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Jun 15

Leituras nº003 – 15/06/2011: Mulheres e Girlfriend

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Lancaster | PERMALINK | 7

Categorias: Artigos e Reviews

Mulheres, Girlfriend

Eu realmente ando sem muito tempo para ler ultimamente – e por isso mesmo minhas leituras tem sido bem reduzidas. Por isso essa coluna, que surgiu para que eu pudesse fazer reviews mais rápidos, sem a necessidade de pesquisa intensa que meus artigos mais longos têm, acabou demorando para voltar à vida. Mas eventualmente ela retornaria – só que novamente o tempo acabou depondo contra minha intenção de postar mais regularmente. Então acabei resgatando dois reviews produzidos originalmente para a revista Neo Tokyo: Mulheres, de Yoshihiro Tatsumi, e Girlfriend, de Masaya Hokazono e Betten Court. Eu deveria ter sido mais esperto e colocado isso como um especial de Dia dos Namorados, só para pentelhar a vida das almas mais românticas (sim, eu sou mau). Na verdade eu teria realmente feito isso se tivesse me lembrado – ambos são materiais altamente impiedosos tendo como cenário as relações entre homem e mulher, em diferentes contextos: um, no pós-guerra, outro contemporâneo – mas sempre tendo em comum um abismo que parece deformar o caráter e isolar mais e mais as pessoas. Enfim, uma vez que não me lembrei desses textos quando podia, e não pretendo esperar o ano que vem para soltar esses artigos, aproveitem.

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Yoshihiro Tatsumi

Mulheres, de Yoshihiro Tatsumi

Hisako foi levada à prostituição pelas consequências trágicas de uma paixão impossível, mas ela não foi a única a ser destruída. Mika é uma moça cínica e esperta que é sustentada por vários amantes, mas não é a mais esperta nessa jogada. Kyouko é uma moça que aparentemente se apaixonou por um deficiente físico com quem vive maritalmente, mas certas coisas são boas demais para ser verdade. Kuriko é uma ex-garçonete que à primeira vista acertou sua vida com o casamento, mas gradualmente se vê esmagada pela rotina doméstica e pela falta de afeto. Keiko decide reconstruir sua vida do zero com uma nova identidade, mas antes ela tem uma vingança a cumprir. "Madame" é uma mulher profissionalmente bem sucedida cuja vida amorosa sempre dá errado, e só lhe resta a pesca como válvula de escape.
Seis mulheres no Japão dos anos sessenta, vivendo a vida como ela é.
Yoshihiro TatsumiMulheres, de Yoshihiro Tatsumi (publicado discretamente pela Zarabatana Books nas livrarias, sem créditos à publicação original japonesa), é aquele material que o nosso leitor de mangá típico não vai nem chegar perto. O traço não é "bonitinho". O preço (na faixa dos trinta, assim como livros de prosa que custariam o mesmo, com o mesmo acabamento gráfico e número de páginas, e seriam comprados pelos mesmos leitores caso não fossem quadrinhos) vai gerar reclamações de quem quer tudo do jeito deles. O espelhamento vai espantar boa parte dos fãs radicais. O tom realista vai afastar os que buscam fantasia. A pouca difusão do material, em livrarias, tornará esse livro difícil de encontrar.
Eu gostaria de dizer "tudo bem, não é para eles", mas ser restritivo é fazer a apologia da burrice: é uma pena a ausência de maior difusão desse material. Ele é um verdadeiro documento histórico. Não deixa de ser curioso: De certa forma ele se alinha em termos de visão de mundo com o mangá do Homem-Aranha (na hora certa falaremos sobre ele, okay?) – uma visão impiedosa, fria, onde seres humanos solitários estão à mercê de pessoas sem nenhum caráter. Não à toa, Ikegami e Hirai no Aranha, estavam influenciados pela postura autoral do momento, quando a noção de "quadrinho adulto para as massas" estava finalmente assumindo o seu lugar no mercado. O Japão dos anos sessenta e começo dos anos setenta deve ter sido um lugar horrível de se viver.
Sem o filtro do elemento fantástico do Aranha nipônico, Yoshihiro Tatsumi nos trouxe um exemplar em estado puro e bruto dessa visão. Sempre em sintonia Yoshihiro Tatsumicom a realidade ao seu redor, Tatsumi pinta a realidade de um país ainda em construção e economicamente instável, onde a palavra "recessão" volta e meia é pronunciada pelos personagens. Pouca gente se dá conta, mas o mangá abriu caminho e se estabilizou num Japão que ainda não havia resolvido seus problelmas econômicos e sociais como um todo. Um clássico como o quadrinho de boxe Ashita no Joe (de quem já falamos AQUI e que viria a definir em muitos aspectos o shonen para os dias de hoje) era ambientado inicialmente numa favela. Mencionar isso hoje em dia ("No Japão?") gera sobressaltos, mas as dificuldades desses tempos volta e meia despertam estranhas associações quando somos brasileiros e lembramos da instabilidade econômica dos anos oitenta e noventa. Na verdade, a sombra onipresente do contexto econômico nessas histórias – o ar de desesperança generalizada é parte integrante desse contexto – chega a dar calafrios para quem ainda lembra da Era Sarney e da Era Collor, sendo bem direto.
Nesse ambiente cruel, as pessoas se dividem em caça e caçador, e as mulheres de Tatsumi não são exceção: Podemos dividi-las entre vítimas dos homens, entre as que fazem dos homens suas vítimas e, finalmente, entre as que jogam de igual para igual com eles em uma queda de braço que pode acabar sem vencedores. Não pensem em termos de feminismo versus machismo – até porque há histórias que fariam gente radical dos dois lados torcer seus narizes.

