A Volta do Todo Poderoso, por Mallandrox Tweet

Em O Todo Poderoso ficou claro que as caretas de Jim Carrey estão datadas e que ele atualmente só funciona como ator de filmes de drama. Mas nesse filme, tinha como coadjuvante o atual "menino" de ouro das comédias, Steve Carell (as aspas porque ele foi revelado com mais de quarenta anos). Então seria essa a chance do filme ser bom com o virgem de quarenta anos como protagonista.
Mas, infelizmente, A Volta do Todo Poderoso é ruim, na verdade, é até pior que o primeiro, e olha que eu fiz muita força para tentar gostar dessa bodega!
A história mostra Evan Baxter (Steve Carell) deixando seu trabalho como âncora de TV para se tornar político (sim, é sério! Transformaram um jornalista em político sem a menor desculpa!) e se muda com a sua família que mais parece que saíram de um comercial de margarina para um vale antes intocado por humanos. Logo depois, Deus (Morgan Freeman) o incumbe de construir uma arca mesmo que não chova há anos e que isso o prejudique para sua família e seu emprego.

O problema do filme é que são poucas piadas e as que aparecem se resumem assim:
- Piadas sobre autoflagelação. Steve Carell construindo uma arca? Vamos fazer um clipe dele só batendo o dedo com o martelo! Se você tem mais de seis anos, obviamente não rirá disso!
- Piadas sobre escatologia animal. Lhamas escarrando e pássaros cagando nas pessoas são as "piadas" que mais foram inseridas na película. Mais uma vez, se você tiver mais de seis anos e o mínimo de bom gosto, também não rirá!
- E, finalmente, a grande piada do filme é uma espécie de "dança da felicidade" que Carell faz quando está feliz. Ela é comentada e mostrada várias vezes, só esqueceram de um pequeno detalhe... ISSO NÃO TEM GRAÇA NENHUMA!

A única piada boa, é uma piada nerd sobre o Homem-Aranha contada logo no início, não contarei para não te tirar o único momento bom que você terá se for ver o filme.
"Se A Volta do Todo Poderoso tem poucas piadas, o que sobra do filme?" Só duas coisas. Steve Carell sendo esculachado pela sua família, pelo seu trabalho, pela sua família de novo, mais uma vez pelo seu trabalho, e por aí vai! Metade do filme é ocupada só com isso, você já não agüenta mais e implora a Deus que chegue logo o dilúvio, ou na trama ou na sala de cinema para acabar com a tortura.
E outra coisa que aparece é uma lição de moral, só que em vez de ser usada de forma leve e sutil como as obras da Pixar, ela é enfiada goela abaixo na sua garganta.

— 42!
Os atores também não ajudam. Morgan Freeman faz o mesmo personagem todo santo filme! Eu juro que não sei o que os americanos vêem na Wanda Sykes, mas ela está em toda bendita comédia, fazendo a mesma voz esganiçada e as mesmas piadas sem graça. Lauren Graham é gostosa e só! John Goodman está acabadaço! E os atores-mirins de cabelos idênticos, que saíram de uma boy band, só serviram de enfeite e para falar aquelas frases-chavões como "estou com você, papai! Não importa o que acontecer!".
Os únicos que se salvam é Steve Carell e Jonah Hill. Esse último será um grande comediante no futuro, se os roteiros melhorarem.
As pessoas dizem que o rock morreu, eu já acho que a comédia morreu.
Nota 0,8 (pela piada referente ao Homem-Aranha)



