As Tartarugas Ninjas – O Retorno Tweet

Ontem à noite, eu, Change, Ultra, Nerd Reverso, e Leo vimos este filme, e enquanto esperava o filme começar e aqueles nerds desgraçados calarem a boca, entrei em um dilema: será que gostarei de As Tartarugas Ninjas – O Retorno? Será que terei que ter aquela visão de criança para curtir, ou poderei ver como o nerd marmanjo que sou (apesar de continuar sendo uma criança)? A resposta depois dos nossos comerciais.
Interromperei esse Nós Vimos para falar um pouco de mim, se não gostou, vá amolar outro que eu tô doido para desabafar isso que nem bêbado que levou um pé-na-bunda!
Quando eu era criança (tudo bem, eu continuo uma criança, mas vocês já entenderam isso faz tempo) eu gostava muito de As Tartarugas Ninjas! MUITO! Fiz a Mamãellandra atravessar o Rio de Janeiro para me arrumar a fita do primeiro filme, assisti o segundo até o cu fazer bico, via e gravava todos os episódios que passavam no TV Colosso, e comprava todos os bonecos que passava pela minha frente (eu tenho até a coleção em que eles estão de monstros da Universal para vocês terem uma idéia!!!). Mas algo mudou quando fui assistir As Tartarugas Ninjas 3, apesar de ter só 7 anos, eu já não olhava aquelas quatro tartarugas com os mesmos olhos, e até fiquei um pouco constrangido em certas cenas. Logo o desenho saiu da grade da Globo por mágica, e eu esqueci daqueles personagens.

Mas eles quiseram voltar!!! Sim... primeiro foi com o seriado live-action que tinha uma tartaruga fêmea. Uma vergonha só, não consegui acompanhar nem 10 minutos, e aquela bodega não teve uma temporada direito. Revi o antigo desenho e o segundo filme, e também os larguei pela metade. Era idiota demais! Será eu virei um rabugento exigente?
Todas as minhas esperanças se voltaram para a nova animação que teve na TV, onde diziam que se inspiraram nos quadrinhos em vez de no desenho... porra nenhuma! Achei chato, massudo, e idiota (é aquele negócio: por que o Leonardo usa espadas se ele não corta ninguém?). Então quando veio essa animação 3D para os cinemas, eu já tava achando que eu não gostaria do filme, e que sou um resmungão mesmo.
Só que eu me enganei completamente!!! O filme é do cacete! Do cacete mesmo! Fazia tempo que não saia tão empolgado assim de um filme (e olha que eu vi 300 na semana retrasada!)!!! Desde já digo que é Nota 10! Faça um favor a você mesmo e pare de ler o post aqui, agora que você já sabe a nota, pois estou muito empolgado e vou escrever até sair tinta do meu teclado.

Bem, a história começa alguns anos depois das Tartarugas Ninjas derrotarem o Destruidor ("aonde? No desenho, no filme, ou nos quadrinhos?" Não importa, prego, cala a boca e presta atenção). Mestre Splinter (Gileno Santoro) mandou Leonardo (Mauro Eduardo) para a América Central para treinar e tornar-se um líder melhor. Como a equipe está "de férias" e eles precisam de dimdim para comprar a pizza nossa de cada dia, Donatello (Márcio Araújo) virou um suporte de telemarketing (hahahaha! Genial!), Michaelangelo (Yuri Chesman) um animador de festa infantil "fantasiado" de tartaruga, e Raphael (Renato Soares), como todo filho do meio, tornou-se um vida torta, um vagabundo, que só dorme o dia inteiro, mas a noite sai como o Vigilante Noturno, sem o consentimento de seu mestre.
Enquanto isso, April O'Neil (Márcia Regina), a arqueóloga ("ué? Ela não era repórter do Canal 3 ou 6 ou assistente de cientista?" Era, mas mudou de novo, e já te mandei ficar quieto) vai até a América Central atrás de uma estátua de pedra que um milionário quer muito, e aproveitou que estava de passagem foi tomar um chopp com Leonardo e pedir para ele voltar a New York.
Depois sabemos que esse milionário na verdade é um imortal que por causa de uma maldição liberou 13 monstros e transformou seus generais em pedras (sim, a estátua que April pegou é um deles).
Sem saber disso, Leonardo resolve voltar para sua casa, onde ele deve reagrupar seu time após anos separados, e resolver a pindaíba que Raphael tem com ele desde que ele retornou.
E pronto! Vou parar por aqui, se não conto o filme inteiro. Só quero citar os erros e acertos:

Primeiro, não gostei nem um pouco desse negócio da April O'Neil ser mais uma "Lara Croft-Indiana Jones-Porradeira" da vida. Tudo bem que ela nunca teve um emprego fixo nas séries, mas também não é porque Sarah Michelle Geller, a Buffy, dublou a personagem no original, que a April tenha que se tornar a "atriz". Forçaram a barra!
Outra é que Donatello e Michaelangelo apareceram muito, mas muito pouco mesmo. Só uma aparição aqui e outra ali. E já que estamos falando do cascudo que vive com o pau na mão, esse é o único que ficou sem uma personalidade definida. Uma hora era o cientista sério de sempre, e em outras fazia palhaçadas junto com o Michealangelo.
E a dublagem brasileira, apesar de eficiente e de ser quase a mesma que a do novo desenho (só mudaram o dublador do Mestre Splinter), ainda me dá aquela sensação de não identificação com os personagens. Nós, que somos da geração dos anos 80/90, estamos acostumados com as vozes originais do desenho antigo, e daria um ar muito mais notálgico se chamassem esses dubladores no lugar.
E só! Chega de reclamar! Vamos falar das coisas boas!

O relacionamento do Mestre Splinter com as tartarugas ficou excelente! Eles chamando o ratinho de pai e ele as tortuguitas de filho ficou muito mais legal que aquela mera relação mestre-sensei de antes.
O roteiro de Kevin Munroe não é nada que se diga "nossa! Que genialidade! É a melhor aventura das Tartarugas Ninjas já escrita!", mas funciona muito bem! Porque a história na verdade não precisa ser grande coisa, quando você percebe que as Tartarugas Ninjas voltaram de verdade!!! Vê-las em ação que é o maior barato!
E que ação, meu amigo! Não acontece aquelas bobagens nos últimos filmes live-actions, onde as lutas foram trocadas por estripulias de Os Trapalhões. Não. O pau canta bonito no filme! Eu fiquei embasbacado com a cena onde o grupo sai pela primeira vez depois de tanto tempo, e a luta no telhado. Fantástico!
A direção de Munroe foi extremamente competente. Trouxe as tartarugas em grande estilo para o nova geração de molequinhos pentelhos, e deixando muito felizes os nerd tiozões que curtiam antigamente.
Um filme com F maiúsculo. Saí do cinema pra lá de satisfeito e com a barriga estufada.
Nota 10!



