Marvels Tweet

Quando comprei o especial encadernado de Marvels, não tinha intenção de fazer review. Afinal de contas, para quê escrever sobre algo que está há tantos anos na boca do povo? Aliás, relutei muito em comprar a graphic novel por esse mesmo exato motivo; pois eu já havia comprado e lido na época de seu lançamento, em 1995, pela editora Abril. No entanto, num ato de coragem, comprei e não me arrependi. Após (re)ler Marvels de cabo a rabo, fiquei convicto de que merecia um review, sim!
Marvels mostra o surgimento dos heróis da Marvel aos olhos de um fotógrafo jornalista, Phil Sheldon. O roteirista, Kurt Busiek, deve ter pesquisado como um condenado centenas de gibis de diversos heróis para posteriormente encaixar tudo em uma história só e desenvolver um enredo paralelo a isso. Deve ter sido muito difícil, principalmente se pararmos para pensar no fato de encaixar a cronologia de todos os heróis em uma só. Por exemplo, no mesmo dia em que é mencionado o batizado de Franklin Richards, Phil Sheldon tira uma fotografia ao lado do jovem Danny Ketch, futuro Motoqueiro Fantasma. Ora, nos gibis convencionais, Ketch virou adulto e se tornou o Motoqueiro, enquanto Franklin ainda é uma criança. Coisas de cronologia...
Algo que revolucionou muito à altura do lançamento da história, há dez anos atrás, foi a arte inovadora de Alex Ross, que levou o estilo realista das pinturas à base de aquarela e gouache convencionais aos quadrinhos, com extrema maestria. Não houve uma pessoa na época que não tivesse ficado boquiaberta com o estilo do artista. "Parece uma foto", muitos disseram. Pois é.... bons tempos, quando o mestre Ross ainda era um cara humilde. ;-)
Bom, até aí nada de novo. Vamos ao que há de inédito. O volume zero de Marvels foi incluído nesse encadernado. Agora, a história começa com uma origem mais aprofundada do Tocha Humana original. Já no final do encadernado, temos uma série de "goodies". Temos, primeiramente, uma lista de todos os gibis que foram usados como fontes por Busiek para escrever a história. Em seguida, várias páginas com layouts de páginas, concepção de capas e personagens por Alex Ross (ótimo para servir como referência para desenhistas). Na seqüência, uma seção que mostra os recursos dos quais Ross se utilizou para compor seus desenhos, tais como bonecos, modelos vivos etc. Por último, a seção "bastidores", que mostra curiosidades inseridas por Ross nos desenhos, como por exemplo heróis da DC e celebridades escondidas em meio a algumas cenas. Acho que a Panini ficou raiva do Hellblog ter feito isso com o Reino do Amanhã e resolveu se adiantar e estragar os planos dele com Marvels, reproduzindo a reportagem da Wizard americana sobre o assunto. :-P
A única coisa que não gostei muito foi da nova tradução para o português. Não me perguntem exatamente porquê, mas acho que a da Abril ficou melhorzinha.
Em suma, acredito que vale a pena fazer o "upgrade" sim. Está tudo em um volume só, cheio de seções adicionais bacanas. O trabalho realmente está bem feito. A graphic novel está há algum tempo nas bancas, após aquele atraso básico que a Panini sempre comete na distribuição de seus especiais encadernados (vide Reino do Amanhã e Enciclopédia Marvel) e custa R$24,90. Dou nota 9,5.



