Melhores do Mundo

Melhores do Mundo

Fev 8

Cloverfield: Monstro

Cloverfield é um filme safado.

[Mais:]

Não é mais safado que o Mallandrox, que pegou um comentário que eu fiz pra ele após a sessão – o do Godzilla misturado com Bruxa de Blair – e usou no seu texto, entregue antes por ele ser mais ágil (desocupado?) do que eu. Mas Cloverfield é safado porque teria tudo para ser um filme ruim se fosse feito tradicionalmente. O truque é a falsa filmagem amadora. Se você comprar a versão que o sujeito não para nunca de filmar vendo seus amigos morrerem, se diverte muito.

Aliás, amadora é palavra que menos combina com Cloverfield. J.J. Abrams (o cara do Lost), o grande mentor da parada, não deixa nada sobrando. Filmar daquele jeito, sem possibilidades de troca de planos e com tomadas enormes, exige muita estratégia e preparação – incluindo do pobre do ator que faz o Hud, que acabou filmando 1/3 das cenas. Mas esconde o(s) monstro(s). Regra número 1 do cinema de terror: se você quer assustar, mostre o menos possível e crie atmosfera. E reduziu muito o orçamento, já que quase não há imagens nítidas do bicho (sim, safados...).

A filmagem estilo churrascão-da-galera também dá o ponto de vista dos personagens, quase que transformando o filme numa experiência de simulação, de primeira pessoa. Pode causar enjôos – mas, na boa, qualquer um que já jogou Wolfenstein se adapta fácil – mas compensa pela emoção quando o monstro surge e pelo sentimento de se fazer parte de uma turba em desespero.

Sendo safado e copiando o Mallandrox (pelo menos eu assumo), o momento em que a cabeça da Estátua da Liberdade aparece voando (palmas para John Carpenter) equivale à hora em que o carrinho da montanha-russa pára no ponto mais alto: depois, é só gritaria, solavanco e diversão.

Há um artifício bem interessante: a fita que grava o ataque já foi usada. Toda vez que a câmera trava ou é rebobinada, as imagens que estão "por baixo" aparecem. Isso ajuda tanto para entender a história de Rob, o cara que vai trabalhar no Japão, com Beth, o melhor contraponto que eles poderiam colocar ao monstro, tanto para criar as elipses temporais, que condensam uma noite nos 90 minutos do filme. Você só entende a trama toda na última cena.

Esconder o monstro também deu a tônica da divulgação de Cloverfield. Quinze dias após a estréia nos EUA, ainda não há imagens exatas do bicho (o Change quase acertou). E também foram criados diversos sites virais, como o principal -- www.1-18-08.com (tem quem jure que o monstro aparece na foto da fumaça) --, da empresa de exploração submarina que despertou o bicho -- www.tagruato.jp (e dona da Slusho, companhia que contratou Rob) -- e do grupo que se opõe a ela -- www.tidowave.com.

Foram despejadas na rede falsas reportagens relacionadas ao filme, como esta em espanhol. O personagens também tem perfis próprios no MySpace – aí vai o do Rob, com link para os demais.

No fim, vale ficar até depois dos créditos. Não há nenhuma cena adicional (só algumas pistas para atiçar nerd). Mas “Roar (Cloverfield Overture)”, o tema do filme, compensa a falta de trilha sonora no restante. Uma das melhores, ahn, músicas de monstro que eu já ouvi. E, pra terminar a safadeza: já se fala em uma seqüência, tendo como base outros registros daquela noite.

Nota 8

P.S. porque vai ter gente perguntando: Cloverfield é o nome de uma rua próxima ao escritório de J.J. Adams. Era o título provisório, mas acabou ficando.

P.P.S para quem reclamou do título-spoiler que Cloverfield ganhou no Brasil: o título espanhol do filme é Monstruoso.

Por: Marcelo Tavela.


Melhores do Mundo Email • 19:06:33 • Cinema, A Gente VimosPermalink 92 comentários
Indique: del.icio.us Gafanhoto Rec6 Ueba
blog comments powered by Disqus
















RSS: Clique aqui para ver essa página no formato RSS/XML
O que é RSS?

b2evolution