Eu lembro que eu tinha um professor de história, ainda quando eu fazia cursinho lá no interior do Rio Grande, que dizia que crise designa um período de transição. Bom, só se for na história pra boi dormir. A única transição que eu percebi foi a de azul para vermelho na minha conta corrente.
É claro que a crise não tem nada a ver com a minha irresponsabilidade financeira (ano retrasado cortei todos os laços afetivos e financeiros com minha a parte da família que investia na Dow Jones). Mas é aí que está a beleza: enquanto a crise não transita, o cara coloca toda a culpa nela.
Por mais que pareça um bode expiatório, a crise, na verdade, virou a panaceia da própria crise. Torrou o limite do cartão e não tem como pagar? Falou demais no telefone? Quer um pedir um aumento pro patrão? Quer negar um aumento ao empregado? Deu pro namorado da amiga? Deixa que a crise resolve tudo.
Eu aposto na crise. Até porque vou ter que culpar alguém por ter comprado 10 cotas no bolão.
Lembrando
O sorteio da Mega corre na quarta, 22/04, e promete um prêmio de 25 milhões. Uma boa transição pra quem anda na dureza. Abraços e boa sorte.
Saudações, apostadores do BMS! Como deu pra ver, trocamos o endereço da casa lotérica. Ainda faltam alguns retoques, arrumar o letreiro da faxada, colocar canetas ao lado dos volantes de aposta. Coisas assim.
Mas a fezinha na vida segue forte. E mais forte do que nunca - recém é dia 8 e todo o dinheiro foi pro saco. A saída mais sensata vai ser encarar uma fila na lotérica e riscar aquelas seis dezenas mágicas. Lembrando que hoje corre o sorteio da Mega na cidade de Londrina, PR. O prêmio não é lá dos melhores: 6 milhões pra quem acertar na bucha.
Não sei quantas vezes ouvi minha mãe repetir essa frase. Tirar na loto. Também não sei quantas vezes por dia eu tenho pensado nessa frase. O processo de mudança custa caro. E o cara que pensa que é só socar as coisas dentro dum caminhaozinho tá muito enganado. É claro que tem o dito cujo, mas tem um processo muito custoso - emocional, cervical e financeiramente falando.
Já contei aqui que eu fiz a pintura do meu apartamento. E sábado passado terminei o serviço. Detalhe: queria pintar uma das paredes da sala de vermelho, mas a tinta tava cara. Solução: eu e minha mulher compramos um corante. Resultado: nossa sala agora tem uma bela parede da Barbie. Um rosa-choque que chega a cegar. Ainda mais num apartamento sem móveis.
Não, não é o que vocês estão pensando. Eu não sou come-unha ao ponto de não ter trazido os móveis na mudança. O problema é que a mudança ainda não chegou. Faz uma semana que estamos esperando pelo tal do caminhaozinho. Uma semana sem geladeira. Uma semana dormindo sem lençóis e cobertores, em travesseiros feitos de camisetas dentro de camisetas. UMA SEMANA ESPERANDO A VIA BRASIL ESTACIONAR NA FRENTE DE CASA E ABANAR DA BOLEIA!
E já que tou lavando a roupa suja (ou melhor, esperando minha máquina de lavar pra fazer isso), tem outra: descobri que não se vende fogão já pronto pro sistema de gás de rua. Não tem nenhuma lógica, numa cidade de 13 e lá vai cacetada milhões de pessoas, não venderem isso adaptado.
É por essas que preciso tirar na loto. Tirar bonito na loto pra poder comprar um caminhaozinho e rodar o Brasil! Eu, a patroa e muito amor na boleia. Escapando sempre da cilada, Bino!
Em tempo: estava colocando as tags no post quando meu celular toca. Uma ligação a cobrar. Aceito. No outro lado da linha, a pergunta: Alô, é o Vini? Aqui é o Adriano da mudança. Respira, brasileiro, respira.
Amigos, foi apenas pegar carona numa nave que o prêmio saiu. Tá uma função por aqui. Hoje passei a tarde pintando as paredes do meu novo apartamento (alugado, é lógico). Pintando, porque a grana encurtou e não tenho um puto pra pagar um pintor. Depois do serviço, que começou pela manhã, limpei o chão e deitei um pouco no piso. Pronto: apaguei por 40 minutos. Não precisa nem dizer que estou com os braços moídos e com a coluna que-uma-maravilha.
Em breve, postando de casa. Ah, recado ao mais novo milionário do Rio: estou oferecendo serviços de pintura.
Primeiro foi a Mu, depois foi o Celo: ela dizia que a Mega causava uma evasão paralisante, já ele duvidava da idoneidade da loteria. E eu não censuro nenhum dos dois.
É assim comigo, com o seu Ildo e com você. Todo brasileiro é um pouco mucelo: no momento da aposta, sonha sem freios e fica "petrificado" ; quando viu que não ganhou, perde o freio e desata a amaldiçoar a loteria.
O psicólogo de boteco exaltaria, batendo na mesa e virando o copo, que não existe comportamento mais negativo do que o mucelo, que é a culpa da inércia brasileira. Pff, bobagem pura. Mucelo é um estado terapêutico, onde o estímulo do lúdico leva a prática racional.
