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Dez 21
Enquanto Isso, na Comic Bunch Mensal...
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Categorias: Comic Bunch

De modo geral eu tenho acompanhado com atenção os rumos das revistas Comic Bunch Mensal, da Shinchosha, e da Comic Zenon da Tokuma Shoten. Isso porque ambas partilham a mesma origem: a finada Comic Bunch semanal da citada Shinchosha, que existia por conta de uma parceria entre a Coamix – empresa capitaneada por ex-artistas e editores egressos da fase áurea oitentista da revista semanal para garotos Shonen Jump da Shueisha. E embora eu não tenha pudor de usar o adjetivo "saudosa" quando falo da extinta Bunch semanal, convenhamos que ela tinha um problema dos grandes: a presença de veteranos como Tetsuo Hara e Tsukasa Hojo praticamente monopolizava as atenções para com a revista, transformando-a em um item ambulante de nostalgia; o fato de que esses veteranos ainda estavam em forma ajudava a esconder os novatos que acabavam fazendo meramente número na Bunch.
No final a queda de circulação e posterior cancelamento da velha Bunch parece ter se revelado inesperadamente benéfico para ambos os lados: na Tokuma (que publica revistas de primeira como a Comic Ryu e serve de casa para autores de primeiro time como Yoshikazu Yasuhiko, Yutaka Izubuchi e Kenji Tsuruta – além de artistas menos conhecidos mas que mandam muito bem, como Hisao Tamaki e Yoko Kimitoshi), a Coamix encontrou uma empresa com um perfil mais favorável a veteranos de alto nível; a Comic Zenon tende a dar prosseguimento aos títulos mais tradicionais da velha Bunch como Angel Heart de Hojo, além de resgatar títulos como Cyber Blue de Hara (que teve vida curta na Shonen Jump e encontrou um cenário mais propício para ser resgatado e desenvolvido aqui).
Já na Shinchosha, ficou apenas o nome da Comic Bunch – e eles decidiram seguir um rumo oposto em sua versão mensal: dar valor aos autores novos que estavam sob seu teto, mas acabavam sem muito destaque; além de adotar uma imagem mais jovem e arrojada (em oposição à percepção mais nostálgica da publicação anterior) com integração entre seus títulos e a internet. Parece ter sido uma boa política: longe das grandes árvores, esses autores conseguem crescer, e a nova Bunch mensal tem títulos interessantes como a ficção científica Joshi Kouhei, de Jiro Matsumoto; a série de ação Area 51 de Masato Hisa; a casca-grossa Gangsta, de Kosuke; e um dos meus favoritos do momento: a série histórica Gunka no Baltzar de Michitsune Nakajima.
Mas o maior chamariz da revista tem sido a série Btooom!, de Junya Inoue – uma série de sobrevivência, com personagens presos em uma ilha deserta na linha de sucessos como Battle Royale. Vamos ser sinceros: esse tipo de história tem eleitorado e, mesmo com potencial comercial, era um dos títulos eclipsados pelos veteranos na velha Bunch. Na nova ordem, é um dos carros-chefe da revista, com direito a brindes e promoções – muitas vezes explorando a pin-up principal da história, a onipresente lourinha Himiko. Agora essa série pouco a pouco sai das sombras, com direito a eventuais aparições no top 30 dos quadrinhos mais vendidos japoneses e pequenos itens de merchandising. Agora eles lançam um brinde inusitado: uma revista que mostra a citada personagem como… gravure idol (essencialmente, ensaios de modelos com nudez parcial e eventualmente cenas de biquini), que acompanhará a edição para colecionador da série encadernada, com capa dura e outros itens de fã. Eu sei que muitas vezes a coisa é exagerada, mas temos que levar em conta que a Bunch mensal não é uma fábrica de waifus (digite waifu no google para que você entenda o que eu quero dizer) – a personagem é apenas um item apelativo, a história não foi feita em sua função. Por mais que haja a nebulosidade entre o real e o virtual na cultura pop japonesa, essa é ainda uma revista mainstream para jovens adultos, não um produto para fãs hardcore. Ponto pra Shinchosha.
No andar da carruagem parece que apesar do impacto negativo inicial, a separação foi boa para todos. Não se cresce à sombra das grandes árvores, no final das contas.

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