Melhores do Mundo

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Jul 13

Superman - O Retorno
Por Nerd Reverso

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Bryan Singer conseguiu de novo! De novo!

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Esqueçam os recentes filmes de super-heróis que tentam apresentar um mundo verossímil. Desde o primeiro acorde do tema composto por John Williams fica claro que Superman - O Retorno (Superman Returns) é um filme grandioso. Assim como o original, o filme de Bryan Singer se impõe como fantasia, como obra feita pra mexer com a imaginação do espectador. É hora de esquecer bobagens como leis da Física e voltar a acreditar que um homem pode voar.

Uma das primeiras e únicas notícias que li durante a produção do filme dizia que utilizariam o material que Marlon Brando gravou para Superman 1 e 2, e assim iriam "reviver" Brando na tela de cinema. Parecia que nada de bom poderia sair disso. Mas a voz está lá, viva, na mensagem de Jor-El para seu único filho, uma mensagem que precede os créditos e ecoa por todo o filme de forma natural e até mesmo inevitável. As palavras ditas, as palavras ouvidas e até mesmo as palavras que nunca ouvimos são o ponto de coesão do filme.

A trama geral é a mais básica possível: Superman esteve fora por muitos anos, agora volta para a Terra e encontra um mundo mudado, incluindo uma Lois Lane muito diferente, enquanto Lex Luthor prepara um novo plano contra o herói. Mas nada disso é importante. O retorno à Terra mostra a mesma incerteza do retorno da franquia: será que o mundo precisa de um (filme do) Superman? Ele é um herói antiquado? Precisa ser modernizado pra funcionar novamente? Singer e os roteiristas Michael Dougherty e Dan Harris (o mesmo trio responsável por X2) provaram que o conceito do Superman ainda funciona. A força do personagem está no seu conteúdo icônico, simbólico, como o filme faz questão de nos lembrar em vários momentos.

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Todos nós conhecemos Clark Kent e Superman, mas a história é focada em Kal-El. Ele é um deus andando entre os homens, mas também é o órfão/imigrante/pária supremo, portanto ser diferente dos outros é sua condição de existência. O que o prende à Terra? O que faz dele o maior guardião e defensor do planeta? O que existe no seu passado, presente e futuro que torna esse alienígena um dos humanos mais admiráveis que já se viu? Entre vôos supersônicos e demonstrações absurdas de poder, são essas as perguntas que o filme tenta responder.

A resposta apresentada em duas horas e meia faz uso de boa parte do conteúdo mitológico, psicológico e religioso já relacionado ao herói nesses quase 70 anos de existência, além do cinema-espetáculo digno das melhores obras hollywoodianas. Quando Superman faz o seu "retorno oficial" depois de cinco anos, ele impede um desastre aéreo (trauma forte e recente dos EUA) e temos na mesma seqüência ônibus espacial, Nasa, Força Aérea dos EUA, beisebol e a nação assistindo a tudo pela TV. Só faltou a torta de maçã. Definitivamente, Clark voltou pra casa. Mas se uma seqüência como essa e as cenas na fazenda no Kansas (que ironicamente foram feitas na Austrália) nos falam do ambiente em que Kal-El cresceu, Singer procura mostrar que o Superman age globalmente. Em uma referência ao original de 1978 (entre as inúmeras que permeiam o filme), a ronda do Homem de Aço dessa vez não é apenas pela cidade, mas por todo o mundo pelo qual ele é responsável, numa relação de inversão (protetor/protegido, adotante/adotado, super-humano/humano, pai/filho) que vai se tornando cada vez mais evidente.

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O tão comentado uniforme não prejudica o filme e é extremamente funcional. O "S" excessivo (cinto, botas) mal aparece, pois o herói está sempre em movimento. E o visual que parecia um tanto plastificado (ou emborrachado, se preferirem) funciona perfeitamente com a fotografia do filme, ainda mais porque torna a figura do Superman ainda mais irreal e próxima da imaginação, aumentando o contraste com o "repórter mundano" Clark Kent. E não é que o Boneco de Cera se saiu bem? Brandon Routh teve a competência de fazer um caipirão do meio-oeste vivendo na cidade grande (uma definição que se aplica ao próprio ator) e conseguiu fazer um Superman que atendesse às pretensões épicas de Singer sem soar tão canastrão.

Kevin Spacey, como esperado, calcou sua interpretação na do Lex Luthor de Gene Hackman e acrescentou um certo humor doentio que o faz parecer muito mais perigoso. Assim como Jack Nicholson em Batman, ele sobra no filme usando muito pouco do talento que já conhecemos. Já a Mulher-Testa me surpreendeu positivamente. Apesar de estar aquém da imagem de Lois Lane que todos temos, ela se mostra competente (com testa e tudo!) nos momentos necessários, nos quais a personagem divide a tela com Superman ou Lex Luthor. Surpreendente também é a participação de James Marsden como Richard White, noivo de Lois, um personagem muito mais interessante que o Ciclope da franquia X-Men (o que talvez tenha sido um pedido de desculpas da parte de Singer por ter aproveitado tão mal o ator nos filmes dos mutantes). Com maior ou menor destaque, Frank Langella (Perry White), Eva Marie Saint (Martha Kent), Tristan Lake Leabu (Jason, o filho da Lois), Parker Posey (Kitty Kowalski) e Sam Huntington (Jimmy Olsen) fazem bem a sua parte, o que também não deixa de ser uma surpresa, pois já estamos acostumados a um James Franco ou uma Katie Holmes ali no meio pra atrapalhar os filmes.

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O filme não é perfeito, claro. Se os efeitos especiais mostram cenas que achávamos jamais poder ver no cinema, em alguns (poucos) momentos fica a impressão de que alguma imagem poderia ser melhor trabalhada. Uma subtrama envolvendo Martha Kent foi deixada de lado (afinal o filme já tem duas horas e meia de duração) e a mãe do Clark some da história depois de um tempo. Outro dado que incomoda um pouco é a dificuldade que o Superman tem pra realizar uma proeza física relativamente simples (pra ele, claro) quando mais adiante vemos Kal-El fazendo coisas muito mais difíceis e complicadas. Entretanto, não existem erros que prejudiquem a apreciação da obra.

No fim das contas, Singer procurou fazer um filme que mostra o que seria o Superman dos dias de hoje segundo a sua visão. E acerta em cheio ao (re)apresentar esse mito contemporâneo e global em uma história universal, que ressalta valores e sentimentos que qualquer ser humano possui. O resultado disso é uma obra que tem o potencial de fazer qualquer platéia do mundo (nerd ou não), vibrar, torcer, rir, chorar e sair do cinema com um grande sorriso no rosto. Ah, sim, e escolham um cinema com um bom sistema de som, pois a maior parte de vocês terá a oportunidade de escutar pela primeira vez a melhor música já feita para o cinema da forma como ela deve ser ouvida.

Nota 10! (e corram pro cinema ou se arrependam pro resto da vida!)

PS: Que testa ENORME!


Nerd Reverso Email • 21:10:26 • A Gente VimosPermalink Deixe seu comentário
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