Melhores do Mundo

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Ago 31

TOPDOG #6

Plutão rebaixado pra segunda divisão... Vixi!!

E aí MDManos e MDMinas – melhorou agora, né?? Sim, mas isso é sugestão dos “chefões” aqui do MDM, hehehe! Nessa semana, eu retorno com a Turma da Mônica e outras cositas mais... Vou fazendo assim, alternando nas entrevistas e matérias e, a de hoje, está bem interessante também! Por isso, sem mais “embromation”, vamos em frente...

Dica Literária: A Volta do Parafuso

Esse livro de horror/ suspense é do cagalho!! Henry James é O escritor!! “Uma amusette para fisgar os não facilmente fisgáveis.” Foi assim que Henry James (1843-1916) descreveu, anos mais tarde, este longo conto ou novela inicialmente publicado em série, na revista Collier´s Weekly, em 1898. O “pequeno divertimento” da frase de James, escrito sob encomenda e cuja inspiração proveio de um caso que lhe foi contado numa sombria casa de campo, numa tarde de inverno, tornou-se uma de suas histórias mais populares – ao lado de Retrato de uma Senhora e Daisy Miller.

As três narrativas apresentam mulheres que arrostam seu destino – a diferença reside, em A Volta do Parafuso, no fato de o destino arrostado pela preceptora ser muito mais pavoroso, apesar de, ou justamente por, ele ter sido acaso provocado pela imaginação do personagem. Malgrado as inúmeras advertências, semeadas no próprio enredo e em textos posteriores, poucos leitores “não facilmente fisgáveis” duvidaram da existência das “entidades de ordem lendária, seduzindo suas vítimas para vê-las dançar ao luar” (James não gostava de chamar seus diabretes de fantasmas).

Isso foi até 1934, quando Edmund Wilson reduziu a preceptora a “um neurótico caso de repressão sexual”. Ou seja, a maldade só existiria dentro da mente da (na descrição de James) “moça confusa e ansiosa, saída de um presbitério de Hampshire” e, em menor medida, na de sua cúmplice, a iletrada Mrs. Grose. A polêmica faz recordar o famoso caso do não confiável narrador Bentinho, de Dom Casmurro: Capitu traiu ou não esse representante da elite nacional? E a verdade é que, numa leitura atenta, não se pode saber se houve ou não traição, ou se os demônios de A Volta do Parafuso existiram ou não – está dando pra entender?

O empenho, tanto de Machado de Assis, como de James, está em manter em suspenso esse equilíbrio imponderável, essa dúvida que não pode ser solucionada dentro de uma narrativa que oferece tamanho realismo e tamanha ambigüidade. Não resta dúvida de que é terrível imaginar (pois, com a aridez dos índices externos, o leitor é forçado a imaginar – e a imaginação do leitor, sabia James, sempre sugere horrores maiores do que qualquer um possível de ser descrito) duas crianças em conluio com as forças inomináveis do abismo!
Mas decerto é muito mais cruel intuir que os pequerruchos, com suas artimanhas infantis, apavoravam a sensível preceptora e fizeram abater sobre si mesmos a tragédia da incompreensão. Muito mais cruel para eles e para a preceptora, que se aflige, a certa altura, diante do dilema lancinante: “Não era em direção à claridade que eu parecia flutuar, mas sim a uma escuridão ainda maior [...] pois se ele era inocente, que diabos seria eu?”. James nunca perde de vista essa possibilidade. E não poupa ninguém!

Uma observaçãozinha: o título A Volta do Parafuso é um caso clássico, talvez mundial, de tradução equivocada. A rigor, não diz nada em português. Tighten The Screw, Give The Screw Another Turn e expressões correlatas, significam, em geral, “aumentar a pressão sobre alguém que já se encontra em posição aflitiva”. A expressão lembra o “thumbscrew”, os “anjinhos” – antigos anéis de tortura com que se apertavam os dedos das vítimas.

Curiosamente, existe em português uma expressão equivalente (inclusive com a reminiscência à tortura) – “apertar o torniquete” – que, conforme atesta Antenor Nascentes (Tesouro da Fraseologia Brasileira), quer dizer “pôr em situação difícil quem já não está em boa situação”.

