei ver "Todo mundo em pânico 5"..
Abraços
[mode irônico OFF]
Isso é arte pessoal!!! Vou ver com certeza!!!
Chuck Jones is God!
Vou assistir hoje mesmo, pra não ter ninguém me perguntando "mas vc viu o filme?"
É fofo com certeza.
Dia 13 eu vou no cine com minha amada conferir essa bagaça...
ps: Onde está Wall*e ?
hj mesmo ja vou com minha mulher ver..PIXAR é foda.
ele eh MUITO mais velho q ela!! Eva eh soh uma menninha inocente nas garras metálicas de um velho pervertido cm delírios de romances impossiveis...
(eh.. eu to cm raiva pq minha namorada tem um ex velhote)
Eu ADORO os episodios de Tom & Jerry do Chuck Jones !!
http://forum.fighters.com.br/index.php?showtopic=15660&view=findpost&p=263541
E se der, sobre isso tb:
http://forum.fighters.com.br/index.php?showtopic=15661&view=findpost&p=263548
Como certeza vai ser UM DOS filmes do ano, até mesmo pq TDK vem aí e PODE CHORAR MARVELETE hasuahsauhsa (Sei que o comentário é sobre WALL-E, mas não deu para resististir).
Acho que vou na segunda ver essa bagaça em algum horário perto do almoço pra evitar uma sla cheia de crianças remelentas e chatas.
O que eu acho legal no pessoal da Pixar é a forma como eles trabalham: como os mesmos já disseram em inúmeras entrevistas, o segredo deles para produzir tantos filmes bons é se concentrar não em fazer um filme que venda bem, mas sim em fazer um filme que eles desejariam ver no cinema. Em outras palavras, exigir de si mesmo a mesma qualidade que eles exigiriam de um filme que eles pagam pra assistir no cinema.
fui ler o post antes e nem vi que não tinha coments.
Acabei ficando em 8º.
shit
Mais um Oscar fácil para a Pixar!!!!
Irei hoje assistir a essa bagaça.