Yoshihiro Tatsumi

A melhor definição seria que o meio torna a todos predadores e vítimas, e o relacionamento entre os sexos é apenas um dos campos de batalha mais amargos dessa relação conflituosa – e uma olhada em outras histórias do autor mostra que as pessoas agem dessa maneira não apenas nesse aspecto da vida. A relação entre os sexos de "Mulheres" é apenas um cenário específico dentro de uma visão de mundo geral que pode ser encontrada nos trabalhos do autor: ou você devora, ou é devorado, pura e simplesmente – e não importa de que lado você esteja; de uma forma ou de outra, você é um ferrado.
Os gêneros variam. A história que abre o livro é uma tragédia melodramática com elementos poéticos; a segunda é quase uma comédia de costumes cínica que, guardadas as proporções culturais, cria uma associação imediata com a coletânea de novelas As Cariocas, de Sérgio Porto (que conhecemos melhor Yoshihiro Tatsumipelo pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta e da trilogia "Febeapá"). A terceira é uma pequena peça de ironia; a quarta é um drama cotidiano de crescente melancolia com um final alegórico e desesperançoso.
Mas o ponto alto do livro é o quinto episódio, A Mulher que Murmurava (todos os episódios são nomeados dessa forma: "A Mulher que Namorava", "A Mulher que Cuidava de um Homem", etc.), que segue o caminho do suspense, é extremamente bem resolvido em sua natureza fechada, e remete imediatamente aos quadrinhos de crime da EC Comics (a mesma dos "Contos da Cripta"), com reviravoltas divertidamente punitivas contra criminosos que alcançaram seus objetivos. Fechando o volume, ainda há mais uma história, voltando ao drama de costumes – e talvez a única que termina com algum fio de esperança. Adequado. Se não houvesse nenhuma perspectiva de mudança para melhor na vida real, qual seria o horror em viver entre as sombras?
Ah, eu citei As Cariocas do Sérgio Porto lá em cima? Não poderia deixar de citar. Na introdução que Jorge Amado fez para o livro em 1967, ele menciona que Porto "reuniu algumas novelas cariocas, centralizando-as em figuras femininas mas construindo ao mesmo tempo um quadro, amplo e profundo, da vida carioca dos nossos dias com os seus personagens mais característicos (...)." Tatsumi fez o mesmo que Porto: seis histórias fechadas, com seis mulheres diferentes em óticas diferentes, mais ou menos na mesma época. Mas Mulheres jamais poderia conter A Desinibida do Grajaú em suas páginas, por questões culturais (talvez incluísse A Currada de Madureira, que na verdade é um olho justamente nas relações entre corrupção policial e política contra a Yoshihiro Tatsumidimensão pessoal das pessoas comuns, mas isso é mera conjectura) Há um oceano de distância, não só literal como metaforicamente, entre o Rio ensolarado das mulheres de Porto e o Japão cinzento de Tatsumi.
Eu deveria aproveitar o espaço para falar um pouco da importância de Tatsumi para o quadrinho japonês, como um dos fundadores do Gegika como estética, mas a edição brasileira (com um bom acabamento gráfico, nunca é pouco se dizer) já conta com uma introdução esclarecedora pela professora Sonia Bibe Luyten, especialista no assunto. Então o que dizer mais no curto espaço de uma resenha? Simples. Vá às megastores e procure as seções de quadrinhos nas livrarias. Se você tem acesso a livros importados, faça uma forcinha no seu inglês e tente obter essas obras – e eu recomendo inclusive começar pelo seu premiado A Drifting Life, que oferece não apenas uma olhada nas origens dos quadrinhos adultos japoneses como também uma reflexão bem interessante sobre o pós-guerra nipônico, que gerou trabalhos como os seus. E não custa repetir: Porque as mesmas pessoas que gastariam até o dobro com um livro em prosa, e esperaram um ano por um volume de Harry Potter ou coisa parecida, na hora de comprar um livro em quadrinhos com o mesmo acabamento gráfico ou valores de conteúdo, ficam cheias de frescura?

