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Jun 10
A Volta de Lord, dos Criadores de Sanctuary
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Lancaster |
PERMALINK |
7
Categorias: Big Comic Superior

Uma das obras mais caudalosas da história da literatura asiática é o clássico Romance dos Três Reinos, escrito na China por Li Guanzong no século 14 e cobrindo os eventos que levaram à unificação do país (então dividido em três diferentes reinos) no ano de 280, com um elenco enorme de personagens. Apesar de ser um romance que lida com eventos históricos, sua estrutura dramática acabou atraindo diversos autores de quadrinhos no Japão – tanto em adaptações diretas da obra como a de Mitsuteru Yokoyama (o criador do Robô Gigante), quanto via apropriações da estrutura da obra – e de seus personagens – para conceitos totalmente diferentes, como no inacreditável Ikkitousen, que transplanta tudo para o cenário de brigas de gangues colegiais, substituindo os guerreiros chineses por colegiais briguentas com seios que desafiam as leis da gravidade.
Uma variação particularmente interessante do conceito é a série Cho Sangokushi: Lord, publicada na revista Big Comic Superior da Shogakukan e produzida por ninguém menos do que a dupla composta por Buronson no texto e Ryoichi Ikegami na arte. Para quem não ligou o nome aos autores, essa história é produzida pelos mesmos criadores da extraordinária série Sanctuary, que foi publicada pela Conrad e acabou sendo desgraçadamente cancelada – e eu nem culpo a Conrad, para falar a verdade; editora não é casa de caridade. Não vendeu, paciência – embora sempre doa mais quando acontece com nossos títulos favoritos.
A série Lord vinha sendo publicada desde 2004 e transplantava os conceitos básicos da história para uma ambientação japonesa de samurais, e teve uma pausa há alguns meses. Agora ela está de volta, reiniciando como Lord: Capítulo 2 e dando prosseguimento à imensa saga. Em um país como o nosso, em que um título como Vagabond emplacou com sucesso, esse material poderia ser um ótimo produto a ser considerado no mercado – mas convenhamos, quem em sã consciência arriscaria uma obra desses autores quando eles tiveram um desempenho de vendas triste no Brasil?
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Comentários:
Por isso eu nunca me lembro de que ela é realmente publicada lá...
Alexandre: na França não vale. Se vale a pena ser lido, a chance de sair por lá é grande...
E a Conrad teve um bocadinho de culpa sim: lançou uma quantidade MUITO grande de titulos adultos e/ou estranhos ao mesmo tempo e o público consumidor destes títulos não tinha como comprar tudo. Eu mesma, na época, queria comprar Sanctuary, mas não dava pela falta de grana.
Alexandre: na verdade a Conrad cometeu muitos erros. Eu teria dinamitado o material under e os livros políticos – além de acabar com a política de pacotes e descontos. E publicar material adulto daquele jeito, sem contrabalançar com blockbusters de verdade, foi um erro dos grandes...
Alguém que já tenha se consolidado no mercado de tal maneira que se daria ao luxo de ter prejuízo com um e outro título “não otaku”, contanto que se sustentasse com outros “otakus”.
Era o caso da Conrad, com Vagabond, Sanctuary, Monster e Suehiro Maruo, dum lado, e Dragon Ball, Cavaleiros e One Piece, do outro.
Então, a culpa foi dela, sim, por não ter a competência de gerir tamanho saco de gatos a que se propôs.
Agora, sua crítica ao Vagabond é com relação à história, à arte ou ao conjunto da obra?
Eu pessoalmente acho que a história deixa a desejar principalmente quando o Inoue tira dos trilhos da história do Yoshikawa, principalmente porque já havia lido o livro quando peguei para ler o mangá. Mas a arte eu considero exuberante, por si só já justificava a compra.
Mas realmente como história de samurai, o público brasileiro ignora completamente Lobo Solitário e vangloria Vagabond. O primeiro sim merecia edição de luxo!
