Bem-vindo a Astro City Tweet

Se você ainda não conhece Astro City, esse é o melhor cartão de visitas.
Pra quem já conhece a HQ, é a chance de conhecer melhor a cidade que dá nome à série.
Desde o lançamento de Watchmen, aquela mesma pergunta vive passando pela cabeça de autores e leitores: e se os super-heróis existissem no mundo real? Muitos quadrinistas usaram essa premissa em suas obras (o próprio Alan Moore revisitou o tema algumas vezes), com resultados de qualidade variável. Entre os muitos "filhotes de Watchmen", Astro City é sem dúvida uma das HQs que mais fazem justiça à linhagem nobre.
Escrita por Kurt Busiek (que já tinha abordado o tema em Marvels), Astro City é um universo ficcional (geralmente publicado em mini-séries e edições especiais) que mostra um mundo que convive com super-heróis desde o século XIX, espacialmente concentrados na cidade que dá nome à série.
À primeira vista, os heróis de Astro City lembram muito os personagens Marvel e DC, mas um olhar mais atento mostra que Busiek (junto com o co-criador e artista Brent Anderson) apenas pegou os arquétipos mitológicos e os estereótipos dos comics e desenvolveu à sua própria maneira. O resultado é fenomenal.

Acertadamente, a Pixel resolveu inaugurar sua publicação desse universo com o especial Bem-vindo a Astro City. Em vez de histórias de vários personagens, o especial parece mais um guia de turismo, com anúncios fictícios, matérias sobre a história de Astro City e um mapa da cidade com seus principais pontos turísticos. É um excelente ponto de entrada para novos leitores e uma diversão extra para os leitores que já conhecem a série e vão reconhecer facilmente algumas das referências.
Entretanto, a equipe editorial parece ter ficado receosa de lançar uma revista quase sem quadrinhos e misturou o especial original gringo com outro especial lançado lá fora, uma HQ que conta a origem do Infiel, o arquiinimigo do Samaritano (o Superman de Astro City). Apesar de ser uma excelente história, ela destoa do resto da revista (a única outra HQ da edição é pequena e mostra a história de uma turista, o que tem tudo a ver com a idéia da revista como um guia turístico). Pior, a entrada dessa história fez com que a editora cortasse algumas páginas do guia original.

O trabalho editorial também tem altos e baixos. É louvável o fato da revista não ter anúncios. Aliás, tem um, na quarta capa, mas é exatamente sobre o próximo especial de Astro City a ser lançado pela Pixel, ou seja, é informação mais do que bem-vinda. A tradução e adaptação, muito complicada numa revista com tantos codinomes e nomes de lugares em outra língua, foi muito bem feita.
As derrapadas ficam por conta da falta de uma versão maior da bela capa da história do Samaritano feita por Alex Ross (a capa até aparece dentro da revista, mas menor que o salário dos redatores do MdM), e da confusão com os créditos da revista. Além de não colocar os créditos da primeira HQ e das pin-ups, a equipe editorial ainda confundiu o Alex Ross com o brasileiro Luke Ross (essa nem o Mallandrox bêbado faria).
A própria Pixel colocou a lista com os créditos ausentes/alterados em seu blog (clique aí pra ver, mané!), uma atitude que merece o nosso reconhecimento. Por mais cuidadosos que sejamos, erros podem acontecer na vida profissional de qualquer um. É a atitude em relação aos erros e o aprendizado a partir deles que diferencia o bom do mal profissional. A Pixel publicou essa errata em seu blog, o principal canal de comunicação com o seu público. É mais do que podemos esperar da maioria das editoras de quadrinhos brasileiras.

Com 84 páginas e custando R$ 8,90, Bem-vindo a Astro City é uma boa compra tanto para os fãs quanto para os novatos que querem respirar novos ares além das mega-sagas de DC e Marvel.
Nota: 7.