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Girlfriend

Girlfriend, de Masaya Hokazono e Betten Court

Dentro dos muros de uma escola, adolescentes se encontram e vivem seus relacionamentos, formando vários casais. O que se limita a mãos dadas e passeios aos olhos de quem olha de fora, esconde na verdade uma realidade confusa, neurótica, traiçoeira, hormonal e nada romântica. Esse é o universo de Girlfriend, série de cinco volumes originalmente serializada no almanaque adulto Young Jump, da Shueisha, com roteiro de Masaya Hokazono e uma belíssima arte de Betten Court, que começou nos quadrinhos para garotos com as séries Marukyuu! e Geipenden Neo – sem trocadilhos de banheiro aqui por favor – e rapidinho migrou para os quadrinhos adultos; o cara tem uma versatilidade de traço imensa e seu trabalho em Girfriend me levou imediatamente a importar seu artbook. Vale a pena.
GirlfriendMas vamos voltar a Girlfriend – e pode ser um tanto complicado falar dessa série porque ela não tem, digamos, uma lógica linear. Vocês já viram os filmes de Robert Altman (como Kansas City e Short Cuts), ou longas como "Cash", aonde seguimos a história de diversas pessoas através de uma nota de um dólar que passa de mão em mão – e para nossa surpresa, volta e meia as trajetórias pessoais de algumas dessas pessoas acabam se cruzando superficialmente, sem interferir muito na vida um do outro na maioria dos casos, com direito a idas e vidas para acompanharmos o que foi feito de um personagem ou outro? Bem, Girlfriend é assim – e como pede esse tipo de abordagem, tem um elenco imenso de personagens, cada casal tendo seu capítulo em foco dentro dos habitantes – e isso leva tempo para ser percebido pelo leitor – de um mesmo colégio. Na verdade, há até uma certa surpresa quando nos damos conta disso.
Assim, acompanhamos várias histórias: a de um rapaz que mantém um relacionamento físico com uma simpática tomboy que tem com ele muito em comum – entretanto, ela não quer assumir um relacionamento de verdade, mesmo que os sentimentos dele sejam sinceros; um garoto comum e sem graça que para surpresa geral, desperta a paixão de uma menina bonita e imensamente popular na escola – mas ele não tem mais paciência para o peso social e para a atenção que ser o namorado dela representa, e ao mesmo tempo Girlfriendnão consegue encerrar o relacionamento (sim, namorar não é só abraços e beijos; tem toda uma representação social envolvida, especialmente quando uma das partes desempenha algum tipo de papel social no meio em que vive); um sujeito se vê alvo de atenção de uma namorada de infância que o reencontra após anos – mas quando ele começa a corresponder à moça, ele percebe que ela jamais vai largar o namorado oficial; uma moça que ao ser gradualmente enredada por um otaku hardcore incapaz de viver um relacionamento normal com outra mulher, tenta se libertar dessa relação estranha, mas se descobre psicologicamente aprisionada a ele – e até situações complicadas que são menos nelson-rodrigueanas, como um casal adolescente realmente apaixonado, mas que foi para a cama mais cedo do que ambas as partes estavam preparadas, e agora começa a vivenciar um abismo que ameaça separar os dois. Enfim, uma miríade de personagens e tramas que vivem relacionamentos, não romances açucarados – e como na vida, o final feliz não é garantido.
Um dos trunfos da história é que apesar do primeiro volume parecer um encadeamento de histórias fechadas – e realmente cada capítulo, ao longo de toda a série, pode ser lido dessa forma: os volumes subsequentes retornam aos personagens e às suas vidas. As histórias avançam e começamos a perceber os personagens como figurantes uns das histórias dos outros, como se o que Girlfriendacompanhássemos fosse um grande mosaico composto pelas vidas de todos os envolvidos – cada um cuidando da sua vida, mas sendo parte de um grande todo que só o leitor tem acesso: o "amigo sexual" da tomboy, por exemplo, encontra uma menina apaixonada por ele, disposta a preencher a lacuna afetiva que falta na relação que ele vive – mas talvez ele esteja além de um ponto que possa se libertar. O mundo não é feito de rosas, e essa história faz questão de nos mostrar isso sempre.
Ao mesmo tempo, somos introduzidos a novos personagens e tramas – e novamente, elas não mostram um lado muito fácil da vida amorosa, mesmo quando acabam se resolvendo de uma forma mais, digamos, feliz (sim, há alguns que se resolvem de forma mais normal, por assim dizer). O volume quatro é o que apresenta talvez a maior supresa – quando as tramas que estavam separadas ao longo da série começam a se cruzar inusitadamente (e pensando bem, deveríamos ter esperado isso acontecer em algum momento; o cenário é um mundinho e todas essas pessoas de alguma forma acabam se cruzando).
Girlfriend é um quadrinho adulto. Há bastante nudez e sexo – na verdade os personagens fazem muito sexo, em cenas bastante gráficas – mas a história está longe de ser um pornô vagabundo (embora eu não culpe quem vá pensar assim em um primeiro momento caso vá folhear a história). O que acontece é que esse material é um retrato de um Japão urbano, sexualizado e com muitos vazios emocionais – que já são construídos dentro dos muros colegiais e acabam sendo levados para a vida adulta. Há um contexto ao qual esse tema pertence. Uma história como a do garoto de programa que acaba se apaixonando pela madrasta negligenciada pelo marido (no quarto volume) poderia dar margem a um festival de ginástica erótica e não é isso o que acontece – aliás, de modo geral, as histórias com mais potencial de ganhar cenas de sexo aos montes acabam sendo as que mais são tratadas com elegância e menos mostram. De forma análoga, as histórias mais sexuais acabam sendo muitas vezes aquelas cujos protagonistas tem algum tipo de fachada pública a preservar em seu microcosmo da futura Girlfriendsociedade em que eles viverão. Talvez esse seja o verdadeiro nervo a ser mordido em Girlfriend.
Por outro lado, não há como negar: é uma história sobre sexualidade adolescente em uma sociedade onde ser incomunicável, em algum grau que seja, é uma norma e todos de alguma forma parecem incapazes de viverem seus sentimentos e sua vida. Tudo isso com um traço limpo, bem executado – e com enorme beleza plástica.
Claro, ele não vai agradar a quem prefere ler aquele romance escolar onde a menininha A gosta do bad boy B e ignora o amigo de infância C que está apaixonado por A, ignorando o interesse da melhor amiga de A, a menina D, que não é tão bonita quanto A, mas... enfim, você entendeu! Mas tudo bem. Daqui a alguns anos, quando quem prefere ler esse abecedário estiver mais escolado nas dores da vida, vale a pena uma olhada atenta em Girlfriend. Que não fala de temas agradáveis, mas convenhamos, a vida amorosa só é cor-de-rosa e sem problemas ou neuroses para quem nunca encostou um dedo no sexo oposto durante a sua curta existência.
Além disso, só quem a viveu de verdade sabe que a adolescência só é uma "época de ouro" na retrospectiva de quem enxerga a época sob o filtro dos problemas da vida adulta. Paciência.

