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Jan 12
Mitsuru Adachi Parte IV: Aventuras de Menino
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Categorias: Mitsuru Adachi

No ano passado, um dos mais importantes eventos dentro do panorama de lançamentos de quadrinhos aqui no Brasil foi a entrada da L&PM no mercado, com dois títulos adultos interessantes: Solanin, de Inio Asano, e o que nos interessa aqui – Aventuras de Menino, de Mitsuru Adachi. Que andava meio ausente deste blog. Aventuras (no original, Bouken Shonen) é uma compilação de
várias histórias fechadas do autor, publicadas entre 1998 e 2005 na seminal e importante revista adulta Big Comic Original da editora Shogakukan.
Com todo respeito às obras de Inio Asano, que são de altíssimo nível (e leitura obrigatória para quem se interessa pelo mangá adulto mainstream contemporâneo japonês – não, eles não são materiais undergrounds, digo logo), Aventuras é destaque natural dessa leva inicial da editora no Brasil por um motivo simples: é a primeira obra de Mitsuru Adachi a ser publicada por aqui – e ele faz parte daquela extensa lista de autores importantes, relevantes e influentes que já estão na ativa há décadas, mas permaneceram ausentes do Brasil durante os anos em que simplesmente ignorávamos o que era publicado lá fora. E essa lista continuará extensa por muito, muito tempo: muitos desses autores perderam sua janela histórica para ser lançados por aqui e não tem chance comercial em nosso país. E isso inclui medalhões de peso.
Mas Adachi não perdeu necessariamente essa janela: seu traço é icônico e já é característico o suficiente para contornar eventuais datações. Ele não merece uma série especial neste blog à toa: para quem não se lembra, já falei de Touch (AQUI), Cross Game (AQUI) e do primeiro capítulo de sua obra de carreira do momento, Q&A (AQUI). As duas primeiras em especial eu sugiro a leitura prévia para explicar porque ele é um dos mais importantes autores do Japão em atividade. Podem ir ler sem medo, eu espero.

O Cronista do Senso Comum
Já leram? Perfeito, isso me permite ir direto a meu ponto de forma mais breve: Adachi é o cronista de um Japão cotidiano, de classe média pé-no-chão, sempre com um olhar afetivo e integrado aos valores desse universo. Ele não está lá realmente para questionar nada (talvez só o faça quando a sociedade em si já está questionando alguma coisa), está lá para olhar as pessoas na rua. Os 26 volumes de Touch, em especial, traduzem com tanta força aquilo que podemos chamar de senso
comum japonês, que o público de massa respondeu à altura e catapultou a obra ao posto de verdadeira instituição cultural nacional. E faz sentido. Adachi não é o otaku, o moe, a waifu ou a tsundere (e vocês que me lêem não precisam saber o que é isso, se pensarmos bem; os que tem esses termos na ponta da língua passam ao largo da obra do autor); ele é o subúrbio, é o dono da lojinha da esquina, é a dona-de-casa que se estafa na cozinha porque seus filhos vão chegar da escola, é o garoto que ajuda na padaria do pai, é o time de várzea no fim de semana, é o bate-bola na hora do recreio, é o pai que assiste novela ao lado da esposa, é o namorinho de portão do neto do dono da banca de jornal com a filha do dono do armarinho, o menino de doze anos que está começando a ter interesse no sexo oposto olhando meninas mais velhas jogando vôlei com shortinhos apertados nas aulas de educação física, é o orgulho modesto mas extremamente profundo dos pais em falar dos filhos que tiram notas boas aos onze e que se ajeitam na vida aos vinte. Se pensarmos friamente, isso é espetacular.
Mas a fama de Adachi não se construiu nos mangás para garotos (shonen) à toa. Um dos principais esteios dessa visão de mundo do autor se ancora no que vamos chamar de brilho da juventude. Explicando melhor: na sua vida, o japonês médio gasta a juventude estudando como um escravo de galés sob chicote, para depois trabalhar como um cavalo no arado. O mangá surge como um entretenimento barato, portável e veloz. Você esvazia a mente no metrô, ou ao chegar em casa, ou lendo em algum canto no fim de semana. A revista Shonen Sunday, da Shogakukan, não tem esse nome à toa – e não é porque ela sai aos domingos (na verdade, sai às quartas): a diretriz editorial dela é trazer a seu leitor a sensação de um bom dia de domingo, agradável, livre das pressões do resto da semana. Não à toa, mesmo seus mangás de luta (como o Kekkaishi – Mestre de Barreiras de Yellow Tanabe) tem mais preocupação em fazer com que seus leitores apreciem a companhia dos personagens ao invés de deixá-los roendo as unhas com suas cenas de ação e batalhas intermináveis, esperando o próximo capítulo na semana seguinte.