Quem sou eu a propor mudar o título do clássico de James? De forma alguma, jamais faria isso! Henry James, hoje consagrado um grande escritor!
Quem leu esse livro, o comparou com o filme Os Outros, mas saibam, nerds literatos, que é somente no clima e no estilo da época, por que de resto, é completamente diferente – além do que, apesar desse filme ser um dos meus prediletos, o livro é muiiiiiiiito melhor!

Leiam escutando Tourniquet do Evanescence, ou então, o disco todo! Mas, independente disso, LEIAM!

Checklist Agosto – revistas Turma da Mônica:

(Top das histórias que EU mais gostei em cada revista)
PS: uma ressalva, o anterior, era o de julho, esse sim é do mês de agosto!

1) Mônica 242: “Esta Competição é Injusta Demais”, as meninas Mônica, Magali e Denise (uma char secundária) resolvem dar notas aos garotos, por certas qualidades. No entanto, no meio da tal competição, Cebolinha, Cascão e Xaveco, se vêem ofendidos, ao perceberem que Luca é o galãzinho do bairro e tentam imitá-lo a todo custo! Legal!

2) Revista Parque da Mônica 164: “A Princesa da Neve... e do Parque”, uma história com direito a Prólogo e tudo, que traz uma antiga personagem da turminha, a tal Princesa da Neve (que na verdade é um clone da Magali!), invadindo e congelando todo o Parque da Mônica! Roteiro interessante pela idéia da “ressurreição” de uma char antiga.

3) Cebolinha 242: “A Vaca, o Cadarço e o Chá das Cinco”, a melhor do mês!! Histórias em que o Cebolinha contracena com o Louco são sempre hilárias, mas a deste mês supera! Num roteiro, que de primeira vista parece não ter muito nexo e pouca noção, você vai rir pacas, numa história realmente louca, desvirtuada e com diálogos incríveis! A melhor, com certeza!

4) Cascão 463: “Um Hóspede Magnífico”, história interessante, onde um super-herói vai passar uma noite na casa do Cascão, por ele ter ganho num concurso. Entre a curiosidade dele e do Cebolinha e também do ciúme de seu pai, eles descobrem que nem tudo é o que parece...

5) Magali 399: “Eu Também Quero Canhotar!”, Magali, Dudu. O pentelho é destro, a comilona é canhota. Ele também quer ser. O resto é história... e muito boa!!

Universo Mauriciano – parte 4

Voltando para o universo do Mestre, eu lhes apresento Flávio Teixeira, roteirista com mais de 10 anos de MSP (Mauricio de Sousa Produções), é fã número 1 de Star Wars e especialista em qualquer outro tipo de filme de ficção... Bons filmes!

Qual nerd aqui se lembra dos grandes clássicos: Batmenino Eternamente, Horaric Park, Comandante Gancho, Coelhada nas Estrelas e outros do falecido “Gibizão da Turma da Mônica”! Todos roteirizados pelo gente fina Flávio, também responsável pelo Você Sabia? e Clássicos da Literatura, ambas revistas da MSP.

Um famoso e emocionante roteiro do Flávio, que foi muito elogiado no ano passado e que agora consta na seção de histórias antológicas do site da turminha, vejam aí:
www.monica.com.br/historias-antologicas/welcome.htm

Agora, leiam abaixo, a entrevista realizada com Flávio Teixeira:

Flávio Teixeira (roteirista da Turma da Mônica)


Esse é o Flávio Teixeira

DOG: 1) Como você entrou para a MSP?
FT:
Eu entrei nos fins de 1990....
Eu tinha saído da Animação (Start Desenhos Animados), onde trabalhava como intervalador e vim parar na MSP por indicação de um amigo...
Ia tentar o Desenho Animado na Black & White (empresa de animação do Mauricio na época), mas daí pediram pra eu fazer um teste de roteiro e aqui estou eu...