Girlfriend


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Comentários:

Nome: Jáder, O Pitoresco 16/06/11 02:19
Eu, pelo menos, tenho tanta frescura em compras livros em prosa quanto tenho em comprar quadrinhos. Dificil eu pagar 20 reais em um livro qualquer que seja. Por isso que a maior parte do que eu leio é quadrinhos. Livro pra mim, só comprado em sebo. E como quadrinhos em formato mais caro são difíceis de se encontrar em sebo, então já viu, né?

Alexandre: na verdade, os livros poderiam ser mais baratos e a legislação agiu nesse sentido. O problema é que nada mudou porque tem gente que decidiu aproveitar as isenções para aumentar a sua margem de lucro. Por isso sou a favor de uma legislação similar à França e ao Japão, pré-estabelecendo preços de capa e percentagens para livros (exceto para livrarias de usados). A ideia dessa lei é evitar justamente que as megastores e grandes cadeias de lojas devorem as pequenas livrarias de bairro com descontos imensos para os livros. Isso acaba forçando o barateamento: as editoras jogam o preço para cima no lançamento para pagar todas as despesas (já que livro é algo meio incerto de vender – mas aqui temos a lei de Tostines em ação: livro é incerto de vender porque é caro ou livro é caro porque é incerto de vender?) e depois que os custos são abaixados, eles são jogados a preços mais razoáveis para queima de estoque. Quem não ficou furioso ao ver o harry potter completo sendo vendido em lojas online tipo submarino a um custo próximo a dez reais por volume quando ano a ano gastavam os tubos por edição? Isso é fruto de um sistema editorial doente.
Mas eu sei que as coisas são assim e posso gastar, digamos, até setenta por um livro que me interesse. O que podemos fazer é tentar mudar as leis. E isso, as pessoas raramente se coçam em fazer. Se surgir uma proposta de lei que ajude a corrigir esses problemas, eu apoio completamente.
Nome: Pedro Bouça 17/06/11 04:46
Girlfriend está disponível na França. Mais um para minha lista de compras...

