Shrek Terceiro, por Bugman Tweet

Já estava devendo essa crítica de Shrek Terceiro na semana passada. Então vamos ao filme do ogro mais fodão da história da animação (rimou).
Desde o primeiro filme, a proposta do personagem é não parodiar, mas sim subverter as fábulas infantis. O segundo filme escapou um pouco desta premissa caindo para fértil terreno das referências pop, o que foi saudável, mas tornou o filme mais adulto do que infantil. Shrek Terceiro resgata a qualidade do primeiro filme de falar para todas as gerações.

A história aborda a morte do rei de Tão Tão Distante e sua respectiva sucessão, com Shrek como herdeiro direto. Em seu leito de morte, o rei revela ao ogro a existência de seu sobrinho, Arthur, vivendo em outro lugar. É a chance de Shrek escapar da responsabilidade de ser um rei. Porém, mal sabe ele que o (ex-)Príncipe Encantado tem um plano para conseguir cumprir seu velho sonho de dominar o reino.
O filme, ao contrário do primeiro, parodia mais do que subverte o gênero das fábulas. Embora as princesas sejam “patricinhas moderninhas”, ainda assim são princesas, o mesmo com os vilões. Desta vez, a história abusa não das referências pop, mas às próprias fábulas trazendo um grupo de todos os vilões de contos infantis, é até difícil saber de qual história cada um é.

O maior problema da animação são as piadas entre os personagens, apelam para o escatológico em várias vezes, o que não é a característica principal do anti-herói. Talvez seja uma tentativa de realçar o caráter infantil, ainda que não só isso, assim como Shrek II era um filme mais voltado para adultos.
De qualquer forma, a história diverte. A direção de Chris Miller é inferior ao trabalho de Andrew Adamson, mas não ao ponto de ser notável. Na versão brasileira o expressivo talento de Mauro Ramos vai além de fazer um trabalho mais competente do que o humorista Bussunda (falecido no ano passado). Ramos consegue atingir tons que remetem à fraca dublagem do comediante, impedindo que se estranhe ou se sinta falta dele, mas com uma expressividade infinitamente melhor e de uma versatilidade ímpar. Belíssima dublagem.
O ritmo do filme é dado pelas constantes gags dos novos personagens. A cena das princesas invadindo o castelo é ótima, mas não supera a boa relação entre Shrek e Arthur,e, depois, o estreante Merlin. Como má notícia fica o fraco destaque do Burro, o melhor personagem do primeiro filme e que merecia mais relevância na seqüência.
É provável que o Ogro dure mais filmes, já que animações não precisam de atores que envelhecem. Com os novos personagens é provável que haja uma grande sobrevida do personagem e a possibilidade de outros – além do Gato de Botas – sigam em frente. De um jeito ou de outro Shrek Terceiro cumpre seu papel de ser mais um capítulo no conto de fadas definitivo para as gerações MTV e Ipod.
Nota: 8
Bugman vai contar Shrek pros seus filhos...



