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Out 24
Yuusha: A Era dos Robôs e dos Bravos
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Categorias: robôs gigantes
Um desenho animado que eu queria muito ter visto no Brasil, sem sombra de dúvida, é King of Braves: Gaogaigar. Ele poderia ter ajudado a popularizar um pouco mais por aqui a figura dos mechas – leia-se, robôs gigantes – em uma época em que o gosto do público brasileiro ainda estava se formando, na esteira de séries de luta em sua maioria oriundas da Shonen Jump. Não foi isso o que aconteceu e não adianta matutar "o que poderia ter acontecido". E por mero acaso, encontrei essa série de vídeos no You Tube, que estou postando aqui ao longo desse artigo.
O que os une é pertencer a franquia infanto-juvenil Yuusha (literalmente, "Bravura") que resultou de uma parceria comercial entre a Sunrise e a empresa de brinquedos Takara (hoje Takara Tomy). De modo geral, eles tinham sua própria linha de tempo, sem formar na sua maioria um "universo". Nenhuma dessas séries, norteadas conceitualmente pelo tema da bravura em si, revolucionou a história da animação; mas, mesmo com seus altos e baixos (há séries boas, outra nem tanto, e algumas soariam infantis demais até mesmo para crianças de hoje em dia), os produtos dessa franquia são exemplares muito bem acabados de produtos de entretenimento, sem outras pretensões que não divertir o espectador. E boa parte deles ainda hoje entretém, sem culpa.
Estou postando porque, como costumo dizer, robôs gigantes nunca são demais (exceto se forem dirigidos pelo Michael Bay) – e eu espero que vocês se divirtam também. Sejam bem-vindos ao universo das séries Yuusha. Que começou com...
1) Brave Exkaiser (1990): Esse na verdade seguia uma linha de roteiro bem similar às animações originais da franquia Transformers: se pensarmos (estruturalmente) nos Kaisers como os Autobots, os Geisters como os Decepticons, o Great ExKaiser como o Líder Optimus e o garoto Kouta como o Spike, fica bem mais fácil de entender. Antes que alguém reclame: a premissa pegou e abriu terreno para o que veio a seguir. Não foi e nem poderia ser exatamente um começo auspicioso com uma abordagem dessas, mas comercialmente deu certo e os animes da linha Yuusha acabaram melhorando a cada série.
2) The Brave Fighter of Sun Fighbird (1991): Esse é protagonizado por outra leva de robôs pertencentes a uma polícia espacial (a mesma de onde vieram os Kaisers em Exkaiser), infiltrados na terra para combater um ser de energia aliado a um cientista louco. A diferença é que eles podem projetar-se em corpos andróides, permitindo que eles permaneçam incógnitos entre os humanos. Mas não há muita diferença em relação à sua antecessora de modo geral, mantendo uma estrutura episódica e tocando a leseira de sempre.
3) The Brave Fighter of Legend Da-Garn (1992): Aqui temos uma mudança de paradigma. Da-Garn rompe com o cenário anterior e traz seu próprio universo, trazendo um protagonista humano que comanda os robôs em campo de batalha. Apesar da abertura "alegrinha" e sem-noção – e de ainda ser uma série infantil – ela mostra as primeiras fissuras entre os interesses da Takara e as intenções criativas da Sunrise, contando uma história contínua, apresentando um cenário ligeiramente mais complexo (os inimigos estão fragmentados) e trazendo um final dramático com direito à baixas no elenco. Isso já havia acontecido antes – basta lembrar do contínuo amadurecimento das animações da mesma Sunrise, que desembocaram em séries como Gundam e Ideon, e aparentemente, a Takara não gostou muito dessa abordagem, gerando um conflito interno que explodiria abertamente na série seguinte, Might Gaine.
