007 - Cassino Royale, por Man, Bugman (não canso da "piada"...) Tweet

Um amigo me descreveu Cassino Royale como o filme de um "James Bond Ultimate". Não encontro definição melhor.
Como vocês sabem, falei muito mal desse filme aqui, aqui e aqui. Para mim era batata que o filme seria um horror e um desrespeito com os fãs e com o personagem, tornando-se um apócrifo para ser esquecido. Não posso deixar de dizer que minha certeza era tanta que fui ao cinema com a convicção que estava faltando a última coisa que faltava para acabar com o filme neste espaço.
Antes de mais nada, é bom lembrar que os filmes de James Bond se baseiam em uma época mais distante onde a geopolítica capitalista enfrentava o socialismo. A partir da queda do regime soviético, Bond procurou outros inimigos. O problema foi buscar o que o ícone Bond, o que ele representava, iria enfrentar. Como a modernidade ocidental e capitalista encontraria qualquer antagonismo para se sobressair, quando os antagonismos ao capitalismo praticamente morreram?

Bond querido, porque não fala comigo?
Por isso mesmo, os filmes mais recentes, como os estrelados por Pierce Brosnan, eram muito mais um exercício Hollywoodiano do que uma defesa dessa modernidade, já superada. No mundo da internet, da globalização, da China capitalista-comunista, um espião britânico com seus brinquedos e ações impossíveis não perdia seu sentido – isso nunca vai perder – mas não partilhava do mesmo impacto que seus antecessores. Mesmo porque desde Sean Connery o personagem não tinha um ator de grande valor.
Daí a escolha de Daniel Craig seria para trazer o personagem ao novo mundo. Não há espaço para brincadeiras quando o que está em jogo não é política, mas terrorismo. Sem piadas, sem charme e sem "Hollywoodismos". Não há espaço para a espionagem romântica.
Apesar disso, o filme tem lá seu lado maniqueísta com vilões totalmente malignos, mas consegue se safar com um roteiro competente e criativo que usa bem suas reviravoltas. O ponto fraco é uma certa perda de ritmo em alguns momentos, o que faz a história parecer mais longa do que é.
A direção de Martin Campbell é o ponto forte do filme. Ele já revitalizara a franquia em 007 Contra Golden Eye, mas faz um trabalho espetacular neste. Cenas de ação absolutamente verossímeis, boas interpretações e a capacidade de tornar um jogo de pôquer cinematograficamente tenso não é para qualquer um. Se alguém merece aplausos pelo filme não tenha dúvidas de que esse alguém é Campbell, o grande artista de Cassino Royale.

Desculpe amor, jurei que estávamos fazendo um 69. Claro que acho você lindo, meu bem. Gutti, gutti...
A grande dúvida da festa porém é Daniel Craig. Será que o 007 Tiririca convenceu? O ator deu um tom mais sombrio ao personagem, mas sem exageros, tornando o sarcasmo mais ácido e a coragem menos heróica. Um personagem que é o que é muito menos pela simbologia de representar o imaginário máximo masculino (todo homem quer ser herói, salvar o mundo e ter as Bond Girls enquanto isso. O personagem sempre foi uma metáfora do homem-impossível, e não falo do Mcsplsei lá o quê da Marvel) e muito mais pela necessidade de que alguém deve fazer o trabalho sujo.
Se Craig não é o extremo oposto do que esperavam dele também está longe de ser um Bond patético. Palmas para o talento que superou a estética e calou a boca de muita gente. A minha inclusive.

My London, London...
Eva Green (Vesper, foto acima) consegue convencer como Bond Girl, embora a exuberante Caterina Murino (Solange) er... chame muito mais a atenção. Mads Mikkelsen (Le Chiffre) é o segundo melhor ator do filme, atrás apenas do astro Craig.
A ausência de John Cleese é uma pena, mas dá para entender que esse era um filme para se começar do zero e não ter nenhuma referência aos anteriores. Se Cassino Royale traz outro personagem para o cinema, não duvide que esse personagem é Bond.
Como nem tudo são flores, espera-se que Campbell crie uma introdução dos créditos melhor do que esta para um próximo. Deu vontade de rir de tão tosco.
Nota: 9 (sim, eu errei).
Bugman admite erros. Ou não...



