52 #4 Tweet

Depois de uma edição um tanto morna, uma nova leva de semanas sacode novamente a trama de 52. Confiram comigo no replay e cuidado com os SPOILERS!
Da escolha da belíssima capa (finalmente pegaram uma das boas!), com uma inusitada referência a Hamlet, ao competente trabalho editorial, com ótimo aproveitamento do espaço, essa foi a melhor edição de 52 até agora.

Analisando cada uma das semanas desta edição separadamente, a semana 13 é certamente a mais fraca. A trama em si (o ritual de "ressurreição" de Sue Dibny) é muito interessante, mas os desenhos de Todd Nauck são um lixo.
Em um dos quadrinhos, a Moça-Maravilha parece gigante. Não dá pra entender se ela está voando em primeiro plano, se é uma divisão sem marcação de dois quadros ou o quê. Mas com certeza é uma arte bem precária pra uma história tão bacana, que questiona até que ponto a morte é algo definitivo em uma realidade com tantas vias de ressurreição e imortalidade quanto o DCverso.

Na semana 14, vemos a complicada chegada da Montoya e do Questão ao Kahndaq e as tentativas do doutor Will Magnus em reativar os Homens Metálicos.
Martin Scorsese, assim como outros grandes cineastas, acredita que um bom filme deve ser entendido sem som. Não que o diálogo, a música e os efeitos sonoros não sejam importantes, mas a trama de um filme bem dirigido pode ser compreendida apenas pelas imagens. É isso o que o desenhista Dale Eaglesham faz nesta história.
Graças ao talento narrativo e ao traço limpo e preciso do desenhista, é possível até deixar os (ótimos) diálogos de lado e ler a história somente através dos gestos e das expressões nos rostos dos personagens. Mais do que isso, em alguns momentos, a expressão facial e corporal diz até mais que as falas dos personagens, dando indícios do que está por vir. Uma bela edição, sem dúvida.

Se já tivemos um péssimo e um ótimo desenhista, a semana 15 tem um bom desenhista, Shaw Moll, competente, mas que não considero a melhor escolha pra uma história de tamanho impacto para um dos personagens mais queridos da DC.
Lembram da Liga da Justiça cômica, do Keith Giffen? Lembram que a DC está passando o rodo em todo mundo do grupo? Pois é, o Gladiador Dourado fazia parte dessa equipe. E nesta semana, que na realidade concentra suas ações em apenas um dia, o herói bucha vindo do futuro aparentemente bate as botas e vai encontrar os outros Superamiguinhos nas histórias do Penadinho.
Se a DC for justa, vai ter que mandar o Bátima pra Jesus também, já que ele também fazia parte dessa formação da Liga...

Por fim, na semana 16, temos a volta do desenhista brasileiro Joe Bennett, que conseguiu dividir bem o aspecto mais "clássico heróico" do "urbano sujo" dos diferentes acontecimentos que ocorrem em um mesmo lugar e momento.
Esse contraponto temático, aliás, é justamente o que faz essa ser a melhor história da revista. Por exemplo, quando li a ótima série Gotham City Contra o Crime, pensei que é legal retratar o elenco da cidade do Bátima por um viés mais "realista", mas que esse universo de histórias dificilmente se encaixaria no DCverso tradicional. Acontece que, no Universo DC pós-Crise de Identidade, o sujo e o mundano convivem com maior facilidade com o belo e o heróico.
A história trabalha essa dualidade o tempo todo, inclusive revelando uma certa hipocrisia na busca de justiça por parte do Adão Negro e sua recém-patroa Ísis. O casamento, com todo o charme dos clichês de casamentos de super-heróis, mostra uma Família Marvel que paira acima dos meros mortais, ignorando a ameaça aos inocentes bem debaixo dos seus narizes. Como é mostrado de forma bem óbvia, os heróis olham apenas para si mesmos e não vêem o sangue derramado.
Preciso mencionar o belo painel que mostra Ísis e Mary Marvel vistas de baixo para cima, dando destaque para pernas, bundinhas e peitinhos, um ponto de vista muito utilizado também pelo Ed Benes. É quase uma assinatura dos desenhistas brasileiros na DC. Se existe o famoso "plano americano", poderíamos chamar esse de "plano brasileiro" sem problema algum.

A revista termina com a conclusão da História do Universo DC, onde descobrimos que a culpa por essa zona toda é da Donna Troy, essa maldita personagem com a cronologia mais confusa dos comics (viram? Parem de culpar o Didio, a culpa é dela!). Ela deveria ter morrido e não morreu, e isso causou toda essa quizumba na DC.
Além disso, temos origens resumidas da Mulher-Maravilha, desenhada por Adam Hughes, e do Homem-Elástico, com desenhos de Kevin Nowlan, ambas escritas por Mark Waid. Simplesmente sensacional!
Nota: 9,5.
(52 #13-16)
Formato americano, 100 páginas, papel Pisa Brite, capa couché, R$ 6,90, distribuição nacional.



