100 Balas - Atire primeiro, pergunte depois Tweet

O que você faria se recebesse a chance de se vingar da pessoa que ferrou sua vida e sair ileso como se nada tivesse acontecido?
Essa é a premissa básica de 100 Balas, série escrita por Brian Azzarello e magnificamente ilustrada por Eduardo Risso. Mas a série vai muito além disso, com a trama se tornando cada vez mais complexa com o decorrer das edições. O que parece uma série policial logo no início, com o passar do tempo vai se tornando uma narrativa complexa envolvendo sociedades secretas, espionagem e conspirações de todo o tipo, sem perder o jeitão de uma boa história policial.

Mas estou me adiantando. Essa é apenas a primeira edição, e no primeiro arco acompanhamos Dizzy Cordova, uma ex-presidiária que é abordada assim que sai da prisão por um homem misterioso que se identifica como Agente Graves. O homem oferece uma maleta a Dizzy, dizendo que dentro da maleta ela encontrará provas irrefutáveis sobre quem é o responsável pela morte de seu marido e filho, além de uma pistola e 100 balas não-rastreáveis. Graves diz que a opção de usar ou não a pistola fica por conta da jovem, mas garante que ela jamais será acusada por qualquer uso que fizer da arma, como se nada tivesse acontecido.
Esse é o ponto de partida para uma trama policial muito bem amarrada na qual Dizzy descobre o que realmente aconteceu no seu passado e decide o que fazer quanto ao seu futuro. O arco na verdade serve para apresentar alguns dos personagens principais e levantar as questões que vão percorrer a série: quem é o Agente Graves? Por que as balas não podem ser rastreadas? Qual é a razão de entregar a maleta a uma pessoa em especial? As respostas ficam para as próximas edições. Fechando a revista, uma história curta de 8 páginas que resume perfeitamente o espírito da série.
O roteiro e os diálogos do Azzarello são bem bacanas, mas o destaque da edição é mesmo a arte de Risso. Seu traço é um tanto caricato e econômico, mas com poucas linhas ele é capaz de construir um mundo absurdamente verossímil e expressões faciais marcantes. Junto a isso, o desenhista trabalha de forma muito interessante o leiaute das páginas. Mas o que me agrada mesmo são as pequenas narrativas secundárias, cenas mudas que ajudam a construir o universo de 100 Balas e que adicionam mais uma pequena história dentro da história principal (outro quadrinista que adorava fazer isso – num estilo completamente diferente, é claro – é o imortal Carl Barks).

O trabalho editorial da Pixel Media está ótimo. A capa está bonita e limpa (acho que eles ouviram as reclamações sobre a primeira Pixel Magazine), o papel e a impressão são de qualidade, a tradução foi bem feita, ainda mais considerando a dificuldade de adaptar as gírias usadas na revista. A revista ainda inclui um prefácio de Jim Steranko e outro dos editores brasileiros, além de um checklist da Pixel Media no final. E ainda tiveram a manha de colocar a única página dupla do arco bem no meio da revista (onde os grampos ficam visíveis), pra não correr o risco de prejudicar a arte.
A única falha mais grave foi a ausência de um "N° 1" ou "Primeira edição" na capa, já que pouca gente sabe que esse é o primeiro arco de 100 Balas, mesmo entre os leitores de quadrinhos. Além disso, essa série tem um grande potencial de atrair leitores que normalmente não lêem quadrinhos, então o número 1 na capa certamente ajudaria a vender.

100 Balas – Atire primeiro, pergunte depois tem 84 páginas em papel LWC e custa R$ 8,90. É um ótimo preço por uma revista adulta contendo uma única série, considerando que 52 páginas de Hitman há alguns anos saíam por R$ 7,90. Pena que a Pixel resolveu lançar outras ótimas séries, como Authority, Planetary, Freqüência Global e Fábulas, dentro da Pixel Magazine ou em edições já adiantadas. Se essas séries fossem publicadas do início nos mesmos moldes de 100 Balas, iriam todas pro cofre.
Nota: 10



