Rambo 4 por Mallandrox Tweet

O filme não é perfeito, mas como sou um nerd recalcado e fanboy, para mim é o melhor lançamento deste ano (talvez só perca para Wall-E).
Ah, sim! Tem SPOILER, viu?

Bem, eu sou um nerd jovem (jovem nerd é outro site), por isso nunca pude ver qualquer filme do ex-boina verde no cinema. Porém, isso não significa que não vi os três Rambo, ou que os assisti pouco. Não! Eu sou um dos sortudos filhos da melhor fase da Sessão da Tarde, então apesar de não ter vivido essa época, posso dizer com garantia que Rambo fez parte da minha vida (tinha até bonequinho tosco dele do desenho). Por isso, eu não tenho palavras para definir o que foi ver um dos meus heróis da infância em uma telona! Enfim, mas chega de escrever sobre mim, vamos ao filme!
Antes de tudo, vamos dividir em tópicos, afinal não dá para falar do trabalho do Sylvester Stallone em dois ou três parágrafos! O cara foi o roteirista/diretor/ator da bagaça!

Stallone ator:
Ok... Já falei sobre isso e sei que faço parte da minoria, mas eu curto a atuação do Stallone! É como escrevi no Das Antigas, ele sabe que é ruim, então se esforça ao máximo!
Sendo assim, Sly se joga, faz cara feia, grita e tenta passar seriedade ao seu icônico personagem. Em outras palavras, se entrega ao papel!
Já que citei a atuação dele, vou comentar os outros atores, e quando eu escrevo "atores", quero escrever "atriz", pois somente Julie Benz (a namoradinha toda-boua de Dexter) é digna de nota e mesmo assim a atuação dela é "qualquer nota". Sério, não é nada contra ela, ou aos demais atores, mas eles aparecem pouco e o centro das atenções é e TEM QUE SER do Stallone.

Stallone roteirista:
Também vamos ser justos! O roteiro não é só dele, mas também de Art Monterastelli e Jeb Stuart. E nessa categoria que os problemas começam a surgir.
A história é praticamente a mesma que a do terceiro. Rambo agora vive pacificamente na Tailândia, onde caça cobras para espetáculos para ganhar o seu tutu, quando um grupo de missionários pede ajuda para atravessarem o país e ir até Birmânia (que não possui mais esse nome, mas se você quiser aprender sobre o país acesse o Wikipédia, não aqui), que vive uma guerra civil (uma verdadeira, viu? Não aquela bosta da Marvel) há décadas. Ele reluta, mas leva por causa da mocinha Sarah.
Não demora muito e o protagonista é procurado de novo para voltar ao país em guerra. Dessa vez porque as pessoas que ele levou foram pegas pelo governo e estavam aprisionados. Dessa vez, Rambo leva alguns mercenários e decide ajudar... No melhor estilo "Deus tem piedade! Rambo não!".

Além da trama batida, os diálogos são... Como dizer... Idiotas! Não estou me referindo as frases feitas! Não! As duas ("morra por alguma coisa ou viva por nada" e "matar é tão fácil quanto respirar") são fodas e quando proferidas te fazem segurar na cadeira!
O que estou falando são das conversas mesmo que não tem nexo algum em certos momentos. Como na cena em que John e Sarah conversam na chuva, e o papo do mercenário inglês no barco.
Porém, há méritos no roteiro SIM! Uma coisa que gostei muito foi o personagem logo aos primeiros quinze minutos declarar que já aceita os seus demônios interiores. Tinha medo do propósito de Rambo ser o mesmo que o de Rocky em Rocky Balboa (lembram que ele falou que queria voltar a lutar a para soltar a fera que vivia dentro dele?). Pois é, isso foi um alívio e a prova de que o personagem evoluiu nesse ostracismo (lembram também que nos filmes anteriores ele sempre relutava em matar pelo menos no início?).

Stallone diretor:
Aqui o nosso amigo cara-torta brilhou! Salva de palmas para Sylvester Stallone pela direção de Rambo 4 que ele merece! O cara pra mim foi o melhor diretor dos quatro filmes (até mesmo que o primeiro).
Sly não quis "suavizar" a guerra mostrando só os vilões morrendo com um mero tiro no peito. Ele mostrou como é a guerra de forma nua e crua. Isto é, sangrenta, grotesca e repulsiva.
Braços, cabeças, pernas e tripas voam em meio às bombas. Crianças são mortas sem a menor cerimônia. Mães fogem pensando proteger única e exclusivamente os seus bebês em vão. Mulheres são estupradas.
Tudo isso num clima sombrio. A batalha não é um lugar alegre que não tem espaço para piadas e nem alívio cômico. Stallas fez questão de mostrar isso.
Agora que já citei os três trabalhos dele (além disso, ele ainda foi produtor), preciso comentar o maior acerto e o maior erro do filme, pois aí mistura roteiro com direção.

O maior acerto:
Sejamos sinceros! Rambo 2 e 3 (filmes de maior sucesso da franquia) são filmes datados, ou obsoletos, se preferirem chamar assim. Naquela época existia aquele patriotismo nos americanos devido a Guerra Fria. Atualmente, ninguém mais quer ver um filme de um cara chacinando um país segurando a bandeira dos EUA.
No novo filme o personagem faz somente um comentário sobre a sua origem, quando responde em que estado nasceu. Rambo não é mais o símbolo do exército americano e nem quer ser!

E ninguém mais quer ver um "exercito de um homem só"! Nos anos 80 isso era legal e divertido! Atualmente seria ridículo! Por isso, Rambo não trabalha sozinho (sim, ele parte pra missão ao lado dos mercenários) e não faz todas as firulas que faz nos outros filmes. Na primeira oportunidade ele pegou uma metralhadora de um jipe e não soltou mais (cena essa usada em todos os traileres)... E por que soltaria, né?
Com isso, o filme apesar de violento possui pouca adrenalina, mas acho que não era isso que Sly queria! Stallone queria fazer de Rambo 4 um filme sério... E conseguiu!

O maior erro:
Como vocês puderam perceber no meu texto, o filme é adulto! Então seria notório que ele teria várias referências às outras sagas (como foi em Rocky Balboa), mas não é o que acontece. A trama deste longa tenta funcionar sozinha, não fazendo nenhuma ligação aos anteriores. Aparece somente um pequeno flashback em formato de sonho em que mostra cenas dos antigos.
Eu sei que Richard Crenna (o eterno Coronel Trautman) morreu, mas é decepcionante você não saber o que aconteceu com seu personagem, e ele sequer ser citado.
Para os fãs de toda a cinessérie, só dois deleites: a trilha sonora é a mesma que a de Rambo: Programado para Matar e a belíssima última cena é idêntica a primeira cena do primeiro filme.

Acho que minha crítica apontou mais defeitos do que qualidade, entretanto quero enfatizar que Rambo 4 não é somente um bom filme de ação (que pipoca pelo menos um novo por ano), mas é um excelente filme do Stallone (como Rocky 1, Rambo 1 e Rocky Balboa).
E pretendo SIM ver de novo no cinema, afinal, não é todo dia que você pode se despedir do seu herói em uma telona!
Nota 8
Espera... Nota 8 é o cacete! É NOTA 10, PORRA!!!
E antes que algum infeliz venha reclamar que eu não posso dar nota máxima para um filme que não é perfeito, quero lhe dizer uma coisa: Depois que matar esses russos, eu vou atrás de você! (E se você não entendeu, problema teu!)