Alexandre: se você reparar bem, a imagem do topo é justamente da edição francesa...
Nome: Panina Manina 17/06/11 11:41
Nem lembrava desse Mulheres ter sido lançado aqui. Lembro agora de só ter visto uma nota de lançamento e nunca mais se falou dele.
Achei interessante, e ter um material desses impresso com qualidade é uma oportunidade que não se pode desperdiçar.

Alexandre: verdade. Mas melhor seria se tivéssemos um Drifting Life em nossas livrarias – e acho que quem poderia encampá-lo, até por uma questão de perfil, é a Companhia das Letras.

Agora sobre o Girlfriend, tem quase dois meses que eu comecei a ler e acabei me cansando dele. Parei no começo do segundo volume, só que eu não tinha percebido ainda o que você falou sobre os personagens retornarem. Pensei que iria até o fim em historias isoladas.
Parei de ler o texto ali, vou retomar a leitura do mangá. Brigado pelo toque.

Alexandre: disponha. Mas leva um tempo antes disso acontecer, já vou avisando – embora as pistas estivessem lá, com personagens de uma ou outra história volta e meia fazendo figuração discreta na história de outro personagem. ;)
Nome: Panina Manina 17/06/11 11:50
Sobre a questão dos livros, não entendo como o Jáder pode deixar passar boa literatura por míseros 20 reais e se contentar em comprar mangás de 10 quando a maioria não passa de litura rasteira.

Não entendo as editoras também, tem muitos lançamentos de livros que são muito caros. Então, poucos meses depois, estão em promoções absurdas. Não daria para vender desde o início por um preço mais justo?

Alexandre: é complicado. Mas isso é mero reflexo do meio em que vivemos. :\
Nome: Ligia 18/06/11 04:01
Fiquei interessada em ler os dois. Onde dá para comprar o Girlfriend no Brasil?

Alexandre: só importando a versão japonesa – ou a francesa, que é mais fácil de se ler.
Nome: Warty 19/06/11 12:59
Olha, sobre o preço dos livros eu vejo que as editoras têm um grande dedo nisso. Quando saiu a notícia que a Amazon vai começar a operar no Brasil as editoras nacionais já se armaram contra isso. A Amazon tem como carro-chefe a venda do kindle [seu e-reader] e consequentemente a de livros digitais. Mas qual o problema disso? Nos EUA, antes da Apple Store passar a vender livros pro iPad, a Amazon forçava as editoras a colocar preços baixos nos livros digitais, consequentemente perdendo na porcentagem que ganhava a cada venda mas lucrando com o a grande quantidade de livros.

Com medo disso, as editoras brasileiras estão palnejando uma rede de venda de livros digitais que vá bater de frente com o Amazon. Primeiro nota-se uma grande ojeriza ao livro digital por parte de nossas editoras, e mesmo uma casa editorial enorme como a Companhia das Letras ainda não investiu seriamente nisso. Depois, percebemos a luta pra não vender livros baratos, mesmo os digitais. Convencionou-se aqui no país que livros digitais possuem o valor 20% menor que o dos livros físicos. E as editoras querem continuar nisso, mesmo que um livro digital não encareça com uma tiragem menor ou se gaste com gráfica e logística.

Acredito que há um "pequeno" esforço por parte de empresários do mercado editorial pra que livros por aqui NÃO possuam preços acessíveis.
Nome: Jáder, O Pitoresco 21/06/11 03:07
Respondendo a Panina Manina, simplesmente dizer que isto ou aquilo outro é literatura de boa qualidade não é desculpa pra me fazer gastar 25, 30, 35 reais em um livro. Sou muito mais gastar 10 num clássico de bolso. Não é porque um livro custa caro que é literatura de boa qualidade. Muitas vezes isso não passa de balela pra cobrar mais caro.

Alexandre: talvez, mas um Nausicaa não poderia sair em um formatinho de banca a papel jornal. E no caso de clássicos, que pouca gente compra, é preciso cobrar mais caro pra cobrir os custos de trazer esse material – e para isso, é preciso agregar valor para justificar o preço. Sempre que alguém reclamar de um tezuka de livraria, eu pergunto: "onde vocês estavam quando A Princesa e o Cavaleiro foi lançado em banca?"

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