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Jun 11

Hulk – O DVD

Aproveitando o embalo do novo filme, vamos falar um pouco da edição especial do filme de 2003, com dois discos recheados de extras.

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O Filme

Depois da má recepção do público aos filmes do Homem-Morcego feitos por aquele que não devemos mencionar, os grandes estúdios ficaram receosos em realizar novas adaptações de grandes franquias dos quadrinhos. Coube à New Line arriscar uma nova abordagem com Blade, um personagem obscuro da Marvel Comics. Saem as fantasias espalhafatosas, entra em cena o couro estiloso. Mesmo não sendo um grande filme, Blade abriu um novo caminho para as HQs no cinema.

A partir daí, diretores de renome resolveram encarar o desafio de adaptar super-heróis para as telas trazendo algo de novo além da abordagem batida do gibi e do pipocão de ação de Hollywood. Bryan Singer (X-Men) e Sam Raimi (Homem-Aranha) conseguiram fazer filmes de super-heróis com características únicas, com marcas claras do estilo autoral de cada um. Anos mais tarde, Ang Lee foi chamado para fazer o mesmo com o Hulk.

Mas como fazer um filme do Gigante Esmeralda? O Hulk não é um super-herói tradicional, nem mesmo um anti-herói. Quando muito, ele é um herói acidental, que reage a ameaças. Numa história do Hulk, a maior ameaça costuma ser o próprio monstro, que foi criado por Stan Lee como uma espécie de "O Médico e o Monstro da Era Atômica". Para conseguir levar o Verdão para o cinema, os roteiristas John Turman, Michael France e James Schamus foram buscar essa concepção original do personagem (adicionando à energia atômica a manipulação genética tão em voga nos dias atuais), incrementada pelas tramas psicológicas da ótima fase de Peter David nos quadrinhos.

O diretor Ang Lee, que conhecia o personagem da série de TV mas não a HQ, decidiu tocar um filme como uma mistura de drama psicológico e filme-catástrofe. A estrutura dos acontecimentos segue esse mesmo padrão de filme muito popular nos anos 70, com a seqüência de pequenos fatos que fazem o espectador pensar "isso vai dar merda!", culminando num grande desastre que já era inevitável desde o início. Outra forte influência é a tragédia clássica (também com a sensação de inevitabilidade), algo muito apropriado, já que poucos personagens contemporâneos são tão trágicos como Bruce Banner (e toca a musiquinha triste da série de TV!).

Além dessa salada de referências, o filme ainda faz uma citação direta à narrativa própria das HQs. Graças ao esforço combinado de Ang Lee, do diretor de fotografia Frederick Elmes e do editor Tim Squyres (além da equipe de efeitos especiais, claro), o filme mostra em vários momentos a tela dividida em quadros como nas HQs. Isso permite ao espectador visualizar vários ângulos de uma mesma ação ou ações acontecendo simultaneamente em pontos diferentes. A cena que mostra Bruce Banner, Betty Ross e Glenn Talbot trocando olhares desconfiados todos ao mesmo tempo é simplesmente genial. Ou melhor, simplesmente quadrinística.

Uma acusação injusta que costumam fazer a Hulk é que a narrativa se concentra apenas no drama psicológico e não possui ação. Por mais que o drama seja o foco central do filme (e não vejo nada de mau nisso), a ação corre solta a partir do momento em que o Verdão aparece. O monstro enfrenta metralhadoras, canhões, explosivos, helicópteros, tanques e centenas de "homenzinhos". Até os criticados cães-hulk contribuem de forma original para o filme (a força e a selvageria do Hulk aplicadas em animais irracionais é uma ameaça assustadora, uma idéia que até poderia ser aproveitada nos quadrinhos – não necessariamente com cães), dando uma amostra de como os poderes do monstro podem ser usados de forma terrível.