4) The Brave Express Might Gaine (1993): para muitos, a melhor série da linha Yuusha, com um protagonista que comanda robôs vigilantes contra diversas organizações criminosas – e dando continuidade ao processo de maturação que se iniciou levemente em Da-Garn. Novamente temos uma série contínua aonde os robôs enfrentam vários grupos inimigos ao invés de uma única e decepticoniana facção, ao longo de uma trama que se adensa. Era a insistência do setor criativo da Sunrise contra as pressões da Takara, gerando uma reação irritada dos animadores no final da série; se alguém se interessou em vê-la, pule o parágrafo a seguir – que vai ser um monstruoso spoiler – e vão direto ao item seguinte.
No final da série, os personagens descobrem serem apenas isso: personagens de ficção. Os conflitos que todos enfrentam são gerados por um vilão extradimensional que os explora para vender brinquedos e outros itens de merchandising através de suas imagens. O protagonista o vence, pelo direito de ser real. Mais direta (e metalinguística) a mensagem, impossível.
5) Brave Police J-Decker (1994): ou "sentindo a porrada da Takara". Apesar de preservar os temas mais claramente sci-fi da obra anterior, é claro que não era hora de irritar os financiadores. Assim, eles suavizaram o tom para algo mais próximo dos originais...
6) The Brave of Gold – Goldran (1995): ... movimento radicalizado neste Goldran, que na verdade retorna o mesmíssimo tom das primeiras séries da linha Yuusha. Voltam o tom episódico (salvo na reta final da série), mais um direcionamento mais voltado ao humor. A série é protagonizado por Takuya, Kazuki e Dai – três unidíssimos e pentelhíssimos garotos do primário, que localizam uma pedra poderosa com a qual controlam o robô da vez e de quebra atraem seus inimigos regulares. O que poderia ser um mero retrocesso acabou dando comercialmente muito certo (em parte pela colaboração inestimável do designer mecânico Kunio Okawara, o mesmo que criou os robôs icônicos das séries Gundam, Votoms e Ideon), gerando assim tornando a maior audiência de todas as séries Yuusha.
7) Brave Command Dagwon (1996): o corpo estranho da franquia e a pior decisão criativa que eles poderiam ter feito. De certa forma, a linha Yuusha estabeleceu duas vertentes internas, em perpétua queda-de-braço entre si: as séries mais infantis e episódicas contra as séries mais narrativas e que mesmo sendo primariamente dirigidas a um público mais jovem, adicionavam sua cota de degraus de complexidade. Por sua vez, Dagwon – aonde cinco jovens se transformam em robôs (sic) – é a resposta ao sucesso comercial de Samurai Troopers, da mesma Sunrise. O estúdio quis repetir a fórmula (e seu desempenho comercial) em suas principais franquias. Em Gundam, gerou o nefando Gundam Wing. Em Yuusha, gerou Dagwon.
O resultado foi o mesmo que aconteceu em Wing: atraíram um inusitado público feminino, mas ao custo da alienação de seu principal público. Só que no caso da franquia Yuusha, esse público era o infantil – e como se tratava de uma aliança entre a Sunrise e uma empresa de brinquedos, os resultados comerciais foram péssimos e o estúdio teve um choque de realidade: a colaboração entre a Sunrise e a Takara estava por um fio. Era preciso pôr ordem na casa, e assim veio a mais ambiciosa de todas as séries Yuusha...
8) The King of Braves – GaoGaiGar (1997): talvez a maior coleção de super-robôs, em termos de diversidade, se esmagando uns aos outros, da história da animação japonesa. Como essa série não ganhou o mundo nessa época, para mim, é um mistério: se algum material do gênero tinha possibilidades em chutar as portas do ocidente na época era justamente esse (que não por acaso foi o único dos materiais da linha Yuusha a ter algum destaque fora das fronteiras japonesas, mesmo que apenas entre uma incipiente comunidade internacional de fãs de animação japonesa). E talvez ele nem tenha envelhecido tanto assim em relação a outros materiais da mesma época, por conta da sensação de exagero que mesmo hoje ele parece exibir.
