Melhores do Mundo

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Jun 14

Demolidor #28

O Demolidor é um dos poucos heróis com raros arcos de histórias realmente ruins. Com a exceção do arco que interligou sua vida com a saga Desafio Infinito (e que resultou em sua morte pública) o Homem Sem Medo possui uma cronologia de se orgulhar e que nenhum outro herói, marvete ou decenauta, tem.

Por isso mesmo, o personagem merece uma revista com seu nome no Brasil e que tenha histórias tão boas quanto a Demolidor 42 deste mês.

[Mais:]



Era de Ouro
Brian Michael Bendis e Alex Maleev

Dizer que se eu fosse mulher, dava pro Alex Maleev é o mínimo. Se eu fosse mulher, dava, casava e fazia qualquer coisa por esse cara. Maleev é a prova viva que toda vez que alguém diz que quadrinho é tudo igual e que não é possível criar mais nada, dá para subverter a linguagem e deixar um monte de leitor de quadrinhos de boca aberta, incluindo este aqui (e olha que eu leio há quase 20 anos). Desta vez, Bendis não é quem puxa a história, mas simplesmente quem acompanha a fascinante arte maleeviana.

Ao contar um arco intitulado Era de Ouro os dois artistas propõem-se a fazer um pequeno paralelo entre a era de ouro dos quadrinhos e a era atual. Como um evento ocorrido na era de ouro do Demolidor poderia afetar o personagem nos tempos de hoje?

A partir daí enquanto Bendis se debruça sobre as diferenças entre o passado inocente e um presente mais realista (coisa que Geoff Johns mistura em seu atual trabalho na Sociedade da Justiça), Maleev constrói uma estética impressionante. O presente do Demolidor é uma noite sem fim. Mesmo de dia, parece que vemos apenas noite.

Enquanto isso, o passado onde o Homem sem Medo conheceu Alexander Bont é retratado de forma colorida e com propositais pontos que lembram as falhas de impressão dos quadrinhos na década de 70. Além disso, o artista também faz referência a pop art (conceito de arte com características urbanas voltada para o consumo em massa). É possível verificar a semelhança aqui e aqui.

Sou fã de Bendis, mas o verdadeiro astro aqui chama-se Alex Maleev. A conclusão do arco que a dupla cria é sensacional e seu trabalho está no mesmo nível de outra dupla do personagem: Frank Miller e David Mazuchelli.

Nota: 10 (não posso dar mais?)



Resolução
David Lapham

Quando eu era um moleque que não lanchava para comprar quadrinhos, me divertia com os gibis em formatinho da Abril. E o que isso tem a ver com essa história? Tudo...

Resolução é uma história feita para leitores da Marvel dos anos 90 e 80. Até mesmo a narrativa de Lapham lembra bastante a das décadas anteriores, assim como seus (ótimos) desenhos. Explorando a tensão entre personagens tão díspares quanto Demolidor e Justiceiro o artista consegue criar uma história com o velho embate entre heróis sem apelar para tramas forçadas e clichês. Tragédia pura mesmo.

Lapham é a prova que o passado deve ser visitado, mas sempre com alguma novidade.

Nota: 8,0



Mãe Rússia
Garth Ennis & Dougie Braithwaite

Frank Castle segue em sua misteriosa missão na Rúissia com toda a ajuda (ou falta de) que o governo norte-americano pode dar. Será que Castle consegue invadir e sair de uma base russa ileso?

Braithwaite tenta desenhar um Justiceiro mais envelhecido e cheio de cicatrizes. Muitos gostam deste estilo, eu não. O personagem acaba ficando mais distante com o que estamos acostumados. Felizmente, o resto de sua arte compensa este problema.

Já Garth Ennis é o mesmo de sempre. E isso é bom pra caralho.

Nota: 8,0

Blogman comprará esta revista, você comprará esta revista, eles...


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