Homem de Ferro, por Change Tweet

Finalmente vi o filme do Homem de Ferro... bem, na verdade eu vi há uma semana, mas fiquei com muita dúvida sobre o que achar da película. A adaptação cinematográfica do Latinha é muito, mas muito complicada de se analisar. Bom, vamos lá.
Bom, é claro que eu não vou perder tempo com um resumo da história. Todo mundo aqui já viu o filme... e, se não viu, o que diabos você está fazendo no MdM, seu nerd de araque?
Enfim, como eu ia dizendo, o filme do Homem de Ferro é muito delicado de se analisar. Muito complicado porque entra na esfera política. Entra de cabeça!

Talvez o filme do latinha tenha dado um passo importante para os filmes de super-heróis ao entrar (diretamente, e não pelas entrelinhas) nesta esfera. O Homem-Aranha está preocupado em não chegar atrasado para ver a peça da Mary Jane. O Superman precisa deter os Kryptonianos que querem dominar o mundo.
O Homem de Ferro não. O Homem de Ferro questiona a indústria armamentícia e outros assuntos delicados. Mas isso porque o Latinha é um herói diferente dos outros.
Tony Stark nunca foi um herói clássico. No filme, ele é um magnata do mercado mundial de armas. Seu maior inimigo é seu acionista e até seu romance está envolvido nas regras corporativas (por sinal, achei isso genial). E eu ainda nem entrei nos quadrinhos, onde Tony é um ex-alcoólatra, ex-secretário de defesa dos EUA, atual diretor da SHIELD e especulador safado da bolsa.

Se formos analisar o filme com o máximo de simplicidade possível - e aqui eu digo como um filme de ação divertido - eu não vacilo em afirmar que o Homem de Ferro é o melhor filme de SUper-Heróis feito até hoje. Bom elenco, excelente roteiro, boas cenas de ação e humor na dose certa. Equilíbrio perfeito, como não vi até hoje em um filme de herói.
Mas o diretor Jon Freveau entrou na questão política. E, em minha opinião, isso não pode ser desconsiderado.
Ao mesmo tempo que Tony representa o figurão da indústria armamentícia - e isso é criticado no filme - ele ainda sim é a salvação do mundo. É ele que vai até o país estrangeiro resolver todos os problemas. É ele, assim como a América, que vai resolver o problema do terrorismo do mundo... aliás, é ele, assim como a América, que sofre com o terror. É ele, assim como a América, que é refém do terror, do eixo do mal.

Mesmo arrependido de fabricar armas violentas, Tony ainda utiliza armas na sua armadura. Armas que o diretor procura camuflar como "não-armas" - o raio repulsor veio de uma espécie de controlador de vôo.
Enfim, o filme é cheio de complicações éticas e políticas. Como falei antes, o Homem de Ferro tem seu mérito por dar um passo à frente dos outros filmes de heróis, abordando essas questões delicadas. Mas acredito que aí é que morou o principal erro.
Repetindo: como um filme de super-herói, em uma análise mais branda, a nota é 10. Não há como ter outra nota. O filme do Latinha é perfeito, analisando nesta ótica. Talvez ele peque apenas na batalha final, que poderia ter sido mais emocionante, mas de resto é simplesmente perfeito. É bom pra caralho! John Freveau, se realizar um bom trabalho no segundo filme, será referência no ramo do cinemão pipoca.
Mas, analisando o filme sob uma ótica mais profunda, levando em conta as questões políticas abordadas na película, a nota é 6. No fim, o Latinha acaba virando mais um Rambo de armadura, quando salva o dia sozinho, luta contra o terrorismo, blábláblá...

Enfim, posso estar exigindo muito do filme... mas se fiz isso, é porque o filme é bom pra diabo. Então, nesses casos, é comum nosso critério e exigência irem lá pra cima.
Ou estou me tornando o meu pior pesadelo com a idade: um chato como o Jabor!



