Borat, por Bugman Tweet

Você pode dizer que essa crítica demorou demais para ir ao ar, mas há filmes que jamais estão velhos para serem notícia. Este é um deles.
Após Peter Brooks e outros gênios consagrarem o estilo norte-americano de se fazer comédia os filmes de humor dos EUA estão em um marasmo deprimente com paródias fraquíssimas e filmes que abusam do humor escatológico onde um peido gera um riso e menos neurônios.
Nesse contexto, Borat é o exemplo cabal que se os EUA desaprenderam a fazer humor, sempre existirá quem saiba fazer piada com eles. O filme é um pseudocumentário focado em Borat (o inglês Sacha Baron Cohen) que viaja para os Estados Unidos com o objetivo de descobrir mais sobre os costumes da (estranha) Terra da Liberdade. Nuts!
Acompanhado de seu produtor Azamat Bagatov (Ken Davitian), o repórter revela não apenas as faces da prepotência, intolerância e...Incapacidade de rir dos norte-americanos. O filme é quase como os meus posts: finge que é sério, mas sem se levar a sério. Até mesmo a própria escatologia tem seu espaço em uma das cenas mais bizarras e engraçadas de luta.

O personagem foi criado para um programa de TV norte-americano Da Ali G Show. O filme levou a polícia a ser chamada 91 vezes e custou 18 milhões de dólares. Sacha chegou a ser interrogado pelo Serviço Secreto norte-americano. Aliás, Borat foi, já que o ator continuou interpretando durante o interrogatório.
A câmera pseudocumental apóia-se no talento irascível e inegável de Cohen, ator fantástico capaz de segurar cenas que não são ensaiadas e sequer são feitas por atores, já que na maior parte do tempo as pessoas realmente crêem em um documentário sério.

Daí para os conservadores na mesa de jantar, o preconceituoso norte-americano que não curte bigodes ou gays e os bêbados universitários ganharem até de uma celebridade norte-americana é um pulo.
O comportamento primitivo do segundo melhor repórter do glorioso Cazaquistão remete ao classico conceito do bufão, do louco, do clown: aquele que pelo riso ou pela troça tem a coragem de dizer o que os mais sérios não têm. Pela graça consegue fazer outros entenderem. Borat, o estrangeiro, revela-se menos insano que todos os personagens ditos reais. Em seu delírio é capaz de enxergar o que a hipocrisia dos norte-americanos é incapaz de ver.
Sua história é mais do que uma crítica aos costumes norte-americanos (isso o Michael Moore já faz) é uma Comédia com "C" maiúsculos, de um roteiro irretocável e com atuações brilhantes (se a Academia fosse séria, indicaria Sacha ao Oscar). É mais do que imperdível é para aplaudir de pé a genialidade de quem prova que o riso é melhor do que a lágrima. Exceto quando você chora de tanto rir.
Nota: 10
Bugman chorou de rir com Borat



