Melhores do Mundo

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Jul 16

Superman - o Retorno
por Blogman

Uma passagem bíblica moderna sobre um boneco de cera com superpoderes e a mulher-testa. E que testa...

Ah sim...Tem spoilers. Lê depois de ver o filme, tá?

[Mais:]

Tim Burton, McG, Wachowski, M.Night Shyamalan e outros nomes foram cotados para a direção de Superman, o retorno. Tudo foi para as mãos de Bryan Singer com a produção de Richard Donner, diretor do primeiro filme. Infelizmente, o destino impediu que Christopher Reeve, o eterno Super-Homem, completasse o time. Felizmente, a equipe teve sensibilidade e lhe dedicou uma sincera e justa homenagem nos créditos (ele merece! Ele merece!).

Depois que astrônomos descobrem onde ficava o antigo planeta onde nasceu, o Super-Homem resolve retornar a Kripton e se certificar que o planeta realmente morreu. Após esse exílio de cinco anos, o Super-Homem está de volta para um mundo que parece não precisar mais dele. Onde Lois Lane tem um filho e um marido que se despede ao ir embora. Será que ele não tem mais razão para permanecer ali?

Esse argumento pode ser interpretado sobre diferentes prismas. Os EUA e seus valores parecem desajeitados demais nos tempos modernos e são, diariamente, confrontados com a hipótese de que não servem mais para o mundo. O messias que abandonou seus protegidos e agora precisa lutar para provar que sua existência faz sentido. O herói que embarcou em um rumo errado de sua jornada e agora deve compensar este erro. Não há como negar que Singer, Michael Dougherty e Dan Harris, roteiristas, foram geniais na trama, absolutamente original que criaram.

Apesar disso o filme possui seus pontos fracos. Um deles, conforme Spiderblog escreveu é a falta de verossimilhança na premissa do Super-Homem abandonar a Terra. Não é exatamente um problema de roteiro, mas de direção. Não há um momento que Brandon Routh dá a entender que Kal El estava desesperado em busca de respostas. Parece que ele acordou um dia, teve a idéia e foi. Quando lembrou da Terra - "duh" - ele voltou. Comparando com o incomparável, o Super-Homem de Donner tinha diversos momentos em que a sua solidão e a falta que seus pais lhe faziam era nitidamente exposta. Que tornava justificável uma atitude extrema como retirar seus poderes para não ser sozinho.

E vem o grande desafio do filme. Singer optou - sabiamente - que não poderia desprezar os primeiros filmes, mas ao mesmo tempo, tinha a visão de que não poderia ignorar as platéias que não o viram. Por isso, seu filme precisava se equilibrar entre as referências e as novidades. Me parece que o diretor ficou meio perdido nesse balanço. A história ora caminha com as próprias pernas e ora repete coisas que já foram feitas (como assim uma mulher sacaneia o Lex Luthor de novo? E o Super-Homem quase morre afogado com Kriptonita enquanto o mundo está em perigo novamente?).

Para se ter uma idéia, os momentos mais emocionantes não são de Superman, o Retorno, mas de Superman - O Filme. O filme de Singer comove de verdade em poucos momentos. Na maior parte do tempo, apóia-se na voz de Jor-El (Marlon Brando), na trilha sonora original (que comoveria até se fosse Luciano Szafir de Super-Homem) e entre outros elementos que não são cria deste filme.

Aí vale estabelecer uma distinção: isso não me fez odiar o filme. Eu cresci - não muito, é verdade - com o filme de Reeve. Ver referências à ele me deixa feliz. Só que daí achá-lo sensacional é outra coisa. É como aquela música tosca que você cantarola sempre e gosta, mas sabe que não é boa.

Mesmo assim, Singer é Singer. As cenas de ação são impecáveis. Os superpoderes jamais estiveram tão presentes no cinema - especialmente a até então subestimada visão de calor - e os efeitos especiais são prováveis vencedores do Oscar. O roteiro retrata bem toda a mitologia do personagem. O Super-homem, é um Moisés moderno que carrega consigo uma grande tarefa: a de proteger e guiar a humanidade. Guiar, não por ordens, mas através de seus atos. A sua pureza e coragem são bem exibidos pelo diretor nos sacrifícios que o personagem faz. Seja nas cenas do passado - feitas na medida certa - ou nos detalhes, Singer mostra porque é um dos melhores diretores de Hollywood de sua geração.

Sobre os atores: eu esqueci Gene Hackman. Kevin Spacey é Lex Luthor. De longe, o melhor trabalho dramático do grupo e que estabelece a mais firme ponte com os filmes anteriores. É um Luthor com seu lado cômico, mas ao mesmo tempo cruel. Spacey mostra porque já ganhou um Oscar. Kate Bosworth é uma boa Lois Lane. Perdeu aquele lado cômico e ganhou um tom mais dramático. Contudo, falta algo de uma jornalista mais obsessiva. Sim, ela apura matérias com o filho e ela é teimosa, mas o Parreira também é teimoso. Faltou mais energia e vibração. Ainda lembro de Teri Hatcher...

Quanto ao papel principal...Eu acho que ninguém vai substituir Reeve. Lembro-me que quando o ator morreu, meu amigo Ultrablog disse: "eles têm que se esforçar para achar alguém que chegue perto ou que seja igual. Porque acho que melhor é impossível". Eu também acho. Ele foi o melhor e quanto antes nos conformarmos com isso, mais cedo vamos conseguir olhar para outros atores que encarnem o papel como outro personagem e não o clássico.

Com esse esclarecimento é bom salientar que Reeve era um bom ator. Em Anna Karenina e no profético Sem Suspeita (último filme antes do acidente em que interpretava um detetive que ficava tetraplégico) demonstrava versatilidade e competência acima das que galãs como ele costumam exibir.

Em contrapartida, Brandon Routh não só teve a tarefa inglória de substituí-lo como nem de longe tem talento para isso. Routh é tão bom ator quanto Marcelo Anthony, ou seja, um canastrão de marca maior. Nas palavras da Bloggirl: "ele atua com a sobrancelha". E olhe lá.

Há uma sequência de momentos em que ele exibe seu parco talento ou precisa defender cenas em que se fosse um ator fantástico já seria covardia. Sendo ruim então...Bons exemplos são o discurso de Jor-El (Marlon Brando) que ele repete e a sua "sedução" para convencer Lois Lane a voar consigo novamente. O filme deve ter continuações, por isso é provável que Routh - assim como atores de outras franquias como James Bond e X-men - fique mais confortável no papel. Oremos.

Dos atores coadjuvantes o destaque vai para Sam Huntington (Jimmy Olsen), ótimo ator! No outro extremo...Quem mais? James Ma(e)rsden. Ao menos, ele não está vivendo um personagem clássico dos quadrinhos...

Entre estes erros e acertos o filme balança, escorrega...Mas não cai. Superman, o Retorno é infinitamente menos divertido do que X-men 3, porém muito mais dramático e sofisticado. Mesmo assim perde para Homem-Aranha 1, Homem-Aranha 2 e X-men 2 (ainda o melhor trabalho nerd de Singer). Se peca na sua falta de originalidade, vence na sua competência em aproveitar o mito. Este é o Super-Homem e este é um filme à sua altura. O homem pode voar, mas não tentem isso em casa.

A nota é: 7,5

Blogman pode voar. Na verdade, ele não pode...Mas, ele pensou que podia no jardim 2 e isso não foi legal...


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