Nerd Show: Seth Fisher Tweet
Uma das grandes vantagens de ser um MDM não é só escrever sobre o que você gosta ou conquistar amizades incríveis. Através do MDM consegui entrar em contato com um dos meus maiores ídolos dos quadrinhos para uma entrevista bem legal... E é com muito orgulho que consegui fazer um Nerd Show com o incrível/fuderoso/magnífico desenhista Seth Fisher! Pam pam paaaaaaam!
Em seu website, Seth se descreve da seguinte maneira: "Eu amo quadrinhos, Eu amo arte. Eu amo aprender. Mais que tudo isso, eu amo fazer coisas". O fantástico artista do "Lanterna Verde no Mundo Surreal" já trabalhou em tudo quanto é lugar: de revistas infantis à trabalhos para a Heavy Metal. Seja desenhando super-heróis, criando seu mundo surreal ou até desenhando coisas banais, Seth sempre consegue injetar em seu trabalho a sofisticação e a loucura que os melhores trabalhos japoneses e europeus têm a oferecer.
Conheçam um pouco sobre o desenhista que utilizou toda sua dedicação e persistência para se tornar um dos maiores nomes das HQs na atualidade. Sem mais enrolação, vamos à entrevista! YAY!
MDM: Olá Seth! Tudo bom? Vamos começar a entrevista do básico. Quando você começou a trabalhar com arte? Você foi direto para os quadrinhos ou passou por outra experiência antes?
Seth Fisher: Eu trabalhei em muitas coisas na minha vida... Levou bastante tempo até eu entrar de cabeça no mundo das HQ's. Quando eu estava treinando para ser um desenhista eu ainda trabalhava como entregador da Pizza Hut, chegava em casa com algumas pizzas grandes e ficava desenhando na mesa da cozinha do meu apartamento. Eu fui para a faculdade, mas a arte esteve sempre no meu coração (nunca fui um bom aluno). Eu me formei e fui pro Japão ensinar inglês pensando em entrar nos quadrinhos depois de um ano ou mais praticando. Eu dava aulas de 9h às 18h, então voltava para casa e desenhava até às 2h. Eu amo desenhar e levei muito tempo nisso. No final, eu só fui conseguir meu primeiro trabalho pra valer quando tinha 26 ou 27 anos. Ainda bem que demorou tanto, pois eu realmente tive tempo de treinar bastante em pequenas coisas que tornaram minha arte muito diferente.
MDM: Suas maiores influências vêm das HQ's ou das artes plásticas em geral? Quais são elas?
SF: No colégio e na faculdade eu gostava muito do Moebius e Otomo (Akira). Eles me influenciaram muito. Mas agora sou mais influenciado por artistas menores... E até amadores! A grande mídia tem esse jeito de comer o próprio rabo. Se um artista está fazendo sucesso, um outro artista tb começa a fazer sucesso imitando-o. É um mais-do-mesmo. Eu tento achar inspiração em lugares fora dos comics. Quer dizer, tem artistas que você não pode ignorar, como Frank Quietly, Jim Woodring, Chris Ware, Dan Clowes. Mas eu não preciso olhar para a arte para ter boas idéias. Eu tiro as idéias andando pelo super-mercado, ou até vestindo uma calça. Eu tento controlar minhas influências bem devagar, pois eu sei como elas podem influenciar muito o meu trabalho. Eu não assisto muitos filmes nem TV. Eu tento puxar minhas idéias da própria vida.

MDM: Vamos passar agora para o "Lanterna Verde no Mundo Surreal", uma das HQ's mais bem trabalhadas que já li. Como surgiu a idéia da revista?
SF: Bem, eu havia feito o "Happydale" (Vertigo), então o pessoal da DC já conhecia meu trabalho. Eu enviei alguns exemplos de uma história que eu queria fazer, e eles me enviaram uma contra-proposta de uma aventura louca com o Hal Jordan. Era uma proposta de somente uma página e a idéia era realmente uma livre interpretação de idéias. Demattis faria o script em algumas páginas e eu interpretaria tudo. Também tivemos a grande ajuda de Chris Chuckery, que nos impressionou muito com sua coloração. Ele passava muito tempo em minhas páginas e realmente deu o charme do livro. Eu não conseguiria fazer nada sem ele. E o letrista Tom Orzokowski arrebentou. Todos deram 100% para finalizar o gibi. Foi um trabalho de grupo muito bem feito.
MDM: Porque a escolha do Hal Jordan? Algum outro personagem foi cogitado para o Wild World? Ele é seu personagem preferido das HQ's?
SF: Bem, a fonte de poder de Hal é a sua imaginação, então eu poderia fazer qualquer coisa que me desse na telha com ele. Não queríamos ver Hal acertando vilões com uma luva de boxe gigante toda a hora. Queríamos algo que brincasse bastante com a imaginação... Com o surreal. Eu adoro essa mini. Eu podia fazer o design do que eu queria, com total liberdade, mas ao fim dela eu estava completamente exausto de tentar criar novas idéias para o "Mundo Surreal". Eu não sei qual é meu personagem preferido, mas eu gosto muito da Patrulha do Destino, Conan, Ralph Snart e Batman.
MDM: Como foi a criação do Will World? Como surgiu as idéias daquelas construções detalhadas, das cabeças voadoras? Você se baseou em conceitos de psicologia? Em obras de arte? Como foi o processo de criação de toda a arte conceitual?
SF: Cada página eu desenho de uma maneira diferente. As cabeças voadores foram idéias do Demattis. Ele é que é o doido filosófico, eu acho... Eu sou um pouco mais sutil, heheheh. Eu lia muito a heavy metal na escola e tinha uma história que mostrava um cara preso dentro de um maquinário imenso, sempre tentando encontrar uma maneira de sair de lá. Desde quando eu li essa hq, eu sempre quis desenhar uma máquina gigante. Veja esse exemplo aqui.
Basicamente eu tenho guardado todas essas idéias avulsas que eu quero colocar em minha arte... É como uma lista randômica: Elefantes, mulheres peladas, pessoas com duas cabeças, explosões, peixes gigantes, dragões etc. Então eu coloquei tudo lá.

MDM: Analisando essa e outras maravilhosas obras como "Flash: Time Flies", percebemos que você quase não usa preto. Uma boa coloração consegue valorizar ainda mais sua arte. Como você trabalha com os coloristas?
SF: É muito importante conseguir um colorista que seja devagar e cuidadoso com páginas como as minhas. É difícil colorir minhas coisas porque são cheias de detalhes, é fácil de se confundir. Algumas vezes eu tenho a idéia das cores de algumas páginas e mostro para eles antes deles começarem. Vertigo Pop: Tokyo demorou muito para acharmos o balanço ideal de cores... acho que fizemos umas quatro vezes até achar o tom ideal.
MDM: O que você pode nos adiantar deste arco do Batman que você irá desenhar? Já que você não costuma usar muitas sombras e cores escuras, como será seu trabalho para o Cavaleiro das Trevas?
SF: É um arco muito bem escrito do Batman, com uma pitada de humor. As cores são claras, mas garanto que elas retratarão toda a Gotham sombria que conhecemos. Eu adorei!
MDM:Com quem você gostaria de trabalhar em um futuro projeto?
SF: Qualquer um criativo e que tenha uma boa ética de trabalho. Eu gosto de trabalhar com pessoas que saibam escrever bem.
MDM: Seth, você poderia dar um último recado a seus fãs brasileiros?
SF: A vida é totalmente misteriosa e não acreditem em ninguém que tenha dito o contrário.



