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Jun 17
A Mulher do Pós-Guerra
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Lancaster |
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Categorias: gekiga

Pouca gente costuma dar muita atenção à obra tardia de Ikki Kajiwara (cujo nome verdadeiro era Asano Takamori), roteirista por trás de pedras fundamentais dos quadrinhos shonen (para garotos) como Star of the Giants e Ashita no Joe. No final dos anos setenta, ele começou a se afastar dos quadrinhos juvenis e migrou para os quadrinhos adultos em obras que apesar de sua longa duração, como Ningen Kyokei, Zanzatusha e Karate Jigoku-Hen, eram pouco estimadas pelo público e publicadas em revistas menores como a Manga Goraku da Nihon Bungeisha. Hoje, no entanto, há quem veja nos trabalhos dessa época da obra de Kajiwara algo bem interessante, refletindo justamente sua divisão interna e neuroses pessoais. E Kajiwara as tinha aos montes, acreditem.
Uma dessas obras menos conhecidas será relançada no Japão, no final de Agosto, com tudo o que tem direito, inclusive as páginas coloridas originais presentes na história e brindes de lançamento: Showa Jidai Onna (Mulher da Era Showa), de Kajiwara e Kazuo Kamimura, o mesmo artista de Yuki: Vingança na Neve (roteirizado pelo mesmo Kazuo Koike de Lobo Solitário e publicado no Brasil pela Conrad). A premissa é ambiciosa: traçar um retrato dos anos duros e rigorosos do pós-guerra através da vida de uma mulher comum. Uma oportunidade obrigatória para os interessados na obra de um dos autores mais importantes da história dos mangás – já que usualmente seus materiais adultos costumam não ser reimpressos com tanta facilidade.
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Comentários:
E, já que fazem filmes novos do material, não custa reimprimi-lo no próprio Japão...
Alexandre: é uma possibilidade. O mercado francês é poderoso o suficiente para isso.
Alexandre: não faço ideia ainda quanto ao primeiro. Mas de resto, a possibilidade disso ter saído em algum outro país é meio remota. Ainda não saiu na França, inclusive, embora como o Pedro tenha pontuado, isso possa ser apenas uma questão de tempo.
E pensar que a França tem só metade da população do Japão e um quarto da população dos Estados Unidos e mesmo assim segura bem as pontas como segundo maior mercado de quadrinhos do mundo... e não duvido que logo se torne a primeira.
Sobre Ikki Kajiwara e suas neuroses, só posso dizer: "Ostra feliz não faz Pérola!" Que o diga Brian Jones, Syd Barret, Van Gogh, Amy Winehouse...
Alexandre: isso me lembra um desses estudiosos do jazz sobre a Ella Fitzgerald. Ele lamentou que não houvesse uma grande tragédia na vida dela, porque ela foi um dos grandes nomes do Jazz e teve uma vida até normal... e pérolas, ela tem aos montes.
Alexandre: o que não deixa de ser curioso.
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