Gaogaigar soa gigante em sua ambição, desde os primeiros acordes de seu tema
de abertura ao design insano que permeia cada detalhe dos robôs da série (novamente pelo bom e velho Kunio Okawara, que deve ter recebido uma carta branca total no mínimo; só vendo pra entender). Podemos definir essa série como a volta em grande estilo dos super-robôs dos anos setenta – ainda para todas as idades, mas repensados para seu tempo, dentro do tema central da Bravura que norteia todas as séries Yuusha – e funcionando como uma resposta um tanto agressiva à cultura do "oh, tadinho de mim" que se espalhava com Evangelion, sempre oferecendo a bravura em resposta à autocomiseração. Seria perfeito...
... não fosse o seu fracasso de audiência na televisão, mesmo que simultaneamente a série apresentasse um desempenho estrondoso nas vendas em DVD.
O que aconteceu foi simples: Gaogaigar alcançou uma base de fãs adulta no Japão (que provavelmente assistiu a séries de super-robôs na infância, durante os anos setenta). Para piorar, a série foi lançada no mesmíssimo ano em que um certo menino da cidade de Pallet arrumou um rato elétrico amarelo e pôs o pé na estrada, apontando para o que seria o tom da animação infanto-juvenil japonesa dali em diante. Os tempos simplesmente haviam mudado e talvez as coisas fossem diferentes se essa série não tivesse sido precedida de um passo tão mal dado quanto Dagwon. Até porque Gaogaigar não foi um desastre financeiro: as vendagens em vhs acabaram segurando a peteca, tanto que ela desembocou uma conclusão diretamente para vídeo, para a tranquilidade dos
cofres da Sunrise. Só que como a intenção sempre foi vender brinquedos, para a Takara isso não servia de nada. Assim, o projeto seguinte da linha Yuusha, Saint of Braves: Bangan, jamais saiu do papel (ele migraria para os videogames, gerando o jogo Brave Saga); para fins práticos, as séries Yuusha terminam aqui.
Hoje a linha Yuusha é artigo de nostalgia dos anos noventa. A Sunrise ainda ganha com seus relançamentos e artigos para colecionadores (o site oficial da linha pode ser visto AQUI), e alguns games sob a griffe Yuusha foram feitos, mas o tempo dessas séries terminou. Vamos torcer para que com Gundam Age, a Sunrise consiga recapturar a imaginação das crianças de seu tempo para a ficção científica e a aventura épica. É um grande desafio, mas qualitativamente a atual equipe está se saindo muito bem; vamos torcer para que comercialmente o projeto consiga resultados à altura.
Por ora, fica só a lembrança de um tempo aonde ainda se podia sonhar com um mundo de bravura, ao lado de robôs gigantes capazes de realizar grandes proezas em meio a cenas de ação. Um tempo aonde o conceito de animação de massa ainda era o mais importante no Japão – e por mais que as relações entre estúdios e seus parceiros comerciais fossem turbulentas, os resultados mostravam: tudo valia a pena.

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Comentários:
Alexandre: também não acho que faria. Como eu disse, aquela época dos anos noventa era o momento exato para que um Gaogaigar chegasse por aqui. Hoje essa janela passou. :/
Não gostei do Gundam Age, achei chato e bobo, não sei se uma criança de 10 anos curtiria, acho que não, talvez um molequinho de 7. Não tenho essa fascinação por robôs gigantes apesar de ter pegado algumas séries como Flashman, Jaspion etc. na TV preferia o Winspector que era engraçado ou a Patrine que eu achava extremamente cool e estilosa. xD
Alexandre: eu gostei muito de Gundam Age. Na verdade ele soa como um passo que remonta às séries da sunrise imediatamente anteriores ao gundam original – ao invés de um personagem que se abala com a guerra, temos um garoto confiante, pronto pra seguir em frente. É como se houvesse um desvio conceitual de rota, mas feito a partir dos primeiros gundams. Mas o que mais gostei no Age – e que pretendo ainda falar mais detalhadamente em algum artigo posterior, vamos ver o andamento da série – é que ele é até agora tem se mostrado gundam em seu sentido mais básico, despojado de adereços. É como se o UC fosse rock progressivo e de repente retornassem ao rock básico, de apenas três acordes. Age para mim foi isso: Gundam destilado aos seus elementos essenciais e nada mais, sem adereços ou gorduras (e cada AU inseriu mais algum tipo de gordura).