Por mim, o filme poderia ter até menos ação, já que a luta final entre pai e filho me pareceu desnecessária. Aquele confronto poderia ter ficado apenas no plano psicológico. A conclusão física para um trauma psíquico (que acredito ter sido uma exigência do estúdio) foi algo tão ridículo e sem graça quanto mostrar a Samara saindo da TV no final de O Chamado.

Esse deslize, entretanto, não tira o brilho de uma produção que teve a coragem de ousar e se tornou uma das melhores adaptações de quadrinhos para o cinema até hoje, mesmo que não seja para todos os paladares. E ainda tem a presença de uma das pessoas mais belas a ter aparecido numa tela de cinema até hoje: Jennifer Connelly.

Nota: 9,5


Os extras do Disco 1

Além do filme em widescreen anamórfico com áudio em português, inglês e inglês com DTS (todos em 5.1 canais) e legendas em português e inglês, também é possível ver o filme com comentários do diretor Ang Lee com legendas em português.

Outro extra bacana é uma opção de ver o filme com inserção de cenas dos bastidores. Assim, durante uma cena em que o Hulk quebra os tanques, por exemplo, aparece um símbolo no canto da tela. Ao clicar enter no controle remoto, podemos ver o processo de captação de movimento para a produção da cena. São cerca de uma dúzia de inserções do tipo, todas com legenda em português.


Os extras do Disco 2

Num disco só de extras, a produção da Universal fez um trabalho caprichado, incluindo apresentações interessantes tanto para quem só quer saber mais dobre o filme quanto para os fãs de longa data do Gigante Esmeralda.

  • Em Hulkificação, uma mesma cena do filme é recontada por 4 quadrinistas diferentes (Adam Kubert, Tommy Ohtsuka, Salvador Larroca e Katsuya Terada), cada versão em um estilo de HQ. É possível ver a versão do gibi lado a lado com o filme ou sozinha, mantendo o som original. Além das versões em quadrinhos, pode-se ver o storyboard da cena (que também é um tipo de HQ) e ler a biografia dos artistas que participaram da brincadeira.
  • A Evolução do Hulk é uma apresentação que mostra todo o trajeto do personagem desde a sua origem nos quadrinhos até o filme de 2003, passando pelos desenhos desanimados da Marvel e pela série de TV dos anos 70.
  • O Incrível Ang Lee, como o nome já indica, fala sobre a abordagem única do diretor chinês para o filme, incluindo encarnar a fúria do Hulk, ao fazer ele mesmo a captura de movimento das cenas do monstro lutando.
  • A Cena da Luta com os Cachorros fala especificamente da criação e produção desta seqüência, uma das mais caras e desafiadoras do filme.
  • O Estilo de Edição Exclusivo de Hulk mostra como foram realizadas as inserções de quadros parecidos com as HQs para marcar a idéia de simultaneidade e ajudar nas transições entre cenas.
  • Os Bastidores de Hulk é aquele making-of basicão que todo bom DVD traz. Ele é subdividido em Elenco e Equipe, Proezas e Efeitos Especiais, ILM (se você ainda não sabe o que é a ILM, você está no site errado) e Música.
  • Cenas Excluídas mostra meia dúzia de cenas que ficaram de fora da edição final do filme, incluindo uma segunda participação do Lou Ferrigno.
  • Por fim, Super-herói Revelado: A Anatomia de Hulk, o único dos extras totalmente em inglês, traz curiosidades da ILM sobre a criação do monstro digital.

Pela quantidade de extras e por todo o cuidado de produção (tem muita "versão especial" por aí que nem legenda em português traz), esse é um DVD que merece lugar na estante de qualquer fã de quadrinhos e cinema. Nota 10.

Para comprar o DVD duplo Hulk – Edição Especial, clique aqui.


Pra terminar, confiram os peitinhos de Jennifer Connelly.


Nerd Reverso Email • 18:30:13 • Cinema, Das Antigas, A Gente Vimos, MarvelPermalink 62 comentários
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