Demolidor #30 Tweet

Brian Michael Bendis prova que há esperança para unlimited series, ou seja, histórias que nunca acabam. Seu Demolidor é uma das melhores coisas que já li na vida e, sem dúvida alguma, está no mesmo nível da clássica fase de Frank Miller e David Mazuchelli. Como se não bastasse isso, a revista ainda conta com outras boas histórias do Pantera Negra e do Justiceiro.

Decálogo – Parte 1
Por Brian Michael Bendis (Roteiro) & Alex Maleev (Arte)
Eu fico muito feliz de ser vivo para poder ver o trabalho de Maleev. Juro. Ele pode ser para a arte dos quadrinhos tudo que Grant Morrison foi e é para os roteiros. É simplesmente inacreditável seu domínio de movimento, sombras, feições etc. Faz você ter idéia de como seriam histórias em quadrinhos desenhadas por Leonardo Da Vinci.
Não fica muito atrás as cores de Dave Stewart. Certos quadros dão literalmente a impressão de terem sido artesanalmente pintados em meses. Os caras não são bons. Bons são os outros, eles são brilhantes.
Dançando conforme a música está Brian Bendis, a melhor coisa que já ocorreu para os personagens da editora. Após uma saga que revolucionou o personagem revelando publicamente sua identidade, Bendis criou uma saga com uma trama sem muitas reviravoltas - na qual Maleev explicou por que os quadrinhos são arte sem dizer uma só palavra. E agora o que o autor faz? Manda uma história do Demolidor sem o Demolidor, exceto em flashbacks.
Pessoas de uma igreja da Cozinha do Inferno conversam sobre o Demolidor e sua nova decisão de mandar na Cozinha. Destaque não apenas para as situações, mas para a tensão entre os personagens.
Nota: 10, quando crescer eu quero ser as mãos de Maleev.

Quem é o Pantera Negra? – Parte 2
Por Reginald Hudlin (Roteiro) & John Romita Jr. (Arte)
O Pantera Negra sempre foi um personagem meio naquela onda "politicamente correta". O desperdício injustificável parece finalmente ser compensado. Diferente de buchas como o Falcão, o regente de uma nação africana superdesenvolvida não poderia jamais ser desprezado.
O roteiro de Hudlin é competente. A ótima reformulação do herói bebe na fonte do Fantasma de Lee Falk, mas sabe se diferenciar com todo o aspecto realista que a Marvel curte. Desavenças familiares sempre serão piores se você é de uma família real, especialmente se primos podem superar os primogênitos. Ação e drama na medida certa. E estamos só começando.
Quanto à arte... Bom, você viu lá em cima? É Romita Jr., cara... E ele é foda.
Nota: 9,0

Mãe Rússia - Parte 5
Por Garth Ennis (Roteiro) & Dougie Braithwaite (Arte)
Eu não curto muito os desenhos de Braithwaite. Parece exagerado o "enfeamento" que ele faz de todos os personagens, da mesma forma que o "encorpamento" que Jim Lee desenha. O lado bom é que em movimento, sombras, tiros e tudo mais ele é muito, mas muuuuito mais realista do que seu colega.
Nesse aspecto, o Justiceiro está bem servido. Nada de chutes com aberturas impossíveis, Frank Castle é do tipo que quebra uma perna para acabar com alguém. Destaque para como ele derrota o sentinela que o vigiava.
Sobre roteiros: impressionante como Garth Ennis sempre traz mortes e mais mortes e não cansamos. Isso me lembra de quando Albert Einstein e Freud trocaram cartas sobre nosso desejo de autodestruição. Acho que curtimos ver violência mesmo...
Nota: 8,0
Blogman quer escrever um décimo do que Maleev desenha...



