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Jul 21
Jiro Taniguchi na revista L'Équipe
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Lancaster |
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5
Categorias: mangaka

Eu sei que tem muita coisa a atualizar – muita coisa atrasada, aliás – e ainda tenho que comentar sobre o evento de pré-lançamento da Ação Magazine no Festival do Japão. Mas eu não poderia deixar essa passar batida: uma das revistas esportivas mais importantes da França, a L'Équipe, serializará a partir de agosto uma história de esportes (no caso, luta-livre) do autor japonês Jiro Taniguchi. É um feito considerável para os mangás na França, principalmente com o peso da revista em seu segmento. A série se chama Garôden e foi publicado no Japão durante o biênio 1989-1990, sendo anterior aos trabalhos introspectivos que lhe deram fama. Por conta disso, é um corpo um tanto estranho no trabalho do autor.
O website da editora de quadrinhos Casterman, que publica as obras de Taniguchi na França, não parou no ponto e correu atrás de uma entrevista com o editor da revista L'Équipe, Jean Issartel, que estamos traduzindo aqui. De quebra, temos também um vídeo feito pela própria produção da L'Équipe e que pode ser visto AQUI. Infelizmente ela não tem legendas e traduzir francês de ouvido está acima de minha capacidade... :\
O que levou você a publicar um mangá na L'Équipe?
Eu queria atrair um público diferente do nosso leitor habitual. Para este verão, eu procurei alguma coisa para atrair esses novos leitores, capaz de retê-los, para fazê-los querer comprar a revista no início de julho e continuar a fazê-lo no final de agosto... em suma, para acompanhar as pessoas de férias. A idéia de um folhetim me agradava. Nós desenvolvemos outros projetos, mas eu gostava da idéia de que fossem quadrinhos, eu queria ir nessa direção.
E a escolha de Garôden?
Em uma viagem para o Japão há três ou quatro anos, um amigo japonês – que sabia da minha paixão pela obra de Taniguchi – deu-me este mangá. E quando eu pensei sobre a possibilidade de publicar uma história em quadrinhos na revista L'Équipe, foi tudo simples, eu me lembrei do material.
Quais foram as obras de Taniguchi que seduziram você?
A primeira coisa Eu li sobre ele é Le Sommet des Dieux (N. do T.: nome em francês da excelente Kamigami no Itagaki, roteirizada por Baku Yumemakura). Eu imediatamente gostei de seu estilo e eu achei muito interessante a idéia de contar uma história verdadeira da conquista do Everest. Seu estilo tem uma elegância, uma finesse de que eu gosto muito. Posteriormente, li tudo seu que foi publicado na França. Eu também gosto do lado poético e contemplativo de sua obra recente.
Um trabalho que permanece relativamente desconhecido para nós...
E foi isso que me interessou. Quando você lê Le Sauveteur (N. do T.: no original, Sousaku Sha), você vai chegar rapidamente ao meio de seu lado negro. No Japão, Taniguchi publicou muitos materiais que estão na ordem do policial noir, o hard boiled. Com esta publicação, também quero aumentar a consciência deste aspecto. Ao falar com o autor em Tóquio durante uma recente viagem em março, eu sei que ele está mesmo um pouco preocupado com a reação do público francês.
Você filmou seu encontro com Taniguchi e evoca a energia necessária para a realização de um mangá como Garôden...
E foi comovente vê-lo cara a cara com este trabalho antigo. Na verdade, eu admito que estava com um pouco de medo. Eu tinha temores, não que eu negue, mas é preciso levar em conta a distância entre ele e a obra. Desde então, muita água correu debaixo da ponte, e ele tornou-se famoso em todo o mundo. Pelo contrário, ele se lembrou do quadrinhista que um dia ele foi, e foi isso então que o motivou. Em suma, ele ainda sentia um carinho muito grande por este mangá.
O autor de Quartier Lontain (N. do T.: no original, Harukana Machi-e) é fã de esportes?
Acho que sim. Ele falou longamente sobre as lutas de Muhammad Ali. Falou que estava frustrado por não ter feito uma história sobre ciclismo. Ambientar Garôden no mundo do ciclismo foi a sua primeira intenção, mas sua técnica não estava em sintonia com esse mundo. Também subentendemos que Taniguchi passou um tempo difícil, não devia, às vezes, ser tão óbvio para ele lidar com cenas de movimento e violência. Eu acho que ele lutou para chegar a desenhar o que ele tinha em mente. Garôden é a história de um esportista amador, que trabalhou duro para aprender as técnicas de luta livre e de como ele é organizado em um nível profissional.
(Entrevista por Nicolas Finet; Tradução de Alexandre Lancaster)
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Comentários:
A arte do Taniguchi já foi apresentada no nosso mercado pela Conrad com a publicação da desconhecida obra Gourmet. Eu ainda não li, mas a resenha me interessou bastante.
Infelizmente mesmo quem gosta da coisa não fica sabendo disso. Tá menos de 20 reais na Loja da Conrad. Vou dar uma pesquisada na carreira dele.
Alexandre: vale. Mas ainda sinto falta de Seton.
Se tirinhas hoje são quadrinhos MUITO mais conhecidos e populares (a ponto de mesmo depois de 30 anos após a morte do fulano, muita gente ainda lembrar do Henfil e dos Fradins) é porque é quadrinho levado para pessoas que NÃO LÊEM quadrinhos!
Criar uma cultura que leia quadrinhos num país é isso: publicar sobre assuntos deste naipe em revistas que não tem nada a ver com quadrinhos. Que tal uma HQ de comédia com um advogado ou um burocrata na Voce S.A e outras do genero? Que tal publicar Slam Dunk nas revistas de basquete? Coisas assim!
Sobre a iniciativa é boa. Não querendo ser chato, mas acho que na época a Conrad deveria ter começado por esse título para apresentar o autor. Brasileiro se identifica mais com mangás de luta, ia ser um bom chamariz para se conhecer outras obras do autor.
Muito legal essa noticia, mas impressçao que fica é que o Jiro Taniguchi recebeu os créditos pela criação de Garouden, o que não é verdade. O manga nada mais é que uma adaptação do romance de artes marciais mistas (luta livre nãooooo =P) de Baku Yumemakura, que virou games, filme live-action, etc. E na minha opinião pessoal, uma adaptação fraca (no quesito roteiro, a arte é excelente) cobrindo nem 10% do romance. O Itagaki Keisuke nesse sentido esta fazendo um trabalho bem superior no remake.
Alexandre: bom, luta livre foi o que consegui desencavar do francês... :\
Valeu
Alexandre: É @alex_lancaster
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