Não foi a toa que os fãs de Seed e 00 odiaram Age. Eles sim, se agregaram por conta dos acessórios. E eu torço muito pra essa série dar certo. É o primeiro Gundam que vejo com empolgação em anos.
A única série de robô gigantes que eu consegui gostar de verdade foi Code Geass, Eureka Seven eu curti o mangá, mas estava mais pra +/-.
Alexandre: Eureka 7 pra mim é apenas mais uma, não fede nem cheira. Code Geass pra mim tinha uma premissa genial e tudo pra render uma obra prima do gênero, mas a medida em que a série avançava, eu tinha uma sensação de ladeira abaixo...
Pokemon ganhou o mundo e na esteira dele os canais de TV lutavam séries de monstrinho para conquistar a molecada e assim seria por meia década. Quando o gás delas baixou, Gaogaigar estava entre a nota de rodapé e o artigo de nostalgia, seu momento tinha passado.
Alexandre: eu falava de sua exportação, independentemente do cenário interno japonês, mas você observou bem.
E sabe duma coisa - G Gundam é o Yuusha dos Gundams, lançada em 1994, ano do meio da "Era dos Bravos". Sem essa matéria eu jamais teria juntado os pontos. :-P
Alexandre: verdade. E dane-se purismos aqui – G Gundam é divertidíssimo.
Me lembrei que vi numa matéria da revista Herói nº1 alguma coisa sobre as novidades no Japão (na época que a revista saiu) e junto com Iria e Kakuranger, tava lá J-Decker.
Alexandre: verdade. Mas como eu disse, não vale muito a pena pensar "no que poderia ter sido". Dá úlcera. XD
O seu comentário sobre o gundam age, atiçou minha curiosidade, chequei o 1º episódio, e. . . admito que a série não é ruim , mesmo não sendo pra minha idade, eu estava esperando um gundam inazuma eleven , mas o lance de que a origem dos inimigos ser desconhecida ( alienígenas? , inteligência artificial?, colonias rebeldes ?) pode render boas surpresas, . . . ou não . . .
Alexandre: aquilo promete e muito. Ainda vou ver o terceiro episódio, mas até agora cumpriu perfeitamente sua função: apresentar o que é gundam em um modo "para iniciantes".
Vc achou Eureka Seven sem graça ? acho que é uma das poucas séries que me apresentarm um universo original e convincente aliou robôs, aliens, , surfe e contracultura de uma maneira única , sem se deixar influenciar excessivamente por gundam de um lado ou evangelion do outro, além é claro de um protagonista adolescente crível com seus momentos de emozices e heroísmo bem apresentados. Já vi três vezes ^^ !
Alexandre: no meu caso acabei dropando. Nem xingo a série, mas senti que não me dizia nada.
quanto a code geass , confesso que ,mesmo com todo o fanservice, shippings, plotholes, masturbações no escuro e ,acima de tudo isso, CLAMP ! a série me entreteu. Consegui me simpatizar mais com a causa e as atitudes de Lelouch do aquele banana do light Yagami. . .
Talvez seja hora de rever novamente, nah, melhor não , aí sim ire me dar conta dos furos que ele tem . . .
Alexandre: o Code Geass, como eu disse, prometeu muito. Mas convenhamos que comparar Lelouch com Light Yagami é pedir pro Lelouch acabar se saindo bem na comparação. O problema é que no fim da conta eu queria estrangular os personagens...
Aliás, se eu não disser isto, alguém vai dizer: o referido molequinho dono do rato elétrico veio da cidade de Pallet.
Alexandre: ah, erro de digitação. Deixa que eu corrijo.
Alexandre: na verdade foi algo que veio na telha. Eu apenas vi os vídeos no domingo, decidi que iria postá-los e quando me dei conta, me via escrevendo um artigo que só foi postado lá pela madrugada. Leia-se, foi puro impulso.
