O Incrível Hulk Tweet

Depois do incompreendido filme de Ang Lee, a Marvel decidiu recomeçar a franquia do Hulk. Com anos de sucessos e fracassos a mais no currículo, os produtores decidiram seguir pelo caminho mais seguro, resultando num filme do Verdão parecido com outros derivados de gibis de super-heróis.
Antes de mais, nada, esqueçam o primeiro filme. A origem é recontada (em flashback) com sensíveis (porém fundamentais) mudanças. Bruce Banner virou o Hulk e agora foge do Exército dos Eua enquanto busca uma cura; isso é tudo o que você precisa saber no início do filme.
Como os fãs das antigas devem lembrar, essa é a mesma situação inicial da antiga série de TV do personagem. Isso não é por acaso. Edward Norton quis interpretar o homem que vira monstro por causa da série estrelada pelo falecido Bill Bixby (que aparece no filme!). De certa forma, O Incrível Hulk é uma releitura contemporânea da telessérie. Até Lou Ferrigno foi trazido de volta como Hulk (ele faz a voz do monstrão de CG), além da tradicional participação como "armário".

Completam o elenco principal o ótimo William Hurt, também fã do personagem, na pele do General Ross, a belíssima Liv Tyler como Betty Ross e Tim Roth como Emil Blonsky/Abominável. Outros nomes familiares para os leitores do gibi pipocam durante o filme: Mr. Green e Mr. Blue, da fase de Bruce Jones; um certo psiquiatra chamado Leonard; e o doutor Samuel Sterns.

O roteiro simples e eficiente de Zak Penn faz a narrativa de 114 minutos correr sem maiores problemas. O problema é que os filmes da Marvel parecem ter sido enquadrados em uma fórmula considerada bem-sucedida e agora são todos muito parecidos. A direção um tanto burocrática de Louis Leterrier ajuda a reforçar essa impressão. Apesar de toda a ação, não há um momento de grandeza visual como a cena do filme de Ang Lee em que Banner e Betty se abraçam ajoelhados cercados pelo Exército.
Parece que o modelo de Quarteto Fantástico (a trama guiada pela ação com uma piadinha aqui e ali para descontrair) foi escolhido como melhor opção para filmes de super-herói, sem tentativas de inovações, mas também sem riscos de rejeição. A Marvel se especializou em fazer ótimos filmes medíocres.
Mas não se preocupem, O Incrível Hulk é divertido. Tem todas aquelas cenas de pancadaria e destruição que a fanboyzada adora, com direito a "Hulk esmaga!", carros arremessados no ar e inúmeras explosões. A transformação de Blonsky por etapas lembra o clássico Altered Beast, e seu segundo encontro com o Hulk dá uma boa idéia do que poderia ser um futuro confronto entre o Verdão e o Aranha. De quebra, já engatilharam um novo vilão para a seqüência.

O grande mérito da "fórmula Marvel" é que a ambientação similar torna possível a junção dos universos diegéticos (os "mundos dos filmes"), algo quase impossível em mundos contraditórios como os de Superman Returns e Batman Begins. E como vocês já sabem, O Incrível Hulk apresenta conexões diretas com Homem de Ferro, preparando o terreno para o vindouro filme dos Vingadores.
Nota: 7,5
Um último (e importante) detalhe. Apesar de não ter tanta "substância" quanto a maravilhosa Jennifer Connelly, Liv Tyler é uma das mulheres mais belas do cinema atual e só a garantia de vê-la na tela grande já é um bom motivo para assistir a um filme, nerd ou não.