Chato dizer, mas talvez seja esse um dos motivos da decadência vertiginosa da Shonen Sunday nos últimos anos (vamos ser sinceros: A Sunday contrata a autora de Full Metal Alchemist, um dos best-sellers dos quadrinhos de ação mais vendidos em seu tempo, para escrever o dia-a-dia de um garoto em uma escola rural?) mas isso não vem ao caso aqui. O que importa é que Adachi segue essas diretrizes à risca e não foi a toa que ele por muito tempo foi um lastro da revista. Ele traduz, dentro das normas desse senso comum japonês, a juventude como uma era dourada, mas com a sombra intrínseca de sua finitude. Se a ideia é a construção consciente de memórias de juventude, qual a função disso?
Simples: armazená-las para o momento em que a vida não for tão dourada, e você precisar delas para suportar emocionalmente o que vem por aí – que não deve ser nada agradável, bom dizer.
Em suma, boa parte da obra de Adachi tem algum subtom melancólico e até mais conformista do que realmente parece – não vou dizer pessimista porque a vida não precisa ser necessariamente ruim depois dessa fase em suas obras – basta olhar os pais do protagonista de Touch; mas na melhor das hipóteses é uma vida rotineira sem realizações significativas a nível emocional.

Desventuras de Adulto
Ao contrário do que possa parecer com essas palavras, não estou satanizando a obra de Adachi. Pelo contrário: dentro dos mangás, ela é talvez o melhor espelho de sua sociedade em termos de aspirações cotidianas e valores, para o bem e para o mal – uma visão de mundo conjunta, observada de forma afetiva e esteticamente brilhante por quem a vive (eu já disse e torno e repetir: se Kazuo Koike e Goseki Kojima de Lobo Solitário fossem Akira Kurosawa, Mitsuru Adachi seria
Yasujiro Ozu). E toda visão conjunta de mundo inclui em seu bojo conceitos e preconceitos, noções fabulosas e noções questionáveis, o digno de aplauso e o merecedor de aversão, em qualquer país do mundo. Nesse sentido, é uma obra extremamente honesta, questione-se ou não.
Isso explica inclusive porque a obra adulta de Adachi jamais teve o mesmo impacto de sua obra juvenil: se depois dos tempos dourados da vida, só resta ladeira abaixo, por que seus leitores vão querer pontuar essa mancha persistente no brilho da juventude? Nos seus materiais para leitores adultos, Adachi adiciona um pouco mais de gengibre ao seu tempero agridoce e é justamente esse o resultado geral de Aventuras de Menino: uma obra agradável (como se espera do autor), mas melancólica sobre a função utilitária da nostalgia, aonde a infância vira um armário de soluções – ou, pelo menos, de apoio emocional – para os problemas da vida adulta. De modo geral, há um padrão comum que une esse material: são sete histórias curtas sobre gente grande que tromba com as dores da maturidade – sob a sombra de um passado mais luminoso, mesmo quando há alguma mancha que estragou tudo o que veio depois.
Em sua maioria, essas histórias precedem o ponto de transição artístico mais recente de Adachi: após a morte de seu irmão mais velho (o cartunista Tsutomu Adachi, falecido em 18 de Junho de
2004), as visões de mundo que permeiam sua obra passam a ser contadas com um viés um tanto autocrítico a partir de obras como Cross Game: se há um senso comum de que o brilho só tem lugar enquanto você é jovem, para que você possa dizer a seus amigos e filhos: "quando eu tinha quatorze anos, fui campeão de beisebol no estádio Koushien...", foi nessa obra que, lá pelas tantas, o protagonista sugere a um personagem viúvo que não se importe com a idade, que viva a vida e quem sabe arrume uma nova esposa. Parece pouca coisa e até um detalhe esquecível – quem vai se lembrar de meia dúzia de quadrinhos um tanto isolados do contexto geral da série afinal de contas? – mas diz muito sobre uma revisão das diretrizes de sua obra (já falei o bastante sobre essa mudança de mentalidade do autor no artigo sobre Cross Game de qualquer forma, então não pretendo me repetir muito aqui) – e não custa lembrar que em Touch, a rotina era pesadamente pontuada ao longo de toda a obra e apresentada como algo que pode ser bonito e memorável também. De forma sutil isso pode ser percebido também em Aventuras: apenas a última foi produzida após a morte de Tsutomu e apenas em subtom ela destoa das demais (inclusive é a única que não se ancora exatamente na infância), mas já, já chegaremos lá. Só que não chegaremos sem spoilers, estou avisando logo de uma vez.

