Quadrinhópole #6 Tweet

Conforme já informamos, a Quadrinhópole deste mês vem com apenas uma história: Insanidade.
por Juliano DFS (argumento), Leonardo Melo (roteiro) & Isaac Santos (arte)
Um jovem é internado em um sanatório sem saber o motivo. Sua jornada dentro do hospício não apenas o leva para o mundo dos loucos como também do auto-conhecimento. Como chegar ao ponto em que nos conhecemos como loucos?
A idéia de DFS lembra um enredos de M. Night Shyamalan. Melo conduz bem a história, mas peca por não aprofundar a jornada de Leonard em seu novo lar. Várias premissas poderiam ser desenvolvidas ali e talvez esse seja o principal problema. O autor parece ter tentado fazer várias abordagens possíveis sem focar em certos elementos ou coadjuvantes que poderiam render uma história mais sensível.
Apesar disso, como um conto de terror a história se sai bem. Os desenhos de Isaac Santos são o ponto alto do início da história. Henrique Assale assume na segunda parte, mas seus desenhos parecem rígidos demais, quase estátuas e não seres que andam e interagem (em algumas conversas, os olhares não convergem). Ironicamente, é justamente a parte com os melhores diálogos.
A parte três fica com o traço de Lipe Dias, que é de uma expressividade visceral quando o assunto são emoções. A rigidez excessiva também aparece aqui, mas os closes e ângulos que o desenhista traz são uma solução criativa e que corrige o defeito. Ângelo Ron é o melhor dos quatro, mas seu trabalho também é prejudicado por um problema geral: um bom arte-finalista ajudaria muito a qualidade da história.
A Quadrinhópole tem se destacado por reunir várias histórias de excelente nível. Por isso, a opção de publicar o sexto número com apenas um enredo traz muita responsabilidade para a história. Responsabilidade que Insanidade não é capaz de assumir. Ainda que seja uma boa história, não compensa a ausência da arte de desenhistas como o incrível Jean Okada e Bira Dantas e o personagem Undeadman.
Nota: 7
Completa a revista uma entrevista com o desenhista Julio Shimamoto, que também assina a bela capa. Entre outros detalhes, o artista lembra de sua prisão na época da ditadura.
Bugman foi preso pela ditadura em vidas passadas. Será que rola indenização?