Mas que fique claro: apenas o mucelo alcança o nirvana, a sublime evasão crítica. Não basta ser Mu, não basta ser Celo. O prêmio só sai pro jogo completo.
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Achei que ia encontrar uma fila virando a esquina hoje da manhã lá na lotérica. Mas foi tranqüilo, até porque eram nove e meia da manhã. Foda foi sair com a responsa de validar o bolão que organizei no trabalho durante a semana: uma aposta de dez números, trinta pessoas concorrendo junto.
Nessas horas, o cara não carrega apenas os R$ 367,50. Leva junto o sonho da colega em comprar um vestido de formatura em Paris, o iate do cara que te cobra os prazos, a aposentadoria antecipada do estagiário. E, é claro, a auto-cobrança: será que não dei uma de Paula? Será que não tinha que ter trocado o 31 pelo 29? Será que será?
O bolão é uma mão-única com dois carros na contramão: tira as pessoas da probabilidade infinitesimal, mas traz junto uma falsa sensação de vitória. Nem sempre a gente tem como desviar do caminhão que surgiu do outro lado - dando sinal de luz, sem menção de reduzir a marcha. O bolão pode ser o brutal e doloroso saco preto do IML, mas também pode ser a sorte que tirou um fino no acostamento e salvou nossas vidas.
O bom é que na Mega é igual ao video-game. Se a gente morrer dessa vez, sem problemas. A gente escolhe outro carro e joga de novo.
Boa sorte, meus queridos!
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Nenhum brasileiro subiu no degrau mais alto do pódio hoje em Hockenheim. Logo na largada, enquanto Massa brigava contra Kovalainen para manter a segunda posição, o inglês Hamilton abriu uma larga vantagem sobre a Ferrari do brasileiro, mostrando todo o desempenho do motor McLaren na longa distância.
Isso até Glock quebrar a suspensão e colocar o safety-car na pista. Então, a Ferrari chamou Felipe para os boxes e encheu o tanque. Mas a sorte estava com outro brasileiro: Nelsinho Piquet, que largou cheio e que acabou ficando na frente de Massa nesse cambalacho.
A Ferrari teve então que diminuir o giro do motor para que pudesse chegar, bem, pelo menos em segundo - nessas alturas Hamilton tinha parado e ficado atrás de Felipe. Mas o inglês ultrapassou todo mundo e abocanhou o primeiro lugar. Nelsinho garantiu a posição e Massa chegou em terceiro.
Essa ladainha toda tem um sentido. Ou melhor dois: o binômio sorte-azar. Se não fosse pelo problema de Glock, Nelsinho nem sentiria o gosto do champagne. Se não fosse pelo problema de Glock, Massa poderia ter chegado ainda em segundo. Mesmo assim, dá pra dizer que Nelsinho teve o azar de ter um carro que não deu conta de chegar em primeiro e que Massa teve a sorte de pontuar bem e continuar na briga pelo campeonato.
Ontem, aqueles que fizeram a quina sentiram a aflição de pilotar um Renault: merda, com um pouco mais de potência dava pra pegar o primeiro prêmio. Ontem, aqueles que fizeram a quadra sentiram a inconsolação de Massa: faltaram só dois, devia ter pensado em outra estratégia, arriscado mais, sei lá, só dois.
Todos levaram alguma coisa, todos levaram nada. Mega-Sena e Formula 1 só servem para o primeiro lugar. Se não fosse assim, eu estaria tomando espumante e falando do Barrichello.
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Fato 1: dias atrás, o Menezes comentou que a Timemania tem protagonizado o fiasco das loterias.
Fato 2: aumentou o valor da aposta da Mega em 25 centavos.
Fato 3: o cachê do Pelé não é migalha.
Fato 4: com a arrecadação baixa e com um contrato de imagem caro, de algum lugar tem que sair a grana.
É claro que cada loteria responde por uma distribuição de arrecadação e tudo deve estar declarado nos conformes legais. Porém, quem de nós já viu algum edital/relatório distributivo?
Os 25 centavos
Pegando o concurso 986 como base, os 25 centavos representaram uma arrecadação de R$ 2.148.306,14. Uma boa engordada na receita.
É claro que não dá pra questionar os 51% da arrecadação que se revertem em prêmios. Mas e os outros 49%, que também crescem com esses 25 centavos? Cadê o tal relatório?
Bom, apenas suposições de quem deseja ganhar uma boa grana com a loteria. Assim como a Caixa, assim como o Pelé.
Psicólogo. Psiquiatra. Psicotrópicos. Sempre é bom contar com uma ajuda pra entender um pouco da nossa vida. Eu tinha um professor de química que se perguntava "quem sou? Pra onde vou? Para quem dou?". Afinal, a vida é uma loteria e nunca se sabe o que a sorte reserva pra gente.
E eu cheguei num ponto em que precisei buscar ajuda pra encontrar um sentido nisso tudo. É por isso que agora sempre submeto minhas apostas à análise da minha namorada. Nada de apelar pro grupo dos psi. Vou mesmo é na numerologia hereditária do meu amor, filha de uma expert dos algarismos. Grau de confiabilidade? Tudo o que só um sotaque castelhano pode dar.
"Eu gostê mais deze jôgo. Os números tên uma dessôrdem e uma não lôxica bonita."
Um sonho de ficar rico com um amor que dorme do meu lado. Pura química. Não psiso de mais nada.
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