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Jun 10
E chega finalmente... Gundam Age!
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Lancaster |
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7
Categorias: Gundam Age

Muita gente deve ter sido surpreendida pela notícia – e não duvido que a essa altura os sentimentos a respeito dela sejam bem divididos. Foi anunciada a nova série de Gundam para este ano – e para espanto (e desapontamento de muita gente), será uma série... infantil! Mobile Suit Gundam Age será um grande projeto multimídia, envolvendo animação, videogames, brinquedos, quadrinhos e cardgames, em parceria com a empresa desenvolvedora de jogos Level 5, a mesma responsável pelo sucesso de Os Super Onze (Inazuma Eleven), estando o próprio presidente da empresa Akihiro Hino por trás do plot básico da história. Muitos fãs surgidos na esteira de produções como Gundam Seed e Gundam 00, parecem estar um tanto injuriados. Já eu, pessoalmente, achei essa a melhor coisa que poderia acontecer à franquia neste momento.
Mas vamos primeiro ao básico do novo cenário: Para começar, ele será uma saga generacional - o que me lembra não Macross, mas Robotech, que com as emendas e justificativas feitas por Carl Macek, foi transformada numa história conduzida pelas suas linhagens. Os garotos que aparecem nas imagens de divulgação na verdade não são companheiros de luta (a julgar pelo que vem sendo apresentado), mas sim pai, filho, e um descendente distante da família, que em diferentes décadas, pilotarão um Gundam contra um inimigo alienígena desconhecido, ao longo de uma guerra que durará um século – e que por isso será chamada de "A Guerra dos Cem Anos", em referência à "Guerra de Um Ano" da série original de 1979.
O patriarca – o garoto de cabelos verdes – é o garoto-gênio Furiko Asuno, que desenvolveu seu próprio robô Gundam e de quebra o sistema de computador auto-adaptivo AGE. Os outros dois são seu filho Asemu e o seu descendente Kio. Os robôs valem um comentário: eles parecem estranhamente magrelos e cabeçudos, praticamente desproporcionais; mas quando olhamos suas variantes, entendemos seu conceito visual. Na verdade, ele claramente aparenta ser uma espécie de "Gundam Esqueleto", ao qual vários tipos de modelos alternativos de armadura podem ser acoplados – e quando isso acontece, eles assumem uma proporção mais parecida com o Gundam que todos nós conhecemos. Não é uma ideia ruim, pensando bem.
De quebra, esses anúncios foram feitos não na revista Gundam Ace da Kadokawa, porta-voz da franquia...

... mas na revista Corocoro da editora Shogakukan, campeã do segmento infantil e ainda uma das revistas em quadrinhos mais vendidas no Japão. É bom lembrar que mesmo tendo descido de seu milhão de exemplares ano passado, a Corocoro ainda tem uma tiragem na faixa dos 950.800 exemplares em circulação – o que não é pouca coisa, nem de longe; a Kadokawa não deve estar gostando nada disso, mas sua revista infantil Kerokero Ace nem de longe oferece a mesma visibilidade de marca que sua rival. Não à toa, será na Corocoro a publicação da versão em quadrinhos da série.
E agora vocês devem estar se perguntando: porque logo eu, que sempre olhei torto para o modo que a franquia foi conduzida pela Bandai (a empresa de brinquedos que comprou o estúdio Sunrise e acabou bagunçando com tudo), estou olhando com simpatia essa iniciativa?
Simples: ela é uma iniciativa que tenta levar de volta Gundam ao grande público e às franquias de massa, não ao fã hardcore (a.k.a. otaku) de plantão.
Gundam já foi levado para longe de suas raízes ao longo dos anos. A essa altura, não faz mais diferença. A partir de Gundam Wing, no entanto, esse desvio passou a atender a necessidade de segmentos específicos – e seguros – de fandom, mais do que consolidar posições entre o grande público. Apesar de Gundam 00 ter sido um material que ao menos contou (até certo ponto) com um roteiro correto, a escolha de Yun Kouga (Loveless, Earthian) para o design dos personagens tinha como intenção atrair o segmento feminino consumidor de homoerotismo (fujoushi). Na verdade, mais e mais o caminho da animação japonesa tem sido menos o do público e mais o dos nichos de fãs; não foi à toa que séries e novelas acabaram tomando setores populares que já pertenceram a desenhos animados.
Então vejo Gundam Age como uma iniciativa boa. Não sei como será aplicada essa estrutura generacional; ainda temos que ver como isso vai ser feito. Mas para o futuro da franquia Gundam, essa abordagem é necessária – e talvez seja algo saudável até para a animação japonesa a longo prazo. Afinal, por mais que a natalidade esteja em curva descendente, serão essas crianças que assistirão desenhos animados e lerão quadrinhos no futuro.
Resta à indústria repensar prioridades para que ela não as perca quando elas crescerem.

