O Livro do Vento Tweet

Dois lados lutam pelo poder no mangá que pode ser considerado uma síntese do século XX... Quando na verdade é apenas um prefácio para o maior acontecimento do século passado. Detalhe, se passa em 1649.
:: O Livro do Vento - Os manuscritos secretos da família Yagyu
Texto: Kan Furuyama; Arte: Jiro Taniguchi

Um documento muito importante é roubado da família Yagyu. Agora, Jubei Yagyu deve recuperar os escritos e impedir uma guerra civil entre o xogunato e o ex-imperador. O problema é que o ex-imperador tem sob seu comando um exército que luta sob o desejo de ver renascer o verdadeiro Japão. E é esse o segundo discurso mais importante do mangá.
Envoltos pelo desejo do ex-imperador de voltar ao poder, ronins, ascetas, populares entre outros se armam contra os soldados do xogum. Todos defendem com unhas e dentes a idéia de um Japão forte e soberano sob o signo das tradições do país. Por que esse é o segundo discurso mais importante do mangá? Porque, dentro do contexto da revista, se assemelha muito às idéias dos líderes populistas da primeira metade do século XX. Um discurso dogmático que tenta convencer com promessas de uma vida nova baseada em utopias repletas de mentiras.
Ao mesmo tempo, temos o outro lado da moeda. O lado que apenas deseja manter-se no controle. Quem está certo? Cara ou coroa? Aí entra o discurso mais importante de O Livro do Vento: "não imponha sofrimento e agonia ao povo só para manter a glória da nação". Esse é o trecho mais importante do documento protegido durante séculos pela família Yagyu e que, segundo desejo e Jubei, deveria ser entregue no momento certo para alguém que o usasse com sabedoria. E foi.

Quando usado, o xogunato acabou e o poder retornou a família imperial. O uso desse aparato ideológico "fez o Japão renascer como um país divino, centralizado na família imperial". O problema, segundo o próprio autor do mangá, foi a deturpação desse mesmo aparato ideológico no século XX. Por isso podemos considerar um prefácio do maior acontecimento do século passado: a Segunda Guerra. Kan Furuyama fez um ótimo trabalho ao escrever o mangá.
A arte de Jiro Taniguchi é bem interessante, mas sem rítimo. Ele detalha tanto os golpes que parece que estamos lendo um manual de golpes de samurai. Uma estética totalmente anti-mangá, mas nada que comprometa a ótima história.
O Livro do Vento tem 240 páginas, papel pisa brite, formato 13,7 x 20 cm. A distribuição é setorizada e o mangá custa R$14,90.
Nota 9,5



