Melhores do Mundo

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Jun 22

Nerd Show
com Rodrigo Fonseca
Editor de HQs da Ediouro

Como entrar em um mercado dominado por editoras multinacionais e por personagens com mais de 50 anos estampando capas de revistas?! Só mesmo com muito trabalho! Conheçam Rodrigo Fonseca, editor de quadrinhos da Ediouro.

[Mais:]

MdM: Como começou a sua relação com as HQs? Passando pelo seu trabalho no JB, terminando na Ediouro.

Rodrigo Fonseca: Sou leitor de quadrinhos há 16 anos e entrei no JB com o objetivo de desbravar um terreno ainda virgem na imprensa carioca para falar de HQs. Escrevi informalmente sobre o assunto durante quatro anos, paralelamente à publicação de críticas de cinema e reportagens sobre produções cinematográficas nacionais e estrangeiras. Desde julho de 2004, a coluna "HQ" vigora no JB. Primeiro no Caderno Barra e depois (desde 01/12) no Caderno B. A Ediouro me fez o convite de ampliar o pólo editorial deles para o setor de gibis, buscando títulos de diferentes vertentes estéticas e nacionalidades variadas. Cá estou desde 17 de janeiro último.

MdM: Que tipo de revistas vocês pretendem publicar? Mais adultas ou infanto-juvenis (tipo Marvel e DC)?

Rodrigo Fonseca: Todos os tipos de quadrinho de aventura e ficção científica estão em nossos planos, voltando-se para diferentes públicos.

MdM: Vocês pretendem publicar mangás, também?

Rodrigo Fonseca: Nossa prioridade aqui será mangá. Não só as orientais, mas publicações européias, americanas e até africanas que seguirem esse estilo de traço originalmente asiático.

MdM: Há alguma possibilidade para a publicação de HQs nacionais?!

Rodrigo Fonseca: Sem dúvida. Alguns títulos já estão sendo estudados. Planejo lançar um one-shot (história completa em uma única edição) de um novo artista nacional em breve e algo de veteranos.

MdM: Como você vê o mercado de HQ no Brasil? Como conquistar novos leitores e os fãs de Marvel e DC?

Rodrigo Fonseca: Poucos mercados são tão subestimados mundialmente quanto as HQs. Falar que elas estão ultrapassadas é como dizer que o cinema está fora de moda. O que falta ao mercado brasileiro é a percepção de que é preciso formar novo público, renovar a massa leitora. E isso só se faz com preços bons e boas tiragens que estimulem os focos distribuidores.

MdM: Você está entrando em um mercado muito difícil. O mercado nacional é dominado pela Panini (com as HQs Marvel e DC), Globo e Abril (ambas com as HQs infantis). Qual o mercado que você pretende alcançar e o que a Ediouro fará para diferenciar-se das concorrentes (preço, papel, títulos, etc.)? PS: Essas são só as editoras de bancas. Nesta pergunta não estou levando em conta as editoras de lojas como Brainstore, Devir, Opera Gráfica, etc.

Rodrigo Fonseca: Em um primeiro momento, só estamos pensando em brochuras. Nada de álbuns ainda. E o preço baixo será nosso diferencial, além de uma distribuição abrangente e um agressivo trabalho de marketing que envolve desde a formatação de um site com conteúdo jornalístico sobre quadrinhos até promoções especiais.

MdM: Fale um pouco sobre os laçamentos Star Wars, Nathan Never e Aquablue (principalmente a última, que poucos conhecem).

Rodrigo Fonseca: Queremos abrir vários flancos no mercado de quadrinhos brasileiros, sempre realçando a questão da autoralidade. Escolhemos Nathan Never (minissérie mensal em duas edições) e Aquablue (premiada série francesa) para desbravar o filão europeu. Star Wars entrou em cena para explorar o fenômeno pop que George Lucas concebeu nos anos 70 e vem cristalizando ao longo das últimas décadas. Em junho, lançaremos "Arthur - Uma epopéia celta" para apresentarmos uma nova visão da saga do monarca bretão que levou o heroísmo às raias do desespero.

Obs: Clique nas imagens para ver o review das revistas.


Falecido Ultra Email • 20:03:46 • Nerd ShowPermalink Deixe seu comentário
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