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Jun 05
O Laboratório da Jump Square
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Lancaster |
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6
Categorias: Jump Square

Mês passado, a editora Shueisha anunciou na edição de Primavera da revista Jump Square 19 (lembrem-se, crianças: Jump Square 19 é o nome da revista, não a edição 19 da Jump Square – ou seja, a Jump Square e a Jump Square 19 são duas revistas diferentes. Quem teve a ideia imbecil de batizar a revista com um NÚMERO!?) o lançamento de outro derivado da grife – a Jump Square Lab. Será uma edição especial, e a medida em que o lançamento da revista se aproxima, chama a atenção a grade de autores convidados: Kazue Kato (Ao no Exorcist), Hiroyuki Asada (Letter Bee), Yoichi Amano (Examurai), Katsura Hoshino (D. Gray-Man), Ryu Fujisaki (Shiki), Clamp (Gate 7), Mayu Sakai (Rockin' Heaven… sim, já chama bem menos a
atenção, mas antes que as fãs de shoujo peguem no meu pé, Rockin' Heaven passou por aqui e não parece ter impressionado nem a elas!), Yoshiaki Sukeno (ele é da casa, publica Bimbougami Ga! na Jump Square), Asagi Ooga (responsável pela adaptação em quadrinhos de Sengoku Basara 3) e Honemaru Mikami (este também é da casa; publica Wakaki Utsumaru no Nayami na Jump Square). Parece que a premissa é dar liberdade conceitual aqui – ou seja, uma caixinha de areia onde todos esses autores possam ser experimentais e arriscar conceitos diferentes, sem as pressões de sempre (embora a presença da Magical Girl desenhada por Yoshiaki Sukeno já me faz ficar com a pulga atrás da orelha quanto a esses "experimentos"). De qualquer forma, a Jump Square Lab sairá duas vezes por ano (não necessariamente semestralmente; é por isso que muitas vezes é mais acertado falar em bimensal do que quinzenal; há revistas que saem duas vezes ao mês mas não necessariamente de quinze em quinze dias por lá). E vamos ver se ela cumpre sua aparente agenda secreta: pulverizar conceitos mais arriscados e ver quais deles pegam – e podem ser utilizados nas revistas de linha da editora. É para isso que serve um laboratório afinal de contas!
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Comentários:
Alexandre: é um ponto.
Alexandre: falo daqui. como eu estou tentando ser breve (saí da prancha, liguei o computador, vou fechar o computador, voltar a prancha), me lembro de ter ouvido comentários muito mornos a respeito da obra e realmente não é algo que vejo ser falado o tempo todo (e até alguns mangás que não foram tão bem recebidos pelo público tinham o bônus de ser falados o tempo todo...).
Mas é comum que quando falemos de uma obra que está sendo lançada e não chega a ser um mega-blockbuster, todo mundo dê uma olhada – porque é novidade e há procura por informação. Convenhamos que Rockin Heaven não é um hit como Kimi ni Todoke e não é preciso ser um fã de shoujo para saber disso. Eu acho que o Maximum Cosmo teria inclusive mais visitações se falasse mais do material lançado nacionalmente, mas com o projeto da Ação realmente andando, me parece meio antiético ficar falando de eventuais problemas de edição de outras editoras – as vezes deixo escapar um incômodo ou outro (se falarem em "imitação de mangá" eu vou soltar o verbo, por exemplo), mas não vou quero fazer circo.
Onde Rockin' Heaven foi lançado o mangá fez sucesso já que todas as obras da autora foram lançadas (só conferir o site da Panini Itália, França, Espanha etc.), só me espanta o fato da série nunca ter ganhado um animê. IMHO é um dos melhores shoujos em banca, a protagonista não é songa-monga, luta pelo que quer, arte muito competente...
Sobre o laboratório me parece bem interessante já que a maioria dessas séries tem poucos capítulos, vamos ver se assim dá pra rechear os tankoubons mais rápido. Imagine 4 capítulos de 40 páginas = 160 + omake de 15~20 páginas = 180 páginas, dá pra soltar os tankos e vender mais volumes mais rapidamente, ao invés de lançar dois tankoubons ao ano dá pra aumentar para 3 tankos. Assim os fãs ocidentais também precisam esperar menos e os lucros aumentam em todos os sentidos.
Alexandre: Eu não tenho certeza de como será o conteúdo da revista em termos organizacionais, então prefiro esperar para ver.
E a presença de uma Magical Girl não me cisma nem um pouco, afinal, inovar não implica necessariamente criar conceitos totalmente novos, mas em aperfeiçoar os padrões mais tradicionais também. Pelo menos o traço está uma baita lindeza.
Alexandre: eu vejo a Magical Girl como um produto para meninas que foi agregado pela ala moezeira. Sinceramente, acho que deveria ser devolvido a meninas e deixado lá. Pode ver que um Madoka Magica funciona como desconstrução não para a Magical Girl de revistas femininas, mas tem como alvo o pessoal marmanjo que consome esse tipo de material recodificado para a ala moezeira da força.
Concordo. Mas o fato é que este tipo de material já tem um público sólido, e isso tem que ser levado em conta, inclusive a possibilidade de massificação via mediação cultural entre os públicos de nicho e o grande público.
Com "K-ON!" foi assim. Pode ter sido uma experiência temerária, mas o fato é que foi uma experiência bem-sucedida, e dentro da lógica darwiniana das leis do mercado, experiências bem-sucedidas devem ser levadas adiante.
Se é verdade que essa iniciativa baseia-se em dar mais liberdade de ação aos autores envolvidos, é de se esperar que se permita a cada autor aproveitar essa liberdade à sua própria maneira, a fim de se obter uma certa diversidade de abordagens.
Uma coisa que sempre gostei nas editoras japoneses é essa metodologia mercadológica de base empírica. Ao invés de se prenderem a teorias e estimativas, elas simplesmente fazem de tudo e deixam as leis darwinianas do mercado fazerem o resto.
É o legado mais positivo do sistema de antologias e o responsável pela grande diversidade cultural do mercado editorial japonês.
Alexandre: nisso nós concordamos.
Esse eu não vou perder, adoro as histórias fechadas dele.
Nem sabia que ele ainda publicava, achei que ele tivesse feito igual ao Akira Toriyama e parado para contemplar a pilha de dinheiro obtido com a edição definitiva de Soul Hunter / Hoshin Engi.
Alexandre: Não acho que a pilha tenha sido tão grande assim nesse caso...
Bom, isso é fato. Digo, não são lançados 10 jogos de Hoshin Engi por ano. Mas ainda existem pôsteres em catálogo na loja online da Jump.
Mas acho (ou melhor, espero) que a idéia tenha ficado clara: o cara é um autor de sucesso e não tem mais nada a provar para ninguém. Pelo menos não para mim, hehe.
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