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Mai 29

X-men 3: por Blogman

Eu sei...Eu sei...Falei muito mal deste filme aqui e aqui. Aí vocês perguntam "então Blogman, você admite que estava errado?" não, estimados leitores eu não admito. "Então você acha que acertou?" Não, estimados leitores...Eu não acho.

[Mais:]

Em todas as minhas zoações deixava claro que X-men 3 parecia ter uma produção muito desorganizada. Fosse nos boatos de que em outubro (na primeira semana de filmagens) sequer havia um roteiro ou mesmo em problemas que o filme teve.

Problemas como o fato de que os produtores mantiveram a data de filmagens mesmo com inúmeros problemas que o filme teve: atraso dos atores (James Marsden atuou em Superman Returns, fato que, segundo boatos, selou seu destino na franquia pelo descaso que demonstrou com o filme dos filhos do átomo), a súbita saída de Bryan Singer, a chegada e rápida saída do diretor Matthew Vaughn e, finalmente, a chegada (de pára-quedas) de Brett Rattner diretor de A Hora do Rush. Coisas demais para uma única produção. X-men 3 parecia realmente fadado ao fracasso. Eu achei isso...E quem mais não achou?

Apesar de tudo X-men 3 é um filme infinitamente mais honesto do que outros como V de Vingança e Constantine que cuspiram no prato que comeram (leia-se os quadrinhos). O filme dirigido por Rattner não subverte seus personagens ("ah, o Fanático não é mutante", "ah o Sanguessuca deveria ser verde" besteira...O que importa é que os personagens são respeitados em suas idéias originais) e só peca no desenvolvimento de sua história. Assim como o filme se caracterizou pelas dezenas de imagens e muitos trailers que veiculou, podemos considerar X-men 3 um filme com cara de trailer.

Em outras palavras: é um filme de passagem. Encerra a trajetória do grupo e deixa brechas para os eventuais spin-offs (termo usado para filmes ou séries que são gerados após um filme ou série original, como a série Angel fez com Buffy) de Wolverine e Tempestade. E como toda passagem, você sempre presta mais atenção no que veio antes e no que virá, não no que está passando. O maior mérito de Rattner é ser absolutamente sincero nesta posição e conseguir contar uma história que fica tumultuada e corrida demais, mas que cumpre seu papel em fechar algumas portas e abrir outras.

Dois personagens importantíssimos morrem e, conforme o Nerd Reverso (que muitos crêem ser uma identidade alternativa de Ultrablog para falar bem da Marvel) me afirmou, morrem e não dão nenhuma chance ao telespectador de se envolver com elas. Apesar de quase todos que vêem o terceiro filme já saberem quem são, suas mortes são banais demais. No geral, X-men 3 usa a mitologia dos filmes anteriores para seguir em frente. Sem se preocupar, por exemplo, em Ciclope explicando sua melancolia ou o professor Xavier ressaltando seus sonhos e as razões de suas motivações (soa estranho demais a resposta para Wolverine "eu não tenho que me explicar a ninguém, especialmente para você"). Se Rattner acertou ao apostar em agradar a maioria que acompanhou os filmes, não se sabe. O fato é que ficamos com aquela impressão que tudo ocorre rápido demais (o que me leva a pensar que mais uns dois meses de atraso tornariam este filme perfeito) e sem o devido desenvolvimento.

Se Hugh Jackman agradou aos fãs como Wolverine no primeiro filme, Kelsey Grammer consegue o mesmo grau de fidelidade. A opção de escolher um Fera mais para o lado "leão" do que para o lado "símio" (como o personagem era originalmente nos quadrinhos) também é acertada. Ao contrário do que Hellblog afirmou os efeitos de suas cenas de ação não me desagradaram. Nesse ponto estou de acordo com Change Blog, mas a situação se inverte quanto a qualificar o filme. Pela ação e qualidade das cenas, podemos considerar este melhor do que o primeiro (só é importante ressaltar que aquele era muito superior em termos de reflexão e profundidade e que Singer teve um orçamento estratosfericamente menor o que demonstra seu valor). Porém, X-men 2 foi, sem dúvida, um filme infinitamente melhor. Com toda a ação do terceiro e toda a filosofia do primeiro (e algo mais). Fanático golpeando Wolverine empolga sim, mas muito mais pelo que representa aos fãs de quadrinhos do que qualquer outra coisa (enquanto Logan X Lady Letal era uma luta bem feita por si só).

