Sin City: A gênese Tweet

Frank Miller estava completamente desgostoso com a indústria cinematográfica, pois suas experiências no meio resultaram em fracassos e desavenças com os estúdios (como em Robocop 2 e 3, quando seu roteiro foi mutilado pelos estúdios, contribuindo pro fracasso dos filmes). Então ele decidiu que não iria licenciar seus personagens pra nenhum estúdio, pra evitar aborrecimentos.
Mas eis que Robert Rodriguez, grande fã do trabalho de Miller, na tentativa de convencê-lo a deixar que uma adaptação de Sin City fosse feita, rodou um curta-metragem usando a história "The Customer is Always Right", contando com Josh Hartnett e Marley Shelton interpretando os personagens...
Rodriguez então marcou uma reunião com Miller e lhe pediu que assistisse a cena, e que se gostasse, ela seria a abertura do filme de SIN CITY... Caso ele não gostasse, poderia ficar com a fita pra mostrar aos seus amigos num churrasco, que ele (Rodriguez) não mais o incomodaria.
Nem precisa contar o que aconteceu, né?
Rodriguez disse que a contribuição de Miller pro cinema era tão grande com Sin City, que ele queria rodar o filme passando as páginas da revista diretamente para as telas (como storyboards), e Miller receberia o crédito de co-diretor do filme... Aí que começou a treta...
O sindicato dos diretores dos EUA não permite que DOIS diretores exerçam a mesma função num só filme... Rodriguez então bateu o pé e se afastou do sindicato para que Miller tivesse seu nome reconhecido. Com a saída do sindicato, Rodriguez teve que descartar o projeto do filme que faria para a Paramout logo após Sin City, uma adaptação dos pulps dos anos 40 chamado "John Carter on Mars".
Aí começaram as camaradagens... Quentin Tarantino resolveu devolver o favor que Rodriguez havia lhe feito em Kill Bill (ele compôs a trilha sonora do filme cobrando apenas um dólar do seu amigo), e por apenas UM dólar ele dirigiu uma cena de Dwight e Jackie-boy conversando num carro. Por essa participação, Tarantino aparece nos créditos como "diretor especialmente convidado" (parodiando o antigo seriado do Batman).
O filme foi rodado inteiramente sob uma tela verde, onde depois seriam inseridos digitalmente os cenários, como já foi feito no filme "Capitão Sky e o Mundo do Amanhã". Por causa da reação da cor amarela (que "vaza" no fundo verde), o "yellow bastard" na verdade era "blue bastard" no set de filmagem, com o ator Nick Stahl todo pintado de azul.
O personagem Jackie-boy, primeiramente foi ofertado a Johnny Deep, que não pôde aceitar por problemas de agenda. Rodriguez viu então Benicio Del Toro na cerimônia do Oscar com os cabelos compridos e lhe disse "Não corte o cabelo... Eu tenho uma proposta a lhe fazer!" Enviou a HQ de Miller e o mesmo curta que havia mostrado ao autor. Del Toro adorou a idéia, e acertou rapidamente a sua participação no filme.

Leonardo DiCaprio interpretaria o horrendo Roark Jr (o assassino amarelo), mas deve ter se assustado com a horripilância do personagem e pulou fora... Melhor pra Nick Sthal, que aceitou o papel e se consagrou numa ótima interpretação.
Kate Bosworth (a Lois Lane do novo filme do Superman) era a primeira opção de Rodriguez para interpretar Gail, mas a garota também vazou, e Rosario Dawson assumiu o papel... (Eu não consigo imaginar outra atriz pro papel, Dawson é idêntica à personagem).
A lista de atores que recusaram papéis no filme (por conta de não quererem briga com o Sindicato dos Diretores) é grande... Entre os principais estavam: Christopher Walken, Willem Dafoe, Michael Douglas e Steve Buscemi.

O sangue que caracteristicamente nas HQs de Miller é branco, foi um problema... pois Rodriguez não conseguia um bom efeito com tinta branca, ele então o substituiu por um líquido vermelho fosforescente filmado sob luz negra, e depois alterava a sua cor digitalmente na finalização do filme.
O filme custou apenas 40 milhões de doletas (orçamento baixo pra uma grande produção), e arrecadou 50 mijones em algumas semanas de exibição, sendo lançado só nos EUA e Canadá.
Robert Rodriguez diz que o filme não ADAPTA a HQ pros cinemas, ele a TRADUZ... e por isso não há um roteirista nos créditos, já que o filme é exatamente o que Frank Miller escreveu nos quadrinhos.
Ah... Frank Miller faz uma pequena ponta no filme, ele interpreta um padre. Ao contrário de outros autores de HQ, que sempre aparecem em pontas insignificantes, Miller faz uma cena importante do filme e ainda é morto por uma de suas criações. Coisas assim você não vê o Stan Lee fazendo AHUEHAEUAEHAUEHAUEHAE...
Fonte: IMDb.



