J.G. Jones fala de Final Crisis Tweet

Um dos principais capistas da atualidade vai ter que mostrar serviço desenhando de cabo a rabo a mini-série que vai redefinir o Universo DC.
Conhecido pelas ótimas capas de 52, o desenhista J.G. Jones não fazia o interior de um gibi desde 2004 em Procurado, a controversa obra escrita por Mark Millar e que em breve terá uma adaptação nos cinemas. Agora ele será o responsável pela arte de Final Crisis, a mais importante revista da DC Comics este ano, na qual trabalha com o roteirista Grant Morrison. A dupla já trabalhou junta na mini-série Marvel Boy, para a Marvel, em 2000.
O Newsarama pegou o pobre coitado pra uma entrevista no meio da tarefa homérica de interpretar visualmente os complexos roteiros de Morrison, ainda mais esse que envolve praticamente todos os personagens do passado, presente e futuro da DC. Como sempre, você confere apenas os trechos que tive saco de traduzir mais interessantes.

J.G. Jones começa explicando que é uma carga de trabalho que ele nunca teve antes e que ele não sabe onde estava com a cabeça ao aceitar um trabalho desses. "Não tenho mais vida", diz o desenhista. "Eu levanto, desenho o dia todo, aí vou dormir. Estou praticamente vivendo no DCverso."
Ele faz aquela tradicional rasgação de seda pro Morrison, dizendo que o cara é genial e tal, ressaltando que achou Os Sete Soldados da Vitória incrível, mas que "muito do que aparece em Sete Soldados serve de preparação para Final Crisis, o que realmente só fui entender ao ler os roteiros da mini-série", conta Jones.
Segundo ele, o Morrison tinha um grande plano para os personagens esse tempo todo e que Final Crisis explica algumas coisas que vimos em Sete Soldados e 52. Ele diz que "O Senhor Milagre reaparece agora, pois isso envolve em grande parte o Quarto Mundo de Jack Kirby, assim como o resto do UDC".
Ao ser perguntado se estava desenhando muitos novos personagens, o desenhista diz que sim, que esse é um dos pontos que faz o trabalho ser tão árduo. Jones diz que o Morrison começou a edição #2 com dois supergrupos nunca vistos antes, então ele teve que criar esses personagens sozinho, apenas com a ajuda de descrições dadas pelo escritor.

Sobre o tamanho da série, Jones diz que a princípio serão sete edições de 32 páginas e que atualmente ele está desenhando a segunda. Ele também diz que, apesar de não estar atrasado, o tempo é sempre uma preocupação e que ele sempre sente a pressão dos prazos. A seguir o artista falou um pouco sobre sua interpretação dos personagens:
— Estou buscando uma versão icônica deles, dos 3 Grandes (Superman, Batman, Mulher-Maravilha), ou até do Top 5 (incluindo Flash e Lanterna Verde). Inclusive, estou utilizando isso nas capas; uma será bem icônica (já vimos a capa da número #1), outra é uma idéia que Grant teve que envolve menos trabalho pra mim e mais design básico. Mas estamos mesmo fazendo duas capas para cada edição.
Jones também comenta que um dos motivos que o atraiu para o projeto foi desenhar os Novos Deuses, que terão grande envolvimento na trama. "Não sou um grande fã dos quadrinhos de super-herói", diz Jones, "mas adoro todas aquelas coisas do Kirby. E gostei da forma como Grant trabalhou isso dentro da mitologia do DCverso. Então fiquei muito animado pela oportunidade de desenhar esses personagens."

Sobre a estrutura da história e a ligação com as outras "Crises", o artista diz que "a diferença neste caso é que é uma história que poderíamos contar sem ser um grande evento com 'crise' no nome. Começa com a história, não com o evento". E acrescenta:
— O fato de que fizeram disso a Final Crisis e a inseriram no panteão de crises funciona bem – é mesmo esse tipo de revista. Mas Grant já tinha bolado essa história faz tempo. E como eu disse, ele estava preparando o terreno pra ela muito antes dela virar A Final Crisis. Acho que a diferença é que essa é uma grande viagem no tempo que... você sabe, é o Morrison. Vai do início ao fim de tudo. O começo é na pré-história e é no futuro. Mas mesmo que estejamos mostrando diferentes partes e personagens do DCU e diferentes coisas em diferentes linhas temporais, é tudo parte desta mesma história.
Ao ser perguntado sobre o final da mini-série, se haveriam mortes significativas, Jones diz apenas que o final será ótimo e conclui dizendo que "iremos perder algumas pessoas que amamos, e poderemos até achar algumas pessoas que achávamos ter perdido".
E aí, quem morre e quem volta? Façam suas apostas.