De Conto em Conto...
Eu pensei em falar dos materiais em sua ordem de publicação no volume, mas olhando com atenção, essa não é a melhor forma de observá-los. Embora todas sejam histórias isoladas, mesmo que com um tema comum, há algum tipo de "liga", em forma e em mensagem, em várias delas – que lembram em boa parte (quando há algum tipo de interferência do fantástico, e isso acontece em quatro das sete histórias) o velho seriado "Além da Imaginação". Não à toa, há um episódio da
série, "Recordações Amargas", que poderia ser perfeitamente uma das histórias de Aventuras de Menino (até no gosto pelas sutilezas, mas depois vocês podem conferir isso – é fácil encontrar o episódio dublado em português no You Tube, com as vozes que fizeram a dublagem brasileira um dia ter sido a melhor do mundo).
A primeira, Do Outro Lado da Porta, é um exemplo disso: Um homem não identificado é enganado por um estelionatário, e por conta disso a mulher que ele ama e sua mãe vão perder a pequena farmácia que ambas tem. Sem saber o que fazer, ele retorna à seu lar de infância, onde relembra todas as suas fantasias de audácia, heroísmo, e claro, dos personagens ficcionais que foram importantes em sua vida – notadamente o Doraemon de Fujiko Fujio, que atendia desejos fantásticos. O final reserva uma surpresa, que diz mais ao japonês (que cresceu vendo os personagens citados pelo protagonista) do que a nós, e se perde um pouco sem a referência – justamente uma das armadilhas que mostram como o material de Adachi é profundamente japonês, e volta e meia aparecem ruídos de comunicação. Mas é um conto positivo, que reforça justamente o "mágico" da infância como resposta aos erros do hoje. Curiosamente há um eco dela em duas outras histórias do volume – e muito distantes entre si: a terceira história, Herói, resgata a mensagem sem a interferência do fantástico, ao trazer um homem que se auto-anulou na vida adulta e é apaixonado
por sua colega de trabalho, mas que está na iminência de perdê-la para seu chefe. É nas memórias emocionais de sua infância, como um garoto fã de luta livre, que ele encontra forças para reagir.
O outro eco – o da interferência temporal – é na sexta história, a mais cruel do volume: A Escada do Tempo (que também é a mais escancarada no uso do fantástico). Um ladrão mascarado escapa de todo tipo de acidente e da polícia graças a um amuleto de sorte que ele roubou da casa de uma amiga de infância. No entanto, ele descobre que desgraçou a vida dessa menina e de seus pais ao fazê-lo – devolvendo o amuleto, com consequências imprevisíveis.
Aliás, um tema comum é a correção de um passado que não deu certo. No terreno das histórias fantásticas, isso acontece justamente no segundo episódio, Perdidos na Estrada, em que somos apresentados a uma amizade de infância partida por conta da morte em circunstâncias difusas de um coleguinha de brincadeiras – e por um momento breve ele volta dos mortos para esclarecer o que realmente aconteceu. Mas sua recorrência maior é nas histórias mais realistas, como Um Arco da Cor do Céu – que é menos uma correção do que uma lição moral para um pai que no fundo não valoriza aquilo que, da sua infância, pode ser repassado para seu filho; Mensagem Enviada, talvez o mais
simpático capítulo do livro, onde dois sequestradores atrapalhados (mas de boa índole) acabam por uma mera coincidência da vida reencontrando pessoas importantes do passado, separadas por decisões não tomadas (ou mal tomadas), e encontrando uma nova porta para o futuro. E isso de uma forma bem vaga até pode se aplicar ao último episódio – Caderno de Desenho, o único escrito após a morte de Tsutomu Adachi.