DOG: 2) Entre seus 30 desenhistas prediletos, pra você, qual é O bambambam?
FT:
Eu sou fã de Bill Waterson, Manara, Uderzo, Giorgio Cavazanno, Alex Ross,Alex Toth, Ivan Reis, Bruce Timm..
Olha... É difícil ter um só... Todos eles são ótimos , e cada qual com seu estilo próprio.

DOG: 3) Quais roteiristas você curte mais?
FT:
Definitivamente, Goscinny me influenciou muito, principalmente pelo tipo de humor e trocadilhos.
Não tem igual... Claro, não poderia esquecer Mark Evanier que escreve Groo, que também é genial.

DOG: 4) Quais os 5 melhores títulos de quadrinhos no mercado?
FT:
Ultimamente tenho lido mais DC que Marvel, portanto a lista vai ficar um tanto, tendenciosa a Detetive Comics... Hehehehe...
Então vamos ao que li recentemente:

1) Nova Fronteira – Darwyn Cooke e David Stewart
2) Superman – O Legado das Estrelas – Leinil Francis Yu e Mark Waid
3) Crise de Identidade – Rags Morales e Brad Meltzer
4) O Invencível Homem de Ferro – Extremis – Adi Granov e Warren Ellis
5) Hellboy – Contos Bizarros - vários artistas.

DOG: 5) Quais os 5 melhores personagens da turminha?
FT:
Quais foram os 5 melhores Jogadores do seu time do coração?
Difícil né? Cada um tem sua escalação e todos tem seu valor..
Eu gosto de todos, como um pai ! Só que, como o Mauricio é o pai, então eu fico assim, meio... Tipo um tio bem coruja! Hehehehe!


Flávio e seu Clone!

DOG: 6) Qual história sua você considera a melhor?
FT:
Tenho meus xodós claro, mas aqui deixo a resposta clássica, batida, surrada de sempre... A melhor história é aquela que ainda está por vir...

DOG: 7) Você acha que o mercado de quadrinhos no Brasil vai ou não vai?
FT:
Já foi, já veio... E vai sim... Uma hora vai... Aliás, tá indo.
Acho que existe muito preconceito das próprias pessoas aqui de dentro, contra o quadrinho Nacional. As pessoas compram herói americano, mas acham ridículo se o herói for nacional. Por que?
Também gostaria de saber, já que temos tantos talentos por aqui.
Herói mesmo, é o Mauricio de Sousa, que conseguiu chegar onde chegou,furando esse bloqueio e vencer no mercado Brasileiro.

DOG: 8) Descreva seu dia-a-dia e seu modo de trabalho:
FT:
Cada um tem seu jeito de criar e desenvolver um roteiro. Eu gosto muito de pesquisar.
Mas tudo pode ser um bom motivo pra um roteiro, desde uma conversa até um filme que acabou de sair no cinema.


Flávio entre amigos!

DOG: 9) O que podemos aguardar de histórias pra turminha, vindas de você? E em que pé está a sátira de Lost?
FT:
A sátira de Lost está sendo produzida no momento. Só posso dizer que já foi desenhada.
O que esperar das historias que eu escrevo? Eu é que espero... Espero que vocês se divirtam...

DOG: 10) O Mauricio de Sousa para Flávio:
FT:
O Mauricio é tudo um pouco, é Gênio, é Pai, é Amigo... E vive nos surpreendendo com sua criatividade e vitalidade todos os dias.

DOG: 11) No futuro, você topa outra entrevista pentelha como essa?
FT:
Se eu não levar uma coelhada primeiro....Hehhehhe!
Abraços!


Coleção de Tauó!

Obrigado pela entrevista, Flávio. Até mais!

Pessoal, eu vou, mas eu volto! Quem curtiu, comenta aí... Fui!

Frase DOG da semana: Conto é o desafio de em poucas páginas tramar e desenrolar uma história, e não deixar ponto sem nó.

Douglas “The DOG!” M. Comito
Desenhista, Roteirista, Escritor, também é Sidekick do Bugman, BadKarma do Spider e futuro escritor de dark fantasy reconhecido mundialmente!


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