Acho que Vagabond fez sucesso no Brasil APESAR de ser seinen. Vingou pq era de samurai, eu acredito. Tanto que na minha adolescência lia Vagabond com tesão e ignorava completamente a existência de Sanctuary, acabei nem procurando saber do que se tratava ¬¬'
Alexandre: a arte de Vagabond é maravilhosa, mas convenhamos, o melhor trabalho de Takehiko Inoue é Slam Dunk. Mas há uma cultura da crítica quadrinhística no Brasil que qualifica uma história adulta mediana como superior a uma história juvenil espetacular só porque o fato de ser adulto em tese a torna mais qualificada. E não é bem assim.
Vagabond tem uma grande arte, Inoue domina a narrativa como poucos e ele povoa sua obra de cenas de grande plasticidade. O problema mesmo é o roteiro. Tudo bem que ele tenha preferido fazer o "seu" musashi, não o de Eiji Yoshikawa. Acho justo. Mas questiono a abordagem escolhida. Estruturalmente ele tem aquela mesma base que encontramos ainda hoje nos shonens se olharmos bem – e ele preferiu povoar com viagens introspectivas que muitas vezes não tem razão de ser. Ficou uma história arrastada, plasticamente muito bem ilustrada e narrada – mas que muitas vezes não passa de muito barulho por pouca coisa. Virou um shonen de luta que tenta ser maduro, adulto e profundo; e no final não é bom nem como historia de duelos de samurai, nem como história madura.
Eu tenho uma teoria que inclusive parte do hype de vagabond se deu graças ao desapontamento da ala "madura" da crítica que esperava de rurouni kenshin um lobo solitário só por ser um quadrinho de samurai – e quando se depararam com uma obra pop, com influência dos videogames, receberam vagabond de portas abertas como uma espécie de compensação. Eu pelo menos achei Vagabond decepcionante.
Talvez essa postura justifique a cultuação da obra do Suehiro Maruo, por exemplo. Pessoalmente não acho a obra dele do primeiro escalão do chamado "maldito", mas também não o considero o boçal pseudo-cult que alguns pintam. Resumindo, acho um cara que merece ser lido mas não é fantástico. Mas isso não faz das obras dele maior que o excelente juvenil Bakuman.
Sobre Vagabond faz muito sentido, me sinto contemplado. Fã de samurai X, sentia falta de uma abordagem mais realista do universo samurai, principalmente quando descobri que o gordão da Juppongatana era um representante do Enishi kkkkk
Na época não tinha maturidade para esse tipo de análise, mas realmente Vagabond é um shonen enrustido. Ele ao menos foi eficiente no sentido de me levar para a obra do Junji Ito.
O primeiro definitivamente tem uma arte fora de série, o segundo é um manga clássico, mas vejo defeito em ambos.
Do Vagabound já é citado ai nos comentários, mas do Lobo Solitário lembro daquelas coisas esdruxula, como o Itto fazendo alguma coisa idiota no meio da luta pra vencer(plantar bananeira ou algum movimento que qualquer espadachim nunca faria em uma luta e me lembrando um HQs) ou mesmo aparecer com um carrinho de bebê cheio de canos de armas de armas e fuzilar praticamente um exército inteiro. kkk
Alexandre: mas todo mangá é uma HQ. Mangás são quadrinhos, quer os fãs queiram, quer não.
E isso faz parte da lógica interna do lobo – e houve uma história justificando as armas de fogo. "A Senda da Arma", lembra?
Além do mais, eu posso listar uma imensa quantidade de séries japonesas de diferentes gêneros que apelam para esse tipo de exagero. E sinceramente, não vou reclamar delas.
Gosto dos dois trabalhos, mas acho que mesmo lobo solitário também tem algo em comum com o Vagabound de ser extremamente aclamado por X,Y e todo mundo "ecoar" a opinião de forma inquestionável (lógico os trabalhos são ótimos, não seriam ruins).
Melhor definição pra Vagabond ever.
Lobo Solitário foi um quadrinho que não me agradou logo de cara. Achei truncado, com cenas de ação difíceis de entender, com algumas soluções meio jogadas... acho que estava acostumada à plasticidade e ao dinamismo dos mangás mais pop.
Quando li pela segunda ou terceira vez, me apaixonei.
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