Ele oferece um diferencial: aqui não se apresenta realmente problemas ou soluções – tudo fica em aberto, mas isso é para o bem da história. Na verdade, é o único que não se volta à infância, e sim à época de universitário (e estruturalmente lembra bastante o citado episódio de Além da Imaginação). Muita gente vai preferir Escada do Tempo como o melhor episódio de Aventuras; friamente até entendo; mas pessoalmente escolho este. Aqui, temos um executivo da área bancária, que viveu para o trabalho, não se casou, largou os sonhos de ser ilustrador mas não sente culpas na vida, embora não seja exatamente feliz. Mas ao voltar ao café que frequentava na universidade, o encontra exatamente como era e testemunha uma cena que ele também viveu no passado. Reencontrando um amigo em outro momento e voltando ao bar, agora completamente diferente, percebe que aparentemente ele voltou no tempo. Mas alguém não se esqueceu dele.

O que chama a atenção aqui é que diferentemente dos demais, o passado não é fonte de soluções ou de nós que tem que ser desatados ou reatados para viver uma maturidade plena. É apenas uma oportunidade única que uma pessoa que simplesmente não para... parar, entender algo sobre si mesmo e abrir portas que ele nem sabia que estavam lá. Não é uma fonte de arrependimentos ou saudade. É apenas uma forma de olhar o curso da vida, repensar, perceber novos caminhos e
seguir adiante. Uma mudança grande de ponto de vista, se olharmos bem, e um ótimo fecho para o primeiro contato dos leitores brasileiros com o trabalho minimalista e exato de Mitsuru Adachi.
Que não seja o último – embora a escolha a partir daí seja difícil. A coletânea de histórias curtas Short Program pode ser uma boa opção aparentemente, já que trabalha com seu material para revistas para garotos, mas eu não me iludo e sei que seus materiais esportivos – o melhor de seu trabalho – não tem como ser publicados por aqui justamente por causa da recorrência do beisebol. Talvez obras prévias e mais curtas do autor como Nine ou Oira Houkago Wakadaishou – ainda imaturas, mas que apresentam muito do que estaria por vir e não seriam tão problemáticas para um público de livraria – pudessem servir de sondagem em livrarias para seu material juvenil. Mas eu não apostaria muito nisso. Não vai ser tão cedo que veremos um Cross Game por aqui. Melhor afiar seu inglês e comprar a versão americana. Ela está valendo a pena.
Mas tudo bem. O que importa é que tem um Mitsuru Adachi por aqui. E como eu disse, isso não é pouco. Não mesmo.
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Comentários:
Gostaria de ver mais coisa do Adachi por aqui, mas não sei se vai ser algo que será realizado logo.
Alexandre: a maior parte das obras de Adachi é muito extensa e envolve de uma forma ou de outra beisebol. Isso é um entrave comercialmente falando.
Alexandre: sinceramente minha impressão é que a vida do japonês médio é assim mesmo... realmente esse é um problema: a educação japonesa é de altíssimo nível, mas por tudo que apurei, ela não educa para o empreendedorismo. E ele é necessário, até para o Japão se refazer da crise econômica.
Ok, exageros à parte, fiquei realmente feliz em ver Mitsuru Adachi publicado no Brasil.
Talvez pela idade, essa série é a que mais fala comigo.
Mas queria ver as demais obras dele publicadas aqui. Sei que o beisebol é meio alienígena para o público brasileiro, mas eu mesmo acabei me interessando pelo esporte depois de ler suas obras.
E se a Ação Magazine pode ter um Jairo, porque não podemos ter Katsu! nas bancas? Ok, ok! Sonho meu.
Alexandre: taí, Katsu! é possível, mas infelizmente é a obra em que ele estava no piloto automático. Foi a última obra dele antes da morte do irmão Tsutomu, e não dá para negar que o impacto o fez rever muitos pontos da vida e querer passar isso para suas obras. Cross Game me parece fruto exatamente disso, é uma obra que dialoga criticamente com Touch e com sua visão de mundo.
Alexandre: eu acho que o traço dele é perfeito para sua narrativa, casa como uma luva. É minimalista, mas icônico e eficiente.
Teve uma época que Turma da Monica era assim graças ao excelente desenhista (infelizmente anônimo) que desenhou grandes pérolas da turminha, como a adaptação de Romeu e Julieta. Tinha um quê de Giorgio Cavazzano misturado justamente com Adachi - na minha opinião, o traço ideal da turma da dentuça.
