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Jun 07

De Volta ao Baú dos Robôs Gigantes

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Lancaster | PERMALINK | 3

Categorias: robôs gigantes

Brave Raideen

Dá uma sensação estranha ver a iniciativa da revista Comic Rush, da Jive LTD., em encampar velhas franquias de robôs gigantes e tentar recuperá-las em moldes atuais. Primeiro, eles trouxeram a inconclusa série Victory Five, publicado na antiga revista Super Robot Magazine da Futabasha, que teve vida curta entre os anos de 2001 e 2003, e publicaram sua conclusão, relançando o primeiro volume antes de publicar o volume final. Okay, isso foi legal e até inteligente: traz leitores que queriam ver o fim de uma história abandonada. Mas me pergunto qual o propósito de seguir essa linha. A Rush foi o lar de títulos que neste blog são oficialmente arremessáveis pela janela do último andar, como Clannad, Chaos Head H, Galaxy Angelah, vocês entenderam!
Brave RaideenAgora, sua intenção parece clara: eles parecem estar se estabelecendo nesse segmento, publicando na mesma Comic Rush a série God Bird, que segue a mesma fórmula de reunir vários robôs de séries antigas em grupo – no caso, tendo como foco a série de 1975 Brave Raideen, conduzida tanto pelo mesmo Tadao Nagahama das séries que compuseram o time de robôs de Victory Five, quanto de Yoshiyuki Tomino – a mente que posteriormente produziu pedras fundamentais do gênero como Ideon e Gundam. Brave Raideen gerou dois derivados – a sequência Raideen the Superior em 1996 e o pseudo-remake Reideen, em 2007, mas de modo geral nenhum deles teve o impacto do Brave Raideen original. No caso, God Bird – cujo título remete a uma das formas alternativas do personagem – é assinado pelo mesmo Yuuichi Hasegawa de Victory Five – traz o Raideen original, encabeçando um elenco pinçado de outras séries da Toei como Combattler V e Daimos. No entanto, para atrair o leitor regular da Comic Rush, a piloto central dessa série é uma das famosas menininhas para moezeiros. Sim, eu falei que dá uma sensação estranha…
Brave RaideenPara ir logo ao assunto, está sendo lançado hoje mesmo o segundo volume da série, com bastante barulho em gibiterias como a Toranoana e a Comic Zin. A primeira aposta em booklets para colecionador que mostram imagens produzidas especialmente para a ocasião, apresentando armas e técnicas de combate do bom e velho Raideen. A Comic Zin aposta em cards especiais.
Recentemente, a Rush abandonou a sua publicação impressa e passou a ser um almanaque virtual, o que faz sentido para uma revista com esse perfil: seu leitor usual é aquela criatura que de repente não sai nem mais de casa para ver gente, então a internet é perfeita para esse fim. No entanto, perdidos no meio dessas tralhas todas, temos as adaptações de Casshern Sins e Guin Saga (que parecem perdidas no meio do imenso mar de moezices que essa revista publica). Se for por isso, nem tem sentido esse meio-termo comercial: fica meio esquisito pegar franquias que apelam a um setor nostálgico de veteranos e tentar aclimatar a fórceps em um meio em que o que menos interessa são os robôs – ou até mesmo o roteiro. O que não deixa de ser cruelmente irônico, já que a trilogia "eletromagnética" de Nagahama, de onde vieram boa parte desses robôs, é famosa justamente por ter subido o nível do discurso de roteiro nas animações com robôs gigantes.


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Comentários:

Nome: Felipe Onodera 07/06/11 02:24
Sinceramente, esse "subido o nível" só vale para o Voltes V, nunca vi Daimos, mas Combattler V é só mais do mesmo, é um Getter Robo de cinco membros e fica por aí. Não era assim tão diferente da maioria das séries da época.

Já no Voltes V, principalmente nos episódios finais, fica claro que o Nagahama quis ousar e, pela primeira vez no gênero, o vilão é tão bem trabalhado quanto os heróis e tem até um motivo convincente para fazer o que faz.

Raideen é mediano, acho que dentro do gênero dos Super Robôs, a única série do Tomino que realmente se destacou foi Zambot 3, não há dúvidas que séries como Gundam e Ideon descendem desse conceito. Ainda que o objetivo principal ainda fosse vender brinquedos.

Alexandre: mas vender brinquedos sempre foi parte do negócio. O importante é o "caminho do meio" – a necessidade de se equilibrar entre as ambições criativas e as demandas comerciais. Sem um deles, a opção é ser intragável ou ser oco. :/
Nome: Jussara Gonzo 07/06/11 10:53
Tenho vontade de assistir um novo anime - ou ler um mangá - de robos gigantes, mas um NOVO, produzido nesta década. Até para ver como seria aplicado o nosso atual conhecimento tecnológico neste gênero - embora pareça que a falência da ficção científica seja algo que esteja atingindo ocidente e oriente, ninguém consegue criar mais nada novo. Não vejo nada que me atraia que veio depois de Eva.

Ah, falando nisso, enfim assisti Ideon. E cara... COMO Eva é descaradamente idêntico! E se você der o devido desconto para certas coisas V.A. típicas dos anos 70, eu achei Ideon ainda melhor! O "vilãozão" Doba e a mocinha Kasha bem mais carismáticos do que o Gendou e Asuka - pelo menos na minha opinião.

Alexandre: Ideon é sensacional. Mas dizer que uma é mais carismática do que a outra... bom, não venho nenhuma das duas como carismática; tanto Kasha como Asuka são irritantes. Só que você só entende que Kasha é fruto do meio que a torna assim observando os eventos que a cercam. A Asuka precisou de uma historinha melodramática para explicar por A + B o seu jeito de ser, mas convence menos; na verdade, acho que Asuka só saiu na frente por conta de seu visual, e por ele o fã tolera tudo... XD
Nome: Jussara Gonzo 09/06/11 04:30
Eu não disse que a Kasha era carismática, eu disse que ela era MAIS carismática que a Asuka :) - que não me agrada nem um centésimo, a Kasha me agradou em um décimo pelo menos.

E fico imaginando que, nos anos 70-80, aquelas mortes no final deviam ser realmente traumáticas para o telespectador!

Alexandre: Na verdade de certa forma foram essas mortes no final que abriram os anos 80 na animação japonesa. :)

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