Melhores do Mundo

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Jun 14

O Incrível Hulk, por Hell

Ok, nerds idiotas, burros, acéfalos, intolerantes, sem conteúdo e senso crítico... Assisti ao filme novo do Marvel Studios que prometia ser mais uma ótima iniciativa como o Homem de Ferro, mas antes de tecer meus módicos comentários sobre O Incrível Hulk, vamos a algumas chamada na chincha endereçada a vocês leitores (segue a mesma lista de adjetivos do início do parágrafo).

[Mais:]

Primeiramente, o que move o MdM não é a babação de ovo ou os ataques de pelanca vindos de vocês... O que move o MdM é a amizade de um grupo de cabras que curtem as mesmas coisas (não necessariamente nessa ordem): quadrinhos, cinema, livros, séries, jogos, futebol, cerveja e mulher (hum... talvez um dos MdM não aprecie tanto esse último).

Se o MdM não tivesse nenhum comentário ao invés das centenas que vira e mexe apresenta, lhes digo que NÃO FARIA DIFERENÇA ALGUMA... Não temos compromisso nenhum com leitores, aqui falamos sobre o que temos familiaridade, CULTURA POP e o mais importante, falamos com sinceridade e panca de quem realmente CONSOME os produtos que noticiamos e comentamos...

O MdM não faz acordos comerciais com distribuidoras, não recebe material exclusivo, não mascara a opinião pra manter uma linha (mas se nos oferecerem dinheiro podemos até pensar no caso!). As críticas aqui apresentadas exprimem exatamente o que pensamos, todos temos formação acadêmica em áreas afins com o universo da cultura pop, somos capazes de ver um filme analisando vários aspectos (roteiro, atuação, direção, edição e alguns até sacam de fotografia, iluminação efeitos especiais e outros aspectos técnicos).

Ver reações tão agressivas e patéticas por parte dos leitores, ainda mais quando são pífias e sem nenhum embasamento ou justificativa palatável, só mostra o motivo de ser insignificante a opinião de vocês que assim agem.

Portanto, asnos completos, mulas mancas e baleadas, se têm uma opinião contrária ao que aqui está escrito, discorra sobre ela, justifique o que o leva a discordar, mas se não tem capacidade pra fazer isso, se o seu vocabulário (e capacidade mental) se restringe a "filme massa véio!", "vai tomar no cu ", "vc é indiota, o filme é foda" e, finalmente, a frase que a maioria dos jegues aqui repete:

"Se quer roteiro vai ver filme iraniano" (sendo que nunca viram um filme iraniano, pois se vissem e SOUBESSEM do que estão falando, perceberiam que a maior característica deles é justamente trabalhar muito mais com a sensibilidade do espectador do que a capacidade lógico-dedutiva, desconstruindo elementos cinematográficos ocidentais, entre eles, principalmente, o ROTEIRO... o que eu pessoalmente acho um saco!). Simplesmente não se manifeste, o MdM e os leitores interessados em debates sadios (que a cada dia diminuem mais) agradecem de todo o coração!

Sobre o Hulk...

Filme divertido, não consigo pensar em um aspecto em que ele possa ser comparado com o filme anterior, de Ang Lee, são muito diferentes, tanto em conceitos quanto em abordagem.

Cada qual tem seu mérito, mas estamos aqui pra falar do retorno do verdão às telonas, seu novo filme.

Primeiramente vamos às referências nerds... O filme é um deleite pras pessoas que acompanham o Hulk tanto nas HQs quanto na TV e cinema... A origem recontada do bicho (e reformulada, praticamente jogando na lixeira o filme anterior... apesar do diretor sempre discursar que isso não seria feito) é uma clara alusão à série de TV dos anos setenta.

O cenário muito parecido, os enquadramentos, os cortes de câmera, até mesmo o figurino de Edward Norton em vários momentos do filme lembravam a série de TV... Aliás, o figurino foi o protagonista de uma piadinha acerca do Hulk de 2003, quando Norton "testa" calças roxas por cima do corpo e as descarta fazendo cara de "porra, eu nunca usaria algo assim tão ridículo". Uma alfinetada no filme passado, com certeza.

Além disso, a musiquinha "Lonely Man" que encerrava o seriado está no filme, levemente mixada. Temos ainda uma aparição do falecido Bill Bixby na TV de Norton e um elogio rasgado na figuração de Lou Ferrigno no filme ("Você é O CARA", diz Norton). A tradicional ponta de Stan Lee, piadinhas infames legais (como a tela do Norton Antivírus aparecendo pra Edward Norton) e outras totalmente desnecessárias (como a seqüência do táxi).

