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Jun 17

O Incrível Hulk, por Bugman

Sem dúvida alguma o Hulk é um personagem sortudo. Teve uma ótima série de TV - ao invés de uma produção constrangedora, como ocorreu com o Aracnídeo - e um filme autoral que não agradou a todos, mas pôs o personagem na mídia depois de décadas. O Incrível Hulk confirma que o Golias Esmeralda é mesmo pé quente quando o assunto são adaptações de HQs.

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A produção dirigida por Louis Leterrier talvez seja o filme definitivo sobre o Hulk. Não pela sua qualidade, mas pelo fato de conseguir não ignorar as diversas encarnações do personagem. A série de TV é citada diversas vezes assim, como o ótimo filme de Ang Lee. Como se isso não bastasse, Edward Norton traz um Bruce Banner muito mais verossímil e parecido com a evolução que o personagem teve no fim dos anos 90.

Em toda crítica procuro sintetizar o filme abordado, mas aqui isso é desnecessário. O argumento de Leterrier não tem absolutamente nada de original, mas acerta ao transformar o que todos conhecem em algo interessante. Especialmente por vermos Banner em uma favela carioca. Aliás, ele só escapou porque não teve um certo alguém em seu encalço.

Leterrier acerta a dose certa entre o drama e a ação, mas inegavelmente O Incrível Hulk é um filme mais superficial e pop do que a história dirigida por Ang Lee. Antes havia a tragédia grega, mas agora existem alguns típicos clichês hollywoodianos.

Erro? Seria se o diretor não fosse honesto com as suas pretensões desde o início do filme. A dúvida é se Norton chegou mais perto da profundidade que queria do que Leterrier da ação que imaginou. Caso raro em que duas opiniões divergentes em um set geraram algo mais positivo do que desavenças inúteis, como ocorreu em outros filmes nerds, como o gratuito A Liga Extraordinária.

O roteiro peca em alguns momentos. A forma como Emil Blonsky (Tim Roth) se transforma em Abominável é, sem dúvida, gratuita e absolutamente inverossímil. Típica forma medíocre de se resolver uma dificuldade que a própria história gerou.

No geral, o maior mérito do roteiro é de pensar no Hulk como o de suas fases mais clássicas nos quadrinhos, criar os conflitos que a série de TV trazia e não descartar completamente o filme de Ang Lee, que teve seus méritos. As eventuais falhas não compremetem o enredo como um todo.

Nenhum dos atores destoa no trabalho. De longe, o melhor é Tim Roth, ator de uma brilhante carreira repleta por muitos filmes pouco conhecidos, como o melancólico A Lenda do Pianista do Mar. Roth interpreta um Blonsky bem diferente do clássico espião russo que conhecemos, mas é uma versão diametralmente oposta de seu inimigo. Se Banner é um amante da ciência para a paz, Emil não vê sentido em tais utopias. É um típico defensor da bomba atômica.

Liv Tyler tem o trabalho menos marcante, dramaticamente falando. Todo mundo sabe que ela está lá para seduzir (literalmente) o público masculino e a inescapável cena de amassos com o Banner possui uma resolução criativa como um dos alívios cômicos do filme. Seu parceiro de cena, Edward Norton, faz um de seus piores trabalhos no cinema, o que ainda é muito melhor do que o desempenho do fraco Eric Bana e nem de longe pode ser considerado uma má atuação.

William Hurt passa quase desapercebido em um fraco general Ross. Ao contrário de outras encarnações, este é um homem que perde sua obsessão por Banner ao primeiro conflito com outro monstro. "Ok, eu cacei você por anos, mas vou deixar você descer e ignorar que isso pode duplicar meus problemas."

Tim Blake Nelson (Samuel Sterns) e Ty Burrell (Dr. Samson) defendem seus papéis com competência, mas o trabalho de Blake é prejudicado pelo maior furo do roteiro. A caliente Débora Nascimento faz uma participação curta, mas expressiva. Será que volta?

Apesar de seus problemas, O Incrível Hulk consegue ser um filme honesto que não engana seu espectador e homenageia um dos grandes heróis da Marvel Comics. O Hulk pode ser encarado como uma força de natureza, assim como os gregos encaravam os fenômenos como deuses. E assim como os deuses gregos, esta é uma força da natureza que chora, se machuca, se alegra e... evolui?

Nota: 8,5

Bugman gostou mais desse filme do que do anterior


Bugman Email • 18:40:56 • Cinema, A Gente VimosPermalink 54 comentários
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