Enquanto os mutantes precisam descobrir o que houve com sua amiga dada como morta, uma empresa cria a cura para o gene X. O conceito remete a uma época não muito distante onde a "solução" para os negros era tentar "branquear" a sua população. Mesmo no Brasil, o início do último século foi pródigo em idéias que pleiteavam trazer europeus ao Brasil para "desenvolver" o país. E ainda hoje vemos pessoas defendendo a "cura" para homosexuais e outras polêmicas do gênero. De forma pra lá de superficial, a história tenta debater o quanto cada um teria o direito de descobrir a vacina para suas diferenças (e o fato de haver apenas humanos normais na fila da vacina, traduz o quanto Rattner não quis polemizar a questão que ficaria bem mais difícil - e portanto precisaria ser mais desenvolvida - com mutantes deformados, por exemplo). Até que ponto você iria para ser igual aos outros? Quanto de você estaria disposto a largar pela "normalidade"? De que lado você vai ficar?

O roteiro do filme acerta e compensa muitos erros da produção. Não só por tornar uma história corrida o mais crível que poderia (ainda que isso não passe despercebido), mas também por realizar os desejos de Halle Berry sem tornar a personagem mais irritante do que a atriz tornou. Logan é, novamente, o grande protagonista da trama, mas há espaço para outros personagens. Parece provável que Homem de Gelo, Kitty Pride, Anjo e Fera serão os protagonistas do próximo filme (quem sabe não teremos alguma participação especial de Wolverine e Tempestade?). De qualquer jeito, a única coisa certa é que, no cinema, os X-men jamais serão os mesmos.

As referências aos quadrinhos são maiores do que esses mesmos erros. E talvez esta seja a grande sacada dos produtores: respeitando os quadrinhos, muita coisa passa desapercebido pelos fãs (os primeiros a pagar o ingresso). X-men 3 desagradará qualquer crítico de cinema do tipo intelectualóide (eu não duvido que o Arnaldo Jabor fale mal do filme), que reclamará do excesso de ação e poucas reflexões, mas agradará aos fãs. E, sinceramente, essa é a primeira obrigação de uma adaptação de quadrinhos, certo? Claro que ainda assim, muitos fãs - como este que vos escreve - se sentirão desapontados com a superficilidade da história em detrimento de cenas de ação. As diferenças entre achar tudo besta ou bestial resumem-se a entrar ou não no clima do filme. É decepcionante sim (e muito!), não termos o debate que o argumento merece, mas tente esquecer os erros e sorrir com os acertos.

Apesar de tudo o que dizem, o que me deixou mais feliz é saber que mesmo com todos os seus erros, X-men 3 é um filme que respeita os fãs de quadrinhos. Podemos reclamar da falta de um bom roteiro, da falta de uma boa direção, mas não podemos reclamar da mudança de sexo ou de concepção de personagens. E só o fato de zilhões de nerds reclamarem muito mais de elementos cinematográficos do que das diferenças com os quadrinhos, demonstra que os fãs estamos cada vez mais exigentes. E X-men, pro bem ou para o mal, faz parte disso.

Por tudo isso, apesar dos erros e acertos, X-men 3 merece um 7,0. Passa de ano com louvor, mas poderia ser melhor. Vão ao cinema com muita pipoca e divirtam-se bastante.

Blogman dedica este post a todos as pessoas diferentes do mundo...Exceto o James Marsden (esse nome parece outra coisa em português)...


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