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Comentários:
E... Furiko Asuno. Trocassem o "u" de Asuno por "a", teríamos um nome bem infame para os brasileiros, digno de George Lucas!
Alexandre: sem dúvida. Meu primo não conseguiu mais assistir robô gigante a sério porque o protagonista se chamava Daisaku Kusama... XD
Em tempo, a Coro Coro é mesmo uma revista de grande projeção, mas também ela revela bastante material que acaba virando febre entre a molecada.
Também acho uma boa iniciativa. Eu pessoalmente não gosto desses elementos fetichistas que algumas produções japonesas tendem a passar, por isso acho positiva essa atitude.
Aliás, dependendo de como for a nova série, ela pode servir como uma nova porta de entrada para a franquia aqui no Brasil, afinal até onde entendi da matéria de Gundam Wing, a franquia meio que "se queimou" por aqui.
Alexandre: também vejo da mesma forma. E Gundam Wing graças a Deus não chegou à televisão aberta, o que quer dizer que ainda dá para reverter o jogo.
A notícia é boa, concordo contigo. E também estou de acordo com os pontos que você defendeu.
Todavia, não me apetece a abordagem geracional atrelada à família, à linhagem Asno ou Asuno - não há como saber, dadas as limitações de pronúncia e escrita da Língua Japonesa. Como grande opositor do confucionismo e do patriarcalismo, prefiro muito que a sucessão não seja condicionada à hereditariedade sanguínea.
Alexandre: por mim tanto faz – a verdade é que fora do Japão, essas questões de tradição não fazem muita diferença.
E eu detestarei se o tal inimigo alienígena desconhecido for de origem extraterrestre! Gundam não envolve vida surgida fora da Terra! Não mesmo! Torço para que os antagonistas sejam humanos emigrantes!
Alexandre: acredito também que seja por aí mesmo. Há alguma inclusão de personagens militares, por isso acredito que eles tentem manter os conceitos básicos da série, só que de forma muito simplificada. Não vejo essa série como Gundam Super-Robot.
Fora isso, o conceito é muito bom e bem-vindo!
Até mais.
Esse título novo vai ser um golpe mais duro ainda para os fãs tradicionais ou mal-intencionados se for de fato boa (pelo menos para uma obra voltada para um público mais jovem). Me refiro a algo parecido com as opiniões divididas sobre G Gundam: muitos, na maioria os U.Chatos (os fãs que acreditam que só os Gundams da cronologia U.C são bons) dizem que "Aquilo é uma blasfêmia, não é Gundam", enquanto os demais dizem que é "Legalzim até".
Eu, que me tornei apreciador do gênero mecha ao assistir ao primeiro Gundam ainda criança (e isso me condenou para sempre como fã do gênero mecha forever alone. Ninguém gosta de mechas no ocidente), apoio a iniciativa. Não acho interessante a franquia seguir os mesmos passos dos comics americanos, rebootando toda hora e se apoiando totalmente nos fãs nerds eternos de meia idade para vender (tá, eu exagerei, mas é parcialmente verdade).
Momento fã chato 1: Essa forma-base do Gundam titular da série parece um filho bastardo do Gundam Exia com o O Gundam, ambos de Gundam OO.
Momento fã chato 2: Sunrise, por favor, não façam Gundams se unirem para formarem um Megazord.
Torcendo muito para que a idéia dê certo.
Gundam 00 = achei mediano, tentou ser inventivo mas não deu certo.
Gundam Seed = foi a pior desgraça que vi em termos de Gundam, aqueles moleques emos com celulares me da asco até hoje.
Gundam Wing = achei meio alegórico, mas apesar disso ainda achei melhor do que os outros dois.
Tomara que faça sucesso e ajude a trazer novos fãs para a série, quem gosta do conceito clássico que assista Gundam Unicorn e não reclame.
Ou será que são os próprios adultos japoneses que tão ficando cada vez mais "crianças"?!
Alexandre: pelo contrário. Não é absurdo. Podem haver menos e menos crianças a cada ano, mas elas ainda são os adultos do futuro – e elas precisam ser recapturadas. Lembrem-se que boa parte da população já trocou os animes por novelas de televisão, e isso por culpa da própria otakização do mercado. As crianças tem que ser pegas antes, e uma vez capturadas, elas não podem largar mais a animação.
E quanto a super-sentais, eles sempre foram feitos para ser infantis, por mais que alguns fãs pensem o contrário. É bobagem pensar que a Toei os faz para marmanjos.
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