Alexandre: se não me engano se chamava Rosana, não sei o sobrenome, já falecida. Mas eu realmente não sei quem era, gostaria de saber.
E o material ainda impressiona: http://www.monica.com.br/comics/rom-juli/welcome.htm
Sobre as obras de beisebol do Adachi... pôxa, se um mangá sobre Go está sendo publicado aqui aparentemente sem problemas, por que não um de beisebol?
... fracasso mesmo vai ser se um ótimo Giant Killing vier aqui, aposto
Alexandre: infelizmente é verdade. Nerd odeia futebol. Aliás, Cross Game parece que está enfrentando o mesmo tipo de problema nos Estados Unidos, um país que curte beisebol, mas seus leitores de quadrinhos...
E não custa lembrar que eu não sou fã de beisebol mas admiro a ideia de haver um subgênero dedicado a ele nos quadrinhos japoneses – como a ideia de um quadrinho popular, de massa, que fala dos temas que fazem parte da vida do povão.
Realmente faltou ao menos uma notinha sobre Doraemon na primeira história.
Gostei bastante da coletânea, até porque não sabia o que esperar.
Assim como você também tive contato com Touch e acabei deixando de lado por conta do traço e da falta da afinidade com o beisebal.
Vou procurar as edições americanas para reparar esse erro.
Alexandre: como eu disse: ele exigiu de mim um pouco de maturidade como leitor antes de encarar. Mas valeu – acho que Adachi tem, sim, muito a ensinar a novas gerações de autores.
Que texto fascinante!
É incrível encontrar um site tão voltado à análise da nona arte de uma perspectiva tão madura e inteligente.
Estou seguindo de imediato.
Sou quadrinhista e tenho um blog voltado a cinema e quadrinhos, mas que está muitíssimo longe da grandeza e conteúdo do teu site, mas ainda assim, ficaria honrado se puder contar com sua visita.
http://ibaldomarcel.blogspot.com/
Valeu, e que venham mais textos irrepreensíveis que nem esse.
Até.
Alexandre: muito obrigado, Ibaldo. Fique a vontade e apareça quando quiser.
"A revista Shonen Sunday, da Shogakukan, não tem esse nome à toa – e não é porque ela sai aos domingos (na verdade, sai às quartas): a diretriz editorial dela é trazer a seu leitor a sensação de um bom dia de domingo, agradável, livre das pressões do resto da semana. Não à toa, mesmo seus mangás de luta (como o Kekkaishi – Mestre de Barreiras de Yellow Tanabe) tem mais preocupação em fazer com que seus leitores apreciem a companhia dos personagens ao invés de deixá-los roendo as unhas com suas cenas de ação e batalhas intermináveis, esperando o próximo capítulo na semana seguinte.
Chato dizer, mas talvez seja esse um dos motivos da decadência vertiginosa da Shonen Sunday nos últimos anos".
Lancaster, como você mesmo coloca no texto, o grande problema da Shonen Sunday talvez não seja os editores, por incrivel que pareça, mas a propria tematica da revista, que ao meu ver, não tem como ser mudada a esta altura do campeonato; essa crise editorial tem afetado as vendas dos tankobons do Mitsuru Adachi, você pode informar isso?
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
Alexandre: Cross Game vendeu muito, muito bem. Infelizmente Q&A, que sai na Sunday mensal, tem tido um desempenho inferior. Chega ao top 30, é Adachi; mas uma vez por mês não apresenta o mesmo rendimento nem por um decreto no caso dele, ainda fazendo um trabalho mais atípico – menos dramático e mais escancaradamente cômico.
P.S.: gostou das sugestões dos meus e-mails?
Alexandre: tem coisas que eu até falaria antes, mas agora não vejo tanta razão para falar. A partir do momento em que não atualizo mais diariamente o blog, acho que é mais jogo investir em artigos mais perenes.
Alexandre: obrigado, o Maurílio ficará extremamente contente ao saber disso! Espalhe para os seus amigos em Jales, quanto mais pessoas comprarem melhor!
L&PM? Na minha cidade eu não consegui achar.