Bem, mas já que estou aqui como visitante, vou dizer apenas que o meu favorito de todos é, sem sombra de dúvidas, Da Garn. Sério, Da Garn é minha série infanto-juvenil favorita. Inclusive acho ele superior ao GaoGaiGar, que por algum motivo não vi tanta graça assim... Talvez porque eu já estivesse mais velho na época.
Alexandre: o GaoGaiGar foi o primeiro que eu vi, e eu já era marmanjo. Acho que eu curtia o espírito over da série.
Houveram também as séries Eldoran na mesma época, que em muitos sentidos eram primos dos Yuusha. Ganbaruger era meio fraquinho, mas Raijin-Oh e Gosaurer eram extremamente divertidas. Este último, de quando em quando, até lidava com temas mais sérios e bastante maduros para o público-alvo. Pra mim seria impossível uma criança não ficar empolgada com a ideia de uma sala de aula que se transforma em robô gigante. Eu costumo assistir essas séries com meu sobrinho de 5 anos e o apelo que elas possuem ainda é muito forte, mesmo com quase vinte anos passados.
Alexandre: é uma observação interessante. Crianças mais novas não se interessam se um desenho é mais antigo ou mais novo – querem saber se ele os faz rir, se os faz chorar, se os faz se empolgar. Esse tipo de reclamação ("ah, parece velho") é coisa que surge com a idade. Já vi criancinhas curtindo muito a reprise mais recente que Kimba, o Leão Branco teve na tv aberta (acho que na TVE, antes de ser absorvida pela Rede Brasil) e ele já é um desenho do tempo do onça...
Mas eu conheço o raijin-oh. É simpático.
Mesmo o conceito de "monstrinhos que lutam com outros e podem ser guardados no bolso" tendo raízes no Ultra Seven, foi Pokémon que acabou aproveitando o conceito de forma a agradar a um público amplo, de todas as idades e gêneros. Alguns meninos vão pelas batalhas, algumas meninas pela "fofura" dos bichinhos e por aí vai.
Alexandre: não acho que GGG teria afetado Pokemon. Ele era representante de uma tendência que já existia (e faço questão de repetir, não foi um fracasso comercial, apenas não pegou seu público alvo e acabou sendo sustentado por um público que não era originalmente o seu). Pokemon era o novo, e não custa lembrar, já existia como franquia de jogos.
Não entro no mérito de GGG ser bom ou ruim, até porque não assisti completamente, mas no final do dia, a estratégia de Pokémon acabou sendo a mais condizente com o que o público alvo queria. E não é demérito para GGG, que mesmo assim, ainda parece ter conseguido se sair bem
Por alguma estranha razão, acho que ia gostar de GaoGaiGar rsrsrs
Brincadeiras a parte, já vi uma coisa ou outra sobre o anime. Parece interessante.
Vi uma parte do final e achei a cena final do tal "Mamoru" com a namoradinha, algo bastante tocante (e confesso, "bonitinho" rsrs).
Alexandre: valer, vale a pena ver. Mas lembre-se sempre qual era o público-alvo dessa série ao assisti-lo.
Alexandre: não dá para julgar um material infantil com os mesmos critérios de um material adulto, sejamos honestos. Eu pelo menos gosto bastante de Gaogaigar, mas sei que não dá para esperar dele o mesmo que se espera de um Gundam clássico. E nem é essa sua proposta, então porque vou reclamar?
Me considero um fã veterano de Gundam, gosto de coisas do gênero mecha desde os tempos de criança. Gundam AGE derrubou meus preconceitos e medos em relação à nova série com a sua premissa simples mas empolgante, sem pseudo-politicagens que no final sempre são resolvidas à base de beam-spam de deus ex machinas, nem drama adolescente emo que mais irrita do que ajuda em termos de desenvolvimento de personagem. Depois das tentativas fracas de tentar imitar o clima da cronologia U.C e de exaustivamente repetir o esquema "super-sentai-bishie" do Wing na formação de elenco, era mais do que tempo de mudar a fórmula.
