Brian K. Vaughan responde Tweet

Não é o Morrison nem o Bendis, é o BKV mesmo
Por que ele deixou Fugitivos? O que ele pensa sobre Lost? Por que esses escritores de quadrinhos são todos carecas? BKV responde tudo na WonderCon.
Semana passada a cidade de São Francisco, nos Eua, recebeu a WonderCon, uma das 472 convenções de quadrinhos que ocorrem todo ano lá na terra do futebol jogado com as mãos. E foi lá que um dos roteiristas mais cultuados do momento participou de um painel em que respondeu perguntas dos fãs. Confiram as principais declarações do careca.
O início na indústria dos quadrinhos: Havia um editor da Marvel Comics, James Felder, que chegou à conclusão de que a indústria havia se tornado muito incestuosa, por assim dizer. Na Marvel, os escritores eram ex-editores, que eram ex-editores assistentes, que eram ex-estagiários. Então eles disseram "Vamos na Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês) e achar, se existirem, pessoas com treinamento clássico em escrita". A NYU não via os quadrinhos com bons olhos. Tivemos que nos encontrar em segredo, estilo Anne Frank, mas Felder e a Marvel me ensinarem os acertos e os erros na escrita de quadrinhos.
A saída de Fugitivos: Adrian (Alfona, co-criador e desenhista da série) e eu sentimos que este último arco, que saiu há pouco (nos Eua), foi o melhor que fizemos até então. Tínhamos mais idéias do que fazer depois disso, mas elas não eram tão boas quanto o que já havíamos feito. Como estávamos sempre por um fio, sabíamos que seria o fim da revista se fizéssemos algo abaixo do nosso melhor. Então pensamos "talvez devêssemos passar a bola para outra pessoa, alguém novo pra quem pudéssemos passar o título adiante". Quando Joss Whedon mostrou interesse, achamos que era uma oportunidade boa demais pra recusar.

Outros autores escrevendo criações de BKV: Joss Whedon sempre foi uma influência pra mim em Fugitivos e tê-lo escrevendo a série é algo que ainda não faz sentido pra mim. É como se George Clooney entrasse pro elenco de Scrubs; é legal e até faz sentido, mas por que ele faria isso? Além disso, Brian Michael Bendis tem grandes planos pra outro personagem que criei, The Hood (que saiu pelo selo Max nos Eua). Costumo dizer que ter Bendis e Whedon escrevendo personagens que criei é como ter os filhos adotados por Brad Pitt e Angelina Jolie; é triste deixá-los, mas sei que seus novos pais são famosos, ricos e vão cuidar muito bem deles.
Y, O Último Homem e as suas mulheres: Quando eu escrevia o Monstro do Pântano, ninguém perguntou "como você escreve uma planta falante?", mas agora toda hora me perguntam "por que você escreve mulheres que não são idiotas?". É perturbador pensar que essa não é a norma nessa mídia. Nunca pensei que isso era uma missão política ou coisa do tipo. Eu só escrevi pessoas como as pessoas em minha vida, minha esposa, minha mãe e minha irmã.
As pessoas também presumem que Pia (Guerra, co-criadora e desenhista da série) e eu contribuímos de forma estereotipada para essa revista. Mas Pia gosta de desenhar pessoas pilotando motos e quebrando janelas e eu gosto de pessoas falando tranqüilamente.
Além da série Lost, os próximos projetos de Brian K. Vaughan incluem uma edição de Midnighter (a revista solo do Meia-Noite, do Authority) da Wildstorm, uma história para a HQ Buffy da Dark Horse e algo que ele definiu como "uma coisa maluca com o Wolverine" (junto com Eduardo Risso, desenhista de 100 Balas) para a Marvel.
Fonte: ComicBookResources



