Das Antigas: Homem-Aranha 2 Tweet
Dois anos depois do primeiro filme, Sam Raimi tinha um desafio ingrato: conseguir repetir o mesmo sucesso com um orçamento maior e expectativas muito superiores.
O primeiro ponto positivo para a direção é conseguir fazer as coisas mudarem. Homem-Aranha 2 não é simplesmente uma aventura de Peter Parker. É a seqüência de sua vida, ou seja, as coisas realmente evoluíram, ou melhor, mudaram.
Adultos de classe média passam pela difícil fase de transição especialmente ao entrarem na Universidade. É a época que ninguém mais passa a mão na sua cabeça ou sente pena de você. Quer ser químico e não tem dinheiro? Vire-se.
E se você for um super-herói que precisa salvar vidas humanas e entregar pizzas. Será que consegue? Quantas vezes você já não teve a sensação de que por mais que se esforce todas as coisas dão errado ainda que isso seja injusto? A vida de todos é difícil, a diferença é que Raimi consegue comprovar como a de um super-herói pode ser...Superdifícil!
E quando as coisas estão difíceis o que a maioria das pessoas menos imaturas faz? Foge, corre, evita etc. Então, em seu subconsciente, Peter simplesmente recusa seus poderes (a forma como o diretor explica isso ao espectador é de uma sutileza genial) e passa a ser apenas uma pessoa sem poderes e isso torna as coisas mais fácil, certo? Errado.
Por mais que o aranha tente ser Peter ele sabe que precisa voltar a ser o aracnídeo. Caso contrário, o próprio Peter - sua vida e seus amigos estarão ameaçados. Emblematicamente, ele confirma isso no momento em que quase consegue o que Peter mais quer.
Novamente, Raimi usa as relações paternais como eixo central do filme. O dr. Otto Octavius é mais uma figura paterna que inspira e ao mesmo tempo aterroriza o Homem-Aranha. Mais do que isso: se Homem-Aranha 1 era uma referência a Super-Homem, o filme, Homem-Aranha 2 é uma referência ao primeiro filme.
Se no primeiro o aranha mata acidentalmente o Duende Verde, neste o próprio Dr. Octopus percebe sua loucura e corrige seus erros. Da mesma forma, Parker e Mary Jane são levados ao mesmo ponto do primeiro filme e Peter repete sua escolha. Mas esta não é uma escolha só sua.
O fascinante na evolução do herói é que no primeiro filme, o espectador luta, sente, chora e quer ser Peter. Por isso, se a inédita escolha do último final surpreendeu e convenceu a todos de que se tratava de um grande filme, neste segundo por mais piegas que seja o final...ele também convence!
O motivo? São décadas de identificação e torcida. Ver Mary Jane dizendo que quer ficar com Peter não é piegas. É como o gol do seu time que não sai, passar no vestibular...É como a garota que você sempre quis namorar dizer: eu te amo, quero ficar com você e que tudo mais vá para o inferno.
Quer coisa melhor do que isso?
Curiosidades:
- Tobey Maguire quase não esteve no filme. O ator quase teve uma hérnia de disco após as filmagens de Seabiscuit onde montava em um cavalo e chegou a achar que não poderia se preparar fisicamente para o filme. Na ocasião, chegou a se comentar que ele tentava negociar um salário maior, mas ele realmente teve problemas médicos.
Felizmente, ele esteve recuperado a tempo apesar dos boatos que colocaram Jake Gyllenhaal como seu substituto. Curiosamente, o ator de Brockeback Mountain não só era fisicamente semelhante como namorava com Kirsten Dunst na época.
- Outro problema físico, dessa vez no pulso, fez com que as filmagens fossem adiadas em dois meses. Um indício de que a preparação física do filme era pra lá de extenuante. Mas o cachê de US$ 17 milhões que Maguire recebeu deve ter ajudado.
- Se a possibilidade de Robert de Niro encarnar o Dr. Octopus agradou muitos nerds, a mera suposição de que Robin "Uma Babá Quase Perfeita" Willians também poderia estar como Otto Octavius fez vários fãs enfartarem.
- Raimi assinou para este filme um mês antes do lançamento de Homem-Aranha 1.
Bugman também chorou neste segundo filme feito uma camponesa orfã...