Alexandre: novamente um ponto. Eu simplesmente acho que Gundam 00 é wing com alguma espécie de roteiro (porque wing não tinha nenhum). E como eu mesmo disse em um comentário, a sensação foi que não fizeram mais nem menos do que a obrigação. O que é melhor do que fazer uma bomba, mas também não me estimula a continuar assistindo. Age pelo menos parece estar sendo honesto com sua premissa e funcionando a contento até agora.
Ainda é cedo para dizer se a série é boa, afinal não passaram nem cinco episódios ainda. Mas posso dizer que vejo potencial.
Alexandre: eu também.
E repetindo o que uns disseram aí eu também gostei bastante do Gundam AGE, vi os dois primeiros episódios, e até agora está me empolgando, a questão dos supostos "alienígenas" deu um ar ótimo e renovante para a franquia, sabe que antes de ver o AGE eu tava pensando que seria uma coisa mais "Super Onze" com poderes dos personagens e as músicas de abertura tocando no fundo, mas não, ficou uma série infanto-juvenil, mas com o "espírito Gundam de ser", se é que estão me entendendo.
Alexandre: de fato. Na verdade vi hoje o terceiro episódio e cheguei a conclusão: é um Gundam com espírito shonen, no melhor sentido da palavra, com um espírito mais heróico e um personagem que trafega em direção a seu destino.
E a Yurin se revelou uma mocinha útil, e isso foi muito bacana.
O que quis dizer é que mesmo se GGG tivesse vindo antes, Pokémon ainda teria sido o sucesso que foi. Não acho que o êxito comercial do anime tivesse sido um empecilho para o sucesso de GGG. Como você disse, era um braço de uma franquia já conhecida.
Há, nunca fui de me importar muito com isso.
Para ser sincero, sempre preferi essas séries com ar mais simplista e inocente àquelas que tentam se fazer de "elaboradas", sérias, entupidas de gravitas e "realismo" mas que na verdade são apenas uma caricatura mal feita do que se propõe a ser. Sempre vi esse tipo de produção artística (desenho, gibi e - por que não? - jogos de video game) como mero entretenimento. Algo para passar o tempo e se distrair um pouquinho.
Logo, não tenho muitos problemas com o tom da série. Se for honesta com a sua premissa e não tentar enganar a mim e "a si mesma" tentando ser o que não é, já é de bom tamanho IMHO.
É um anime que teria feito sucesso se veiculado na tv aberta, e chegasse com toda a gama de produtos... pois lembro com tristeza de vários animes do gênero que saíram nos anos 80 (boa parte em VHS)sem publicidade nenhuma, muito menos artigos relacionados. Como acontece com animes que só passaram na tv fechada, apesar de G Wing ser uma merda poderia ter aberto a porta para a franquia chegar no Brasil, se tivesse sido trabalhado corretamente como produto e não tapar buraco de programação.
Alexandre: eu tenho cá minhas dúvidas. De acordo com o licenciador em uma palestra de evento, Gundam Wing foi considerado confuso pelo público da Cartoon Network – e convenhamos, era mesmo. Talvez o dano à imagem da franquia aqui fosse pior caso Wing tivesse migrado para a tv aberta. Mas eu tenho esperanças quanto a Gundam Age.
Alexandre: embora o sistema de syndication em molde diário aparentemente já tenha sido abandonado pelos americanos (quanto mais episódios nessas condições melhor), acho que não adiantaria muito. Wing tinha um roteiro confuso e instável – tente assistir Wing pulando de sete em sete episódios: cada uma parecia ser uma série diferente, faltava coesão. Picotar talvez tornasse tudo apenas mais confuso ainda. Esse é o problema: tentaram aplicar as regras de Samurai Troopers (grupos de personagens separados mas convergindo para um mesmo ponto continuamente, sendo forçados a reiniciar a trajetória até o final) ali, e Gundam não era o melhor lugar para isso. As tramas políticas soavam rasas, e apareciam absurdos como uma organização mantenedora como a Romefeller (de quem a Oz era braço armado) de repente mostrar suas próprias tropas... e sem falar de vilões como Dorothy Catalonia, que com seu "eu amo as guerras", me parecia uma personagem saída de Capitão Planeta, na boa. Mas de Wing já falei extensamente AQUI, acho que não queremos começar a falar e falar sobre isso de novo...