Aliás, essa cena do táxi me atentou pra uma característica do filme, o ritmo truncado... As alternâncias de cenas (como a conversa entre Leonard Samson e o General Ross, que parece totalmente perdida no meio do filme, ou Banner e Betty aparecendo no meio de uma cidade segundos depois de acordarem no meio de montanhas rochosas) são mal feitas e por vezes confusas, poderiam ter editado melhor a bagaça.

Há um bom equilíbrio entre o drama e a ação, mas o clima entre cada momento é tão diferente (o lovestory entre Bruce e Betty que é interrompido no campus pela chegada do Exército) que às vezes faz parecer que estávamos assistindo a dois filmes completamente diferentes misturados.

Talvez isso seja fruto da celeuma entre Norton, o diretor e o estúdio, que travaram uma queda de braço pra manter ou retirar cenas pra que o filme não ultrapassasse as habituais 2 horas de um bom e velho blockbuster. Mas isso deixa algumas pontas soltas no decorrer do filme, prejudicando o desenrolar da história.

O roteiro da bagaça segue a mesma linha de Homem de Ferro: nada complicado, simples e direto, mas também não ofende a inteligência do espectador (como Homem-Aranha 3 e os Quartetos Fantásticos). Essa simplicidade, porém, atrapalhou um pouco o desenvolver dos personagens (coisa que não acontece no Homem de Ferro, já que as relações entre os protagonistas já estavam bem definidas). O estranho ódio de Blonsky pelo Hulk é justificado (um guerreiro que almeja o poder dado pra um nerd de merda), mas se desenvolveu muito rápido...

O mesmo se pode dizer da relação entre o Gen. Ross e Emil Blonsky. O cara em poucas horas revela segredos militares a um desconhecido e ainda o coloca no meio da experiência mais importante pro exército americano dos últimos 70 anos!

No final também, a redenção de Ross, aceitando que o Banner seja o salvador da pátria, se deu de uma maneira totalmente rápida e superficial... (Imagino que um cara que ficou anos no encalço da arma suprema de guerra que desgraçou sua vida não iria ceder assim tão rapidamente.) Enfim, pequenos equívocos que não chegam a comprometer a história, mas que poderiam ter sido mais bem desenvolvidos.

Já sobre o elenco, putz, não há do que reclamar... Todos estão em ótima forma. Norton é o habitual ótimo ator de sempre. William Hurt deu uma personalidade pro Gen. Ross, coisa que Sam Elliot não conseguiu no filme passado. Liv Tyler está no seu melhor papel até agora! Tim Roth, com seu olhar insano (idêntico ao do Gen. Thade de Planeta dos Macacos) é assustador, mas quem rouba a cena é Tim Blake Nelson, interpretando um Samuel Sterns (o Líder das HQs), como um completo nerd hiperativo boa praça que se revela na realidade um verdadeiro cientista louco desprovido de ética e bom senso.

A computação gráfica... Confesso que a movimentação do Hulk está muito mais real. Ele obedece mais às leis da física agora (apesar de saltar com seus 500 quilos por sobre edifícios e não desbarrancar o telhado todo!), mas a aparência do Hulk em close ainda deixa muito a desejar, texturas de pele e cabelo muito irreais.

Problemas de anatomia também aparecem (principalmente nos braços do Hulk) e um efeito de pele molhada que faz o Hulk parecer o Colossus com sua pele blindada... Mas há coisas legais, como a tonalidade do Hulk mudando do verde pro cinza durante a tempestade nas montanhas e quando é focado pela luz do helicóptero no final do filme... não sei se foi uma referência nerd intencional, mas ficou bacana.

As cenas de ação são fodásticas, o clima meio de terror da perseguição dentro da fábrica de refrigerante, a luta do verdão com os soldados na universidade, e principalmente, a luta entre os dois monstrengos no final! Só o desfecho dela é meio non sense; quando eu esperava um golpe de misericórdia devastador (tipo o Superman no Darkseid no desenho da Liga), que poria o Abominas pra dormir, eles me vieram com um estrangulamento com uma porra de correntinha que deixou o bichão meio grogue... Pensei comigo mesmo, "por que o Abominas não levantou e matou todo mundo depois que o Hulk foi embora????".

No final, a presença marcante de Robert Downey Jr., interpretando o cínico Tony Stark e sua língua ferina ("Sinto cheiro de cerveja barata e de DERROTA... Ah, Olá Gen. Ross!") deixa a nerdaiada animadíssima, pensando nas possibilidades futuras do cinema da Marvel.

Nota: 7,8

PS: Eu seria capaz de apostar que a tal cena deletada onde aparece o Capitão América era na hora que o Gen. Ross vai pegar o soro do supersoldado na câmara criogênica. Imaginei o Capitas em animação suspensa dentro de um tubo daqueles!


Hell • 04:05:50 • Cinema, Quadrinhos, A Gente Vimos, MarvelPermalink 189 comentários
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