Mas quanto a parte que você falou da dublagem brasileira já ter sido a melhor do mundo, bom, pode-se dizer que ela ainda é uma das melhores do mundo, apesar do sucateamento, como exemplo o fato de Dragon Ball Kai ter ido pra BKS, ela ainda é boa, não tanto quanto nos anos 90, mas ainda sim é muito melhor que as cagadas cometidas por outros países(já viu DBZ em português de Portugal, grego ou em espanhol europeu? CDZ em françês?Death Note em russo?Algum filme americano em Japonês?Conseguem ser muito piores que a maioria das dublagens nacionais.).
Alexandre: Curiosamente ao ouvir a dublagem de Steamboy em diferentes línguas, a melhor de todas foi justamente em francês...
Mas realmente ela caiu de nível. Não dá para comparar o que ela foi e o que ela é.
Mas mesmo assim, Steamboy foi uma excessão, o padrão de dublagem francesa é mediano(DBZ e CDZ por exemplo, tem inúmeros erros e escolha ruim de vozes), apesar de outros países, como Rússia, Portugal, Grécia e Espanha tem um péssimo padrão de dublagem(pesquise no Youtube "Kira laugh multilanguage", e você vai ver vários exemplos de péssimas dublagens.).
Só a iniciativa já era merecedora de prêmio, e somada a qualidade, isso se concretizou na forma de um dos mais importantes títulos agraciados aos envolvidos na nona arte no Brasil.
A propósito, fui informado por um amigo que finalmente chegou a Ação Magazine nas bancas da cidade. Se ainda estiver nas bancas na segunda-feira, adquiro a minha edição dessa publicação que faz parte da História dessa revolução dos quadrinhos no país que começou e espero que retorne com mais força em 2012.
Novamente, parabéns!!
Alexandre: Obrigado, Ibaldo. Esperamos não desapontar.
como muitos que leram ou conhecem as outras obras do autor,fico na espera de outro titulo.
Alexandre: sinceramente, eu também. Mas como eu disse, ele tem que ser muito bem escolhido. :\
comprei a Ação Magazine (demorou,mais chegou aqui),esperando pela próxima.
Alexandre: Espero que você goste, e não esqueça de nos dizer o que achou. :\
Devidamente lida, espero que o potencial que um espaço de publicação que nem esse propicia possa ser atingido ao menos parcialmente ao longo das séries.
Ainda que alguns one-shots bem estruturados possam ser bem-vindos ao meu ver.
Tenho visto muita repercussão positiva e negativa em blogs, etc, e me parece tudo válido para encontrar uma identidade de publicação forte.
Porém, não tenho certeza quanto a essa por enquanto definição de mangá nacional, que estará nas bancas competindo com os mangás made in Japan.
Creio que um grande aprendizado pode ser observado com as publicações independentes de sucesso lançadas em 2011 por artistas brasileiros, e que foram alavancadas por eventos de quadrinhos em profusão no país, contando especialmente com histórias e personagens com características diferentes de mangás, comics, etc, mas utilizando as influências de maneira que torna as tramas e HQs diversas dos moldes das publicações que os autores leram e que ajudaram a construir seu estilo.
É um constante aprendizado, que vai além de contar uma história de heróis, poderes, e guerreiros com nomes brasileiros, ao que me parece.
Um caminho pelo qual a Ação Magazine terá que passar em busca de seu espaço, e que eu pretendo acompanhar ao longo das edições.
Alexandre: bom, não estamos querendo cópias. Há coisas que são universais e não vejo porque um disco voador que dê poderes a um garoto que o encontrou tenha que cair em uma cidade americana, se não, "não estamos sendo brasileiros". Pelo contrário: queremos trazer esse sonho. Fazer um garoto ler e sonhar que sim, ele poderia ter poderes mesmo se chamando josé. Não queremos ser indies, queremos ser quadrinho de massa, mas mostrar que sim, podemos fazê-lo bem. E será um prazer tê-lo acompanhando esse processo.
Mas eu tenho q dizer que esse tipo de pensamento de que todo mundo tem o seu "canto" e que é impossivel sair dele me irrita muito. Ainda bem que ele mudou desde Cross Game
Mas eu vou ler a obra dele
Alexandre: bom, como eu disse, ele representa a mentalidade do japonês comum. Isso faz parte. O que ele mudou foi a forma de olhar para essas coisas.
Parabéns para a editora por o bom trabalho, e para você por o ótimo post.
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