AGE tem grande chance de fazer sucesso mundial, afinal conversa com vários públicos e não só com fanboys velhacos XD
Alexandre: com certeza.
Lancaster, talvez você não saiba mas Wing chegou a ser adquirido para a TV aberta aqui no Brasil pela Globo(isso mesmo, pela Globo), num pacote de filmes da distribuidora, só não "repararam" na série e não exibiram.
Alexandre: isso pra mim é novidade. Mas talvez tenha sido bom – o dano de imagem poderia se alastrar. Qual a fonte? Agora fiquei curioso.
Um negócio engraçado é GW teve um certo sucesso em outros países latinos, como o México, como a Licenciadora da série era brasileira (no caso, a Imagine Action Dálicença), o fracasso da série no Brasil afetou toda a America Latina, e países como México e Chile ficaram prejudicados e não tiveram mais nenhum Gundam.
Por isso também que Gundam SEED e SD Gundam foram rejeitadas pelo Cartoon Network.
Alexandre: ou seja, Wing deixou um legado de trevas...
Quanto a AGE, espero que venha ao Brasil e faça sucesso, quem sabe assim não tenhamos outros Gundams aqui além de Wing.
Alexandre: tomara.
Eu soube disso pelo JBox, na matéria que eles fizeram de Gundam Wing. A Globo também tinha direitos sobre Patlabor, mas também não exibiu.
Alexandre: e Patlabor era um produto muito superior, mas infelizmente, hoje eu acho que não tinha como emplacar no Brasil. Era outro conceito, outro ritmo e um humor sutil que dependia de uma boa adaptação na dublagem para funcionar por aqui. Na Fox Kids, foi vergonhosamente esnobado pelos fãs Brasileiros – e isso em uma época aonde animes na televisão despertavam mais reações passionais do que hoje.
Quanto ao resto da A.L., Wing teve potencial e fez sucesso na Argentina e no México por exemplo(onde passou na TV Aberta, pela Televisa), mas quando trouxeram a série para a América Latina o foco era o Brasil (GW estreiou no CN brasileiro em Junho de 2002, sendo que no resto da A.L. estreiou só em Dezembro, mas quanto a isso, não estou totalmente certo), se a licenciadora não fosse brasileira mas mexicana ou de outro país, talvez tivéssemos tido outra série.
Alexandre: bom, vai se levar muito tempo até que se possa arriscar outro Gundam por aqui. :\
Você tocou num assunto que tanto Patlabor quanto Gundam Wing são parecidos, as dublagens das duas séries ficaram muito boas, as vozes encaixaram bem em cada personagem e os textos muito bem traduzidos, e as animesongs de Patlabor em português ficaram excelentes.
Alexandre: sinceramente, acho que a tradução de Patlabor falhou na adaptação. Os textos ficaram certinhos demais. E tradução não pode ser certinha; traduzir é trair. Aquilo precisava ser adaptado, pra transmitir o espírito de humor sutil da série – que se perdeu no processo, na minha opinião.
Que tal falarmos sobre series que tinham tudo para emplacar, e não emplacaram?
Minha sugestão:
Slayers; eu não consigo achar um motivo para ela ter fracassado; pensei na exibição catastrófica na Bandeirantes/Rede 21, mas acho que não foi só isso.
Alias uma curiosidade:
Alguém percebeu que a dupla dinâmica de Holy Avenger, Lisandra e Niele, eram uma versão politicamente correta da Lina e da Nahga?
Atenciosamente
Júlio Nunes da Silva Filho
P.S.: Lancaster recebeu o meu e-mail?
Alexandre: acabo de ver, mas estamos em correria de fechar edição. Depois eu respondo melhor.
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