Post do Leitor #2: Final Crisis # 1 Review Tweet

Quem assina o post do leitor desta semana é o Rafael Rodrigues (Algures). O cara leu a primeira edição de Crise Final (o Bugman espera que não seja em scan) e fez um review pra gente.
Depois das várias críticas (a maioria negativas) que li nos sites gringos sobre a Crise Final, um sentimento de estranhamento me veio à mente: "Como é que eles podem ter achado essa primeira edição ruim?" Excluindo a opinião daqueles que nem leram a edição e já saem falando mal (do tipo "não vi e não gostei"), eu acabei entendendo as críticas, mas me senti na obrigação de defender (não que a história precise ser defendida, mas enfim) esta primeira edição que foi alvo de conclusões precipitadas.
Na minha opinião, analisando friamente a edição, seu principal defeito foi um só: conter uma bagagem que conta com 70 anos de histórias. Por causa disso, a edição pode parecer, para quem é leitor novato ou ocasional, que a edição é confusa; mas, diminuindo-se a um denominador comum, e excluindo as referências, a história se torna muito mais fácil de ser compreendida.
CUIDADO QUE TEM SPOILERS!!!!

Para começar, não pensem que Morrison apenas jogou elementos de forma aleatória na edição. Os eventos ali podem ser tudo, MENOS aleatórios.
A história inicia-se na aurora da humanidade, mostrando que os Deuses nos deram o fogo. Algo totalmente bíblico e fácil de ser compreendido. Só que quem recebe o conhecimento é um homem das cavernas do universo DC, Anthro, e "Deus" é ninguém menos que Metron, uma espécie de Toth (deus egípcio da sabedoria e escrita) dos Novos Deuses.
A história vai para o presente e mostra uma série de eventos que, apesar de parecerem ocasionais, são partes do mesmo todo que envolve a história. Dan Turpin sai de sua aposentadoria para investigar crianças desaparecidas e encontra Órion quase morto. Órion não consegue dizer tudo o que quer dizer para Turpin antes de morrer e fica apenas uma frase enigmática dita pela metade. A presença de Turpin aqui não é por acaso: Ele apareceu pela primeira vez (pelo menos com esse nome) na revista dos Novos Deuses, então a referência é válida. As pistas das crianças desaparecidas levam ao Dark Side Club, onde vemos um careca que, se percebe, é Darkseid vivendo como humano e aparentemente de posse da Equação anti-vida que buscou por toda a sua existência.

Além disso, temos Hal Jordan e John Stewart investigando a morte de Órion (outro dos Novos Deuses, citado como “O Novo Deus da Guerra”), depois de receberem uma mensagem "1011" em andamento. 1011 é um "código" dos Guardiões que indica o assassinato de um Deus. Aí temos outra referência que não é ocasional: um código binário relacionado aos Deuses, uma referência à “tecnologia divina” e, mais uma forma de mostrar que a evolução humana no UDC tem a mão deles. Também voltamos a ter os céus vermelhos, uma referência à crise original, mas isso não é desenvolvido nessa edição.
Superman explica aos membros da Liga da Justiça sobre os Novos Deuses. Apesar de Superman parecer ter "esquecido" de ter estado presente na morte dos Novos Deuses, o que eu vi foi apenas ele explicando a coisa da forma mais simples possível para os membros novos da Liga que não conhecem os Novos Deuses (porque, ao contrário do que disseram algumas críticas, apenas os heróis classe A da DC conhecem os Novos Deuses). Além disso, a reunião não foi mostrada na íntegra.

Temos também um grupo de buchas heróis adolescentes brigando com vilões pelo que parece ser a poltrona Moebius de Metron, e o aparecimento de Libra. Aqui o leitor pode achar "putamerda, mais uma reunião de supervilões para finalmente derrotar os heróis?" Mas desta vez temos um elemento diferente. Libra não é um vilão comum. Ele é uma espécie de "Papa" dos vilões, e o que ele pretende é mais uma guerra santa do que qualquer outra coisa. Os vilões devem seguí-lo como fiéis seguem uma doutrina, só assim os vilões triunfarão. Para demonstrar seu poder, eles matam um personagem importante do Universo DC (que todos vocês já sabem quem é) de uma forma rápida e sem sentido. E a idéia é essa mesmo; e a coisa só vai piorar.
Ainda temos um vislumbre dos Monitores e o banimento de um deles (o mais jovem) por não ter conseguido impedir que a terra em que ele protegia chegasse ao apocalypse (a única referência direta da edição à Countdown). Dá para perceber que isso foi armação pra cima do jovem monitor. Aqui também não tem muito mistério: mesmo quem não leu Countdown ou não conhece o universo DC consegue perceber que os monitores são os responsáveis por "vigiar" o multiverso.

No final, Anthro, lá na pré-história, tem um vislumbre de Kamandi, o último rapaz da Terra. Em seguida, um jovem de moicano acorda no presente em sua cama e acha inacreditável estar ali, ao mesmo tempo que a TV mostra a recém descoberta morte do personagem DC. Aqui realmente a coisa é confusa; alguns dizem que esse garoto é Anthro, que de alguma maneira veio para o presente, outros que é o Monitor banido. Mas relendo a edição, fica claro que é o jovem monitor banido.
Morrison sempre disse que a idéia por trás da Crise Final era restabelecer os Novos Deuses de acordo com os conceitos iniciais de Kirby, ou seja; hoje em dia os leitores consideram os Novos Deus como outros super-heróis; quando na verdade, eles são e podem muito mais.
No fim das contas, a história (pelo menos dessa edição) gira em torno de um só assunto. Religião. E a Religião segundo o universo DC. Nossa evolução se deve à intervenção dos Novos Deus (bem a lá "Deuses Astronautas), Libra faz ofertas aos vilões "pregando" que está ali para balancear as coisas, e isso é só o começo.

A respeito de certos "furos" que foram apontados na história, algumas são totalmente descabidas. Por exemplo, porque os heróis se espantaram com a morte de Órion se todos viram a luta dele contra Darkseid no final. Pois é, mas em Coutntdown ele aparentemente venceu a luta; logo, não estava morto. Até agora. Outros ditos "furos", só vamos poder ver se é furo mesmo quando lermos toda a saga.
Em Resumo, Final Crisis é “O Evangelho do Universo DC”
No mais, eu achei uma edição intrigante e empolgante, que coloca uma série de conceitos do universo DC nos seus devidos lugares (embora de maneira bem sutil). É uma pena que só eu ache isso...
Algures também escreve